Salesianos no Uganda: onde florescem milagres todos os dias

Namugongo, Bobo, Gulu e Palabek, quatro obras salesianas que simbolizam esperança.

Chegámos ao Uganda, país da África Central, rico de água e de grandes lagos, entre os quais sobressai o lago Vitória no qual nasce o Nilo Branco. Estamos no fim da estação das chuvas e a vegetação é particularmente luxuriante. Nos poucos dias de permanência no Uganda, visitámos quatro das sete obras salesianas no país, todas muito belas, ao serviço dos jovens pobres daquela terra. Namugongo, na periferia da capital Kampala, Bombo, 30 km a norte, e no norte do país, Gulu e Palabek, a mais de 300 km da capital.

Em Namugongo os salesianos “herdaram” dos combonianos, há cerca de 15 anos, um orfanato para 64 rapazes e jovens, órfãos ou desprotegidos. Ao lado foi construída, com as ofertas dos benfeitores das Missões Dom Bosco, uma escola primária e uma escola infantil para crianças do enorme bairro cuja população cresce rapidamente. As ruas do bairro são tortuosas, não há esgotos e a corrente elétrica falha a todo o momento. Para facilitar a ida à escola, o centro escolar dispõe de dois pequenos autocarros que de manhã e à tarde fazem um longo percurso, pelo labirinto de ruas, indo buscar e depois levar os pequenos dos seis aos doze anos.

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Convidaram-nos a fazer a volta da tarde… para levar os pequenos a casa! Num autocarro de 35 lugares sentados cabe o dobro de crianças. Começamos a dar voltas e voltas pelas ruas de terra batida da zona. Faustino, jovem condutor do Burundi, conhece-os a todos pelo nome e sabe onde moram. Os pequenos brincam e tagarelam ao longo de todo o percurso, ele chama-os pelo nome quando devem descer. Ao seu lado mandou sentar um miúdo da primeira classe, pequenito e triste porque se magoou na escola. Com efeito, a jogar, Ervin fez um grande arranhão numa perna. Dói muito aquela ferida, mas ele não chora. Ao chegar a casa de Ervin, Faustino estaciona o autocarro, toma o pequeno nos braços e percorre alguns metros que o separam da porta de casa. Faustino, o motorista educador, entrega Ervin nos braços da mãe. Que belo gesto de amor paterno, e quanta humanidade neste emigrante que no Uganda encontrou trabalho nos salesianos.

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Viajando em direção ao norte, visitámos Bombo. A primeira das sete presenças salesianas do Uganda. Provenientes do Quénia, os salesianos chegaram há mais de 30 anos à terra ugandesa e foram enviados pelo bispo a fundar uma escola profissional na diocese. Atualmente em Bombo há um verdadeiro campus escolar: a escola primária é frequentada por 1800 crianças, 500 alunos frequentam a secundária e 200 o centro de formação profissional. O internato escolar acolhe ao todo 700 dos 2500 alunos. Ao lado da grande escola há também a paróquia e algumas capelas na periferia.

Prosseguimos o caminho e chegamos a Gulu, a grande cidade do norte do Uganda, onde faz mais calor por estarmos próximos da fronteira com o Sudão do Sul, com as pradarias áridas desta parte de África. Também em Gulu construímos uma grande escola com um internato escolar anexo e uma igreja paroquial, no campo, a cerca de 15 km do centro urbano. Servimos um território muito vasto e pobre.

Por fim, chegamos à quarta e última etapa da visita ao Uganda: o campo de refugiados de Palabek. Aqui os filhos de Dom Bosco chegaram em 2018. Instalados no início em tendas e barracas, como os refugiados do Sul do Sudão que aqui encontraram abrigo. Menos de dois anos após a chegada, já têm uma casa da comunidade salesiana, a escola maternal, um centro de formação profissional, recém-inaugurado, e uma igreja em construção. O projeto de consolidação da presença prevê também a abertura de uma escola superior no início de 2021. O fundador desta nova presença salesiana é o Pe. Arasul, indiano de origem, mas missionário em África há mais de 30 anos, que agora é também o diretor da obra. Tem energia e entusiasmo para dar e vender como um rapazinho! O superior salesiano, Pe. Pierre Celestin Ngoboka, ruandês, acompanhou-nos nestas visitas. Diante de tantos jovens que aprendem um ofício e olham para o futuro com esperança, apesar de se encontrarem num campo de refugiados, exclamou: “Isto é um autêntico milagre. Aqui em Palabek assistimos diariamente aos milagres!

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Fonte: Texto adaptado de Boletim Salesiano Itália, Fotografias: Missões Dom Bosco

Publicado no Boletim Salesiano n.º 580 de Maio/Junho de 2020

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