Nuno Camelo: “O maior desafio é mostrar que Cristo Vive”

Natural de Évora, Salesiano Cooperador e escuteiro, Nuno Camelo foi escolhido pelo Arcebispo D. Francisco Senra Coelho para Coordenador do Comité Organizador Diocesano para a JMJ 2023.

Recentemente escreveu um artigo com o seguinte título: “Uma vida ao encontro de Jesus”. Quer comentar?

Nesse dia dei comigo a pensar na vida, uma espécie de balanço. Confirmei que Jesus foi sempre motivo de encontro. Com os outros, comigo e sobretudo na construção de sonhos e projetos. Tempo passa rápido, mas Jesus permanece sem pressa e é isso que fica. Parece que tem sido assim na minha vida, vida em Jesus. Tenho a certeza que a minha felicidade vem daí.

Conclui o mesmo artigo aplicando à sua pessoa a frase de S. Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”. Como adquiriu tão densa espiritualidade? 

É o que nos faz Jesus, preenche-nos o coração, alimenta-nos a partir desse interior que é só nosso, e depois os resultados não se conseguem esconder. A minha vida tem vindo a tornar-se cada vez mais rica, mais desafiante, mais centrada no serviço aos outros. Quando assim é, deixamos de ser nós e quando aceitamos viver essa condição, os outros olham para nós e veem Cristo. A vida ganha toda uma outra dimensão…

Quer falar-nos das suas origens?

Nasci alentejano, de Évora. O Alentejo daquele tempo era ainda duro para as famílias pobres da aldeia. Só o pai trabalhava, longe, a mãe cuidava de nós. A avó vivia doente. Eu era o filho mais velho. O amor servia-se a toda a hora e a mãe tinha tempo para nós. Aprendi a ler muito cedo. Ajudava na lida da casa e cuidava também dos meus irmãos. A casa estava sempre cheia de amigos e os campos por onde brincávamos.

Sendo de uma família de parcos recursos económicos como veio estudar para Lisboa?

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Sempre tive enorme desejo pelos estudos. Terminado o 6.º ano na aldeia, a professora recomendou que continuasse. Fui para Évora. Escola grande. Terminei o secundário e fui trabalhar para ganhar dinheiro. Quatro anos numa loja de ferragens e um exame nacional de Geografia. Entrei em Lisboa. Não tinha como. Escrevi aos Serviços Sociais de forma que comoveu a Assistente Social. Ganhei uma bolsa, um quarto, uma passagem para a capital.

Como jovem universitário, sozinho, sem amarras, conheceu bem a noite lisboeta?

Conheci Lisboa da janela que dava para a Casal Ribeiro. (muito riso) A noite lisboeta acontecia do lado de fora. Estudava e tratava da Biblioteca da Residência Universitária, vivia muito entre a faculdade e o Saldanha. Depois distribuía revistas nas faculdades. Estava na comissão de residentes e escrevia para a revista da faculdade. Na altura dos Santos Populares ficava durante a noite, sozinho na residência, a estudar para os exames…

No seu trajeto de vida iniciou vários movimentos. Quer enumerar alguns?

Tive a bênção de estar no momento certo nos lugares onde as coisas aconteciam. Como nunca consigo dizer que não, acabei por me envolver nalgumas coisas bonitas. Agrupamento de Escuteiros da minha aldeia, o 1121 do CNE, Grupo de Jovens Fonte Guia, Grupo de Jovens LIVRE em S. Nicolau na Baixa. Fui sempre um inventor de pontes e encontros. Muito recentemente ajudei a fundar um grupo de corrida, imagine-se…

O “movimento” mais importante foi ter formado uma família. Quer falar-nos dela?

Na minha vida tudo o que conquistei teve sempre alguma dose de dificuldade, mas uma grande presença de Jesus. Sempre quis muito casar e ter filhos. Casar foi mais fácil, a chegada dos filhos foi mais atribulada e sofrida. Foram tempos duros mas tudo se renova quando Cristo está em nós. A Lénia é educadora nos Salesianos de Évora e o Martim e o Miguel são os nossos projetos inacabados. Estamos todos a evoluir…

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O Arcebispo de Évora nomeou-o Leigo Coordenador do Comité Organizador Diocesano para a JMJ 2023. Como está a decorrer a preparação e a adesão dos jovens?

Está a ser um desafio diário. Na preparação de uma JMJ, pelo seu caráter global e pela responsabilidade de proporcionar encontro com Cristo, todo o tempo para envolver, é sempre pouco. Os jovens têm aderido bem e a passagem dos Símbolos da JMJ pela Diocese foi disso exemplo. O maior desafio é mostrar que Cristo Vive e aqui toda a estrutura está a fazer um belíssimo trabalho… e o Papa Francisco tem dado uma ajuda…

É Salesiano Cooperador. Que importância tem na sua vida pertencer a um movimento fundado por Dom Bosco? Toda a importância! Dom Bosco, desde o primeiro dia, foi sempre para mim a manifestação do que é ser-se santo junto dos jovens e da família. Poder trabalhar em seu nome, poder usar as suas palavras, poder aspirar a ser como ele, é um programa de vida que não trocaria por mais nenhum outro. Dom Bosco é o sonho, a minha vida pode ser a realidade, tanto mais que o seu amor faz com que também possa querer amar mais…


Nuno Camelo

O entrevistado desta edição, Nuno Camelo, é natural de Évora, Salesiano Cooperador e escuteiro, e foi escolhido pelo Arcebispo D. Francisco Senra Coelho para Coordenador do Comité Organizador Diocesano para a JMJ Lisboa 2023.

Fotografias: João Ramalho

Publicado no Boletim Salesiano n.º 593 de julho/agosto de 2022

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