O Natal é tempo de maior aproximação de familiares, amigos e vizinhos, de maior partilha, de reconciliação de famílias e amizades. É uma época especial e cheia de tradições diferentes, algumas delas já esquecidas.
A celebração do Natal constitui uma das festividades mais significativas para a maioria das famílias portuguesas. Independentemente do grau de religiosidade, a população portuguesa mantém a associação desta época a um conjunto de tradições que refletem tanto a dimensão espiritual como o património cultural do país.
Entre os católicos, o Natal é particularmente vivido como um tempo de fé, de união familiar e de renovação interior, marcado por práticas religiosas e culturais. Com maior ou menor rigor, os portugueses continuam a cumprir nesta época a uma série de tradições, mas algumas estão a ficar esquecidas.
Quatro semanas antes do dia de Natal tem início o Advento, um período de preparação espiritual. Este tempo, caraterizado pela reflexão e conversão, antecede a celebração do nascimento de Jesus Cristo. A sua vivência é acompanhada por diversos símbolos e rituais, entre os quais se destacam a montagem do presépio e da árvore de Natal, geralmente realizados no primeiro dia do Advento.

A preparação do Advento
Os presépios são o elemento central da quadra natalícia. A sua função é representar o nascimento humilde do Filho de Deus feito homem, o Salvador, Jesus Cristo.
Em várias regiões, a tradição do presépio adquiriu caraterísticas próprias. No Algarve, por exemplo, é comum a construção dos chamados presépios em escada, decorados com laranjas e rebentos de trigo, centeio ou cevada, símbolo da bênção das colheitas do ano vindouro, nos quais o único elemento figurativo é o Menino Jesus.
Neste período é também uso em muitas casas a confeção da Coroa de Advento, elaborada com ramos verdes e decorada com quatro velas. Cada vela é acesa nos sucessivos domingos do Advento, representando a luz de Cristo que se aproxima. Este momento é de recolhimento espiritual com orações ou leituras da Bíblia.
Em anos recentes, uma novidade surgiu em Portugal. Veem-se um pouco por todo o país: em janelas, varandas e portas, os estandartes do Menino Jesus. A iniciativa promovida em Portugal por uma família católica pretende “recristianizar o Natal”, em detrimento de outras decorações e do excessivo consumismo, e restituir a centralidade da festa a Jesus, num momento em que para muitos parece já nem fazer parte dela.

O Madeiro de Natal e as Janeiras
Em muitas aldeias do interior e do norte do país a Festa de Natal ainda é uma festa comunitária. Na véspera de Natal, grupos de homens reúnem-se para transportar grandes troncos de madeira até ao adro da igreja, onde o madeiro é aceso e permanece a arder durante toda a noite, proporcionando o encontro, o convívio e o sentimento de pertença da comunidade.
Também é tradição Cantar as Janeiras, em que grupos de cantadores, e muitas vezes grupos de crianças, com um repertório tradicional visitam os vizinhos para desejar prosperidade no novo ano. Esta é uma prática popular que, embora tenha perdido alguma expressão nas últimas décadas, ainda subsiste em várias localidades.
A Novena de Natal e a Missa do Galo
Nove dias antes do Natal começa-se a Novena de Natal, um período litúrgico de nove dias dedicado a orações, meditações e práticas devocionais, em expetativa da vinda do Salvador.
Na véspera de Natal, a Missa do Galo é a cerimónia litúrgica realizada na noite de 24 para 25 de dezembro, marcando simbolicamente o nascimento de Cristo e representa, para os cristãos, o momento central da celebração.
Fotografia da entrada gentilmente cedida por Beira Alta TV
Publicado no Boletim Salesiano n.º 612 de novembro/dezembro de 2025
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