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O Capítulo Geral visto por dentro: Aqui nascemos! E a partir daqui queremos recomeçar!

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Não levamos um documento final escrito, não tivemos tempo, mas levamos Valdocco no nosso coração. Contemplando esta Basílica, vemos a nossa vida, a nossa história, a nossa espiritualidade. Aqui podemos encontrar um belo documento final, um monumento inicial que Dom Bosco e os primeiros salesianos nos deixaram e nos permite visualmente sintetizar tantos desafios perenes para todos nós.

Introdução: ao olhar para o altar-mor da Basílica, vemos a grande pintura de Lorenzone. Ali está a porta de entrada. O Salesiano é devoto de Nossa Senhora, o Salesiano aceita e acolhe aquele menino que de braços abertos nos quer acolher e abraçar, o Salesiano vive em comunhão eclesial, o Salesiano nasce daquele sonho que em Valdocco se concretizou. Aqui está o início da nossa vida, daqui tudo parte, acreditando que Maria é Mãe, mãe poderosa, mãe da Igreja, mulher do Sonho. Maria fez Dom Bosco sonhar, e também nós temos de sonhar em grande.

Ao Capítulo Geral foram propostos três núcleos temáticos. Sugiro que, olhando para os grandes altares, reencontremos a resposta atual para a missão que a Igreja nos confia.

Para responder ao primeiro núcleo, a prioridade da missão salesiana entre os jovens de hoje, contemplemos o altar de São João Bosco. Nele encontramos de novo o modelo de santidade que propõe o acompanhamento, que se faz rodear dos jovens, que os envolve em vários grupos juvenis, o santo que continua a indicar o caminho apontando para o céu através de Maria, o santo que cria uma família para os jovens, desde os jovens e com os jovens.

Quanto ao segundo núcleo, dedicado ao perfil do salesiano, convido-vos a contemplar o altar de São José. Construído também por Dom Bosco. A reforma que o Papa nos pede, a toda Igreja, pode encontrar em São José um modelo. Queremos um salesiano como São José? Não por acaso, São José é o patrono da nossa Sociedade Salesiana (Const. 9). Ele não é apenas o santo padroeiro dos irmãos coadjutores, mas de todos os salesianos. Porquê? Ele nem era padre… ele não disse palavra alguma, que nos pode ensinar São José? Ele ensina-nos a ser homens de sonhos, a renovar o dom da paternidade, a ser homens apaixonados por Maria, homens de trabalho, homem de decisões corajosas, homens do concreto que sabem enfrentar a realidade, homens de família e fraternidade prestigiada, ele ensina-nos a ser homens simples e do povo (não clericalistas), educadores modestos que educam com o exemplo, com a entrega da vida, ensina-nos a ser pessoas de oração, intercessores junto de Jesus e de Maria nas necessidades e aflições da humanidade.

Por fim, o terceiro núcleo confiado ao Capítulo Geral convidava a refletir: juntos com os leigos na missão e na formação. Aqui convido-vos a contemplar o altar de Santa Maria Domingas Mazzarello. Madre Mazzarelo é a primeira santa da família salesiana que nos recorda como a proposta espiritual de Dom Bosco é válida, eficaz, aberta a todos, não exclusiva dos  salesianos.  Olhando para Madre Mazzarelo vemos como Dom Bosco precisou de envolver tantas outras forças. Podia ter pedido ajuda a outras congregações ou institutos. Mas em Madre Mazzarello vemos o modo como Dom Bosco encontra a forma de envolver os leigos e torná-los nossa família, família salesiana. Segundo ele, os leigos devem ser envolvidos, amados, cuidados, dando-lhes protagonismo e liderança. Maria Mazzarello percebeu que Dom Bosco era alguém especial: «Dom Bosco é um santo, eu sinto-o» (Madre Mazzarello). Imitemos a santidade de Dom Bosco, e saibamos envolver muitas forças na nossa família, o génio feminino e juvenil. Como Madre Mazzarello, somos chamados a ser cofundadores, e, como Dom Bosco, confiar a outros a missão que é do próprio Deus. Como Dom Bosco, aprendemos a fazer dos leigos parte integrante e de pleno direito da nossa família.

Para terminar, convido a contemplar o altar que está mesmo à saída da Basílica, o altar de São Domingos Sávio. Ali está o convite de saída a sermos santos, para tornarmos santos os nossos jovens. Como Dom Bosco, sejamos dos jovens, seus confidentes, seus amigos. Domingos Sávio disse em Valdocco: «Aqui fazemos consistir a santidade em estar sempre alegres». Domingos é o fruto maduro do sistema preventivo de Dom Bosco. Se na base da Basílica encontramos a cripta das relíquias que nos recorda um passado cheio de tantos testemunhos de entrega, amor e fé, o altar de São Domingos Sávio relembra-nos que a nossa meta é alta. A meta é a santidade. Ajudemos os nossos jovens a ser santos! Como? Vejamos Dom Bosco, São José e Madre Mazzarello. Por isso aqui, na Basílica de Maria Auxiliadora, estamos todos. E daqui podemos sempre partir em missão! Levemos esta Basílica no coração e na mente. Ali encontramos um renovado tesouro, um segredo que o nosso pai Dom Bosco nos deixou. Voltemos a Dom Bosco, para partir cheios da mesma vitalidade que Valdocco sempre inspira. Vivemos novos tempos! São de novo tempos difíceis. Mas não receamos: «Com Dom Bosco e com os tempos».

* O Pe. Juan Freitas foi eleito Delegado pelo Capítulo Provincial para representar os Salesianos de Portugal no CG28

Publicado no Boletim Salesiano n.º 580 de Maio/Junho de 2020

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