Lema do Reitor-Mor 2016

COM JESUS, percorramos juntos a aventura do Espírito!

1.  SAUDAÇÃO E MOTIVAÇÕES 

Conservo na minha mente e no meu coração as recordações indeléveis da festa do bicentenário do nascimento de Dom Bosco. Enche-me de alegria ouvir os ecos das celebrações que tiveram lugar em toda a parte do mundo para festejar este acontecimento. Graças ao Espírito Santo, a Família Salesiana está muito viva!

O bicentenário do nosso pai Dom Bosco ofereceu-nos a possibilidade de recordar a sua história, aprofundar as suas intuições pedagógicas e reavivar alguns traços da sua espiritualidade. Foi este o programa proposto pelo meu predecessor padre Pascual Chávez, programa que foi fecundo. Entrelaçando os fios da história, a missão e a espiritualidade salesiana das origens, descobrimos o que significa viver de forma apaixonada a nossa vocação salesiana. Como toda a vocação, também a nossa implica uma história de amor entre Deus e uma pessoa concreta, seja uma mulher, um homem ou um jovem. Só dando importância às origens do nosso carisma, donde brota a vocação salesiana, conseguiremos projetar juntos a missão juvenil que, como Família Salesiana, recebemos e faremos transparecer a espiritualidade de que nós bebemos e nos alimentamos.

Queridos irmãos e irmãs da Família Salesiana, em mais outro ano me dirijo a vós para apresentar o ‘Lema’, e faço-o com palavras de fraternidade e de afeto; expresso-vos este novo e grande desejo de o fazer com os mesmos sentimentos que se propunha Dom Bosco. Sei que muitos aguardam esta apresentação. O Lema mostra a riqueza da família que formamos. Quer ser uma ajuda para estreitar vínculos de comunhão e compartilhar percursos de missão, movidos pelo Espírito Santo que, na Igreja deste nosso tempo, impele a percorrer caminhos novos. Por isso, dizemos “Com Jesus, percorramos juntos a aventura do Espírito”.

Como podereis ver nas páginas que se seguem, desejo falar de Deus e de Jesus Cristo, que é o fundamento da nossa vida pessoal e da nossa Família Salesiana; mas simultaneamente falo da missão que descrevo como “aventura do Espírito”, e da comunhão entre nós e como Igreja, que formulo com a expressão “percorrer juntos”.

Este tempo de serviço como Reitor-Mor permitiu-me conhecer melhor e amar mais a Congregação e a nossa Família Salesiana. Tive o privilégio de poder ser testemunha de muitos percursos pelos quais o Espírito Santo conduz a nossa Família hoje. Estou convencido de que o Espírito Santo está a ser muito generoso com todos nós e espera da nossa parte a mesma disponibilidade que encontrou em Dom Bosco, Madre Mazzarello, Domingos Sávio e nos muitíssimos que, na escola de santidade da nossa grande família religiosa, estiveram prontos a seguir Jesus com radicalidade, deixando-se guiar pelo Espírito.

2. COM JESUS! 

Dizer «COM JESUS» no princípio do Título do Lema diz-nos que Ele é a porta de entrada e o centro de toda a nossa reflexão.

O percurso que propomos nestas páginas é muito mais do que uma estratégia pastoral; é a afirmação de que só com Jesus, em Jesus e a partir de Jesus poderemos percorrer um caminho que seja realmente significativo e decisivo para as nossas vidas.

Tal como nos chamamentos de Jesus no Evangelho, hoje como então Ele fixa e olha com atenção cada pessoa, o fundo do seu coração, e dali faz ressoar o seu convite a segui-l’O. Disto se trata na vida cristã: princípio de uma vocação, de ouvir-se chamado pelo próprio nome. Esse é, essencialmente, o seguimento de Cristo.

É Jesus que toma a iniciativa, que se junta no caminho, que procura o encontro com desvelo. O seu olhar de eleição e o seu chamamento pessoal pedem uma decisão cheia de confiança e de abandono n’Ele. Porque, quando Cristo chama alguém a segui-l’O, não lhe apresenta um programa pormenorizado, nem aduz motivos, nem põe condições. O chamamento de Jesus envolve numa aventura, num risco. Trata-se de percorrer o seu mesmo caminho, sem carta de navegação. Seguir Jesus significa incomodar-se, levantar-se e pôr-se a caminho, não é ficar à beira do caminho, como quem vê passar alguém que suscita entusiasmo, polémica ou disputa.

Aquilo que conhecemos dos chamamentos de Jesus no Evangelho foi-se repetindo ao longo dos séculos e é o mesmo chamamento que fez a cada um de nós, Família Salesiana, e que faz a cada jovem que se encontra com Ele, e que deseja e decide ser dos seus. Uma decisão que implica a audácia do discípulo que vence qualquer forma de temor e torna leves as dificuldades inerentes ao seguimento, como sejam a recusa, a exclusão, a incompreensão ou os riscos.

Encontrar Jesus, ou melhor, ser encontrado por Ele, desperta admiração, atração, fascínio. Mas não basta. Talvez a experiência mais importante que este seguimento implica seja a amizade pessoal com o Mestre. Uma amizade que se compreende e se vive como entrega, fidelidade e confiança. Onde não há amizade pessoal, não pode haver seguimento, mesmo que haja outras coisas, como o entusiasmo ou a laboriosidade até à exaustão. O chamamento coloca-nos diante de um maravilhoso horizonte de amizade, requer adesão cordial à pessoa de Jesus e uma mudança radical de vida. Um seguir e um caminhar com Jesus que se vai transformando em comunhão com Ele (Jo 1,31-51); um seguir e um caminhar com Jesus que é também ficar com Ele, dado que se liga a uma experiência pessoal de verdadeiro encontro (Jo 15, 14-16).

Aquilo que acabo de expor brevemente, procurando ir ao essencial, deve ser, meus queridos irmãos e irmãs, o ponto de partida e de chegada, a máxima prioridade dos nossos compromissos como educadores e evangelizadores dos jovens e das jovens. A partir deste momento, o convite que vos faço é percorrer pessoalmente, por vezes com outros educadores e educadoras dos milhares de presenças da nossa Família no mundo, e sempre com os jovens – sempre com eles e sempre para eles – um caminho de fé no qual chegar à nossa relação com Jesus. Sim, disto se trata! Deixar-nos cativar pela sua pessoa, deixar-nos cativar não só por um ideal ou uma missão, mas pelo Deus vivo incarnado n’Ele. Deixar-nos transformar, pouco a pouco, por este Deus apaixonado por uma vida mais digna e mais feliz para todos.

Nós mesmos, e particularmente os nossos jovens, temos desejo de Deus e necessidade de Deus. “A Itália, a Europa e o mundo mudaram muito nestes dois séculos, mas a alma dos jovens não: também hoje os rapazes e as raparigas estão abertos à vida e ao encontro com Deus e com os outros, mas há tantos em perigo de desânimo, de anemia espiritual, de marginalização”, diz-nos o Papa Francisco a nós, Família Salesiana.

E deveremos estar convencidos de que esta abertura ao encontro com Deus, esta necessidade de Deus, converte-se num acontecimento decisivo para todos nós, e especialmente para os nossos jovens, quando o Cristo do Evangelho, nem mais nem menos, é experimentado como Aquele que dá sentido pleno à vida, passando “da admiração ao conhecimento, e do conhecimento à intimidade, ao enamoramento; ao seguimento, à imitação”. Este desejo é um desafio educativo e pastoral que devemos enfrentar, se queremos cultivar e desenvolver uma espiritualidade cristã para o nosso tempo.

Quando se compreende isto e se começa a vivê-lo, a perspetiva pessoal muitas vezes muda, porque cada um de nós vai tomando consciência da gratuidade de Deus, que Ele nos amou e nos ama, e poisa o seu olhar sobre cada um dos seus filhos e filhas. Isto impele-nos a procurar muito a sério este encontro, que geralmente se realiza de forma gradual, que amadurece, de ordinário, lentamente, com os altos e baixos da limitada resposta humana, que requer tempo e espaço, que implica um processo de liberdade. É por isso que, compartilhando a sua mesma experiência e convicção pessoal, o Papa Francisco convida, numa entrevista concedida no início do seu pontificado, a “entrar na aventura da busca do encontro e do deixar-se buscar e deixar-se encontrar por Deus”. 

3.  PERCORRAMOS JUNTOS 

Pensando no caminho da vida, como lugar em que se joga tudo e aquilo que nela é mais importante, podemos contemplar como imagem bíblica Jesus a percorrer os caminhos da Galileia juntamente com os seus, a encontrar-se com muitas pessoas, a pregar, a curar… Jesus a percorrer os caminhos no meio das pessoas, no meio dos seus afazeres e por vezes rodeado daqueles que têm necessidades, também de curiosos, daqueles que buscam novidades, daqueles que estão fascinados pela sua pessoa, dos indiferentes, daqueles que O veem como um homem perigoso e querem desfazer-se dele. 

Percorrer um caminho, como experiência humana, é conhecê-l’O e reconhecê-l’O, saber por que lugares passa e que nós encontraremos mais adiante, onde há sombras refrescantes, onde há nascentes. É fazer experiência de caminhar por lugares pedregosos, subir carreiros íngremes e por vezes difíceis, mais fáceis e descansados outras vezes. Como no caso do peregrino que caminha em busca da fé ou por causa da mesma fé, o nosso percorrer o caminho da vida com Jesus é um caminho que fazemos n’Ele (Col 2,6), que fazemos com Ele porque nos fascinou, e fazemo-lo unidos.

A mensagem do Lema, como poderemos realçar nos desafios e propostas das páginas finais, entende sublinhar fortemente este percurso, este caminhar, que fazemos não de forma isolada mas unidos, entre nós e com os jovens.

Porquê unidos? Porque a dimensão comunitária e eclesial é algo de essencial na mensagem cristã – da qual se falará nestas páginas. Essencialmente, trata-se de uma experiência na qual o crente se sente sustentado por um grande Amor e por uma comunidade; uma comunidade a caminho, que tem um projeto para o futuro. Tudo isto fará com que vivamos uma vida que vale a pena ser vivida e que é a alegria de ser cristão. 

4.  UMA AVENTURA DO ESPÍRITO

4. 1 Uma aventura muito diferente de qualquer busca de novidade 

Em muitas culturas, há um primeiro significado da palavra aventura que se traduz como algo de semelhante a um tipo de vida em que as pessoas procuram, como objetivo último, viver novas experiências, e em que elementos como a intuição, a incerteza, o risco, a boa sorte, o sucesso ou o fracasso são essenciais.

Este conceito de aventura, assim entendido, fala-nos de pessoas empreendedoras em busca de novas emoções em que descobrir vias desconhecidas, experimentar os próprios limites e simultaneamente mostrar a própria capacidade de arriscar. Todas estas seriam condições imprescindíveis para um bom “aventureiro”.

Noutra perspetiva, e a modo de exemplo, sabemos que o pensamento europeu do Romanticismo sustentava que “viajar consiste tanto em explorar novos ambientes como em desprender-se do solo natal para entrar em contacto com um mundo desconhecido. Neste sentido, a viagem é formativa quando uma pessoa regressa mudada… ou não regressa”.  

A intenção destas páginas consiste em identificar caminhos de interioridade e de espiritualidade para percorrer um tipo de aventura muito particular: a aventura do Espírito.

4.2  A aventura do Espírito é um CAMINHO DE INTERIORIDADE

Aqueles que estão familiarizados com o estudo da interioridade frequentemente começam a sua reflexão dizendo que nos últimos anos muito se escreveu sobre esta palavra: por vezes, há referências aos caminhos interiores que o ser humano tenta percorrer para recuperar o sentido da vida; outras vezes, ao desejo veemente de uma felicidade sempre buscada e muitas vezes não encontrada.

O risco de erros de desatenção neste caminho de busca é grande. Em tom um pouco crítico fala-se de receitas que proliferam e que aconselham como adquirir um ritmo de vida saudável, ou como recuperar diversos aspetos de saúde psíquica e espiritual; como alcançar um equilíbrio interior; como aceitar-se a si mesmo para ser feliz, etc. Poderia parecer que nos é oferecido um ‘supermercado espiritual’, no qual escolher e meter no nosso saco das compras aquilo que temos mais à flor da pele. Deparamos com ofertas exotéricas, exóticas, de “bijouterie new-age” ou pseudo-espiritualidade de todo o tipo. 

Adverte-se que o perigo está nos falsos caminhos de interioridade oferecidos pelo mercado ou pela realidade idolátrica de certos convites a uma interioridade “de fuga” do mundo. Também não é segura “a ideologia da autorrealização com a obsessão monotemática do «o que é que se passa comigo?», «como me sinto?» … um universo que gira em torno do próprio eu e que afasta da disponibilidade para o serviço e interesse pelos outros”. 

Pareceu-me também sugestiva uma ‘metáfora’ em que se insinua que em certas ocasiões “se tem a sensação de que nos tocou viver num tempo em que as relações consigo mesmo têm mais de hotel, em que por vezes nos alojamos, do que do âmbito em que o encontro consigo enriquece a identidade. Frequentemente, pareceremos mais próximos de assinar a morte da interioridade do que de promover o seu reforço’. 

Se bem que o precedentemente exposto, visto de forma positiva, nos fale de uma busca no desejo de preencher vazios da vida, é certo que por vezes estas buscas respondem a um cúmulo de mal-estares surdos e silenciosos, que chegam a tornar-se intoleráveis. E é nesta situação em que cada pessoa, nós mesmos e os nossos jovens, não devemos cair na armadilha narcisista, o eu intimista que fecha o sujeito nos próprios interesses e o torna prisioneiro do seu pequeno mundo. Esta realidade que vimos delineando leva-nos a ver em nós mesmos, Família Salesiana no mundo, e nos mesmos jovens com os quais compartilhamos a vida, que é real o perigo de perder ou ter perdido (ou simplesmente nunca ter descoberto) o gosto da vida interior e a capacidade de descobrir níveis de profundidade na própria vida.

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Não se pode cultivar a interioridade se ‘se gasta’ o tempo a ser espetador da vida dos outros, ficando simplesmente a ver as aparências. Creio que devemos tomar mais a sério esta provocação e acompanhar os nossos jovens e as pessoas com as quais interagimos, para que se viva em estado de busca, a fim de que sejam e sejamos buscadores do essencial. Porque, quando uma pessoa, um jovem, não descobre, nem tem interesse em caminhar a partir de dentro e dentro de si mesmo, pode converter-se em alguém incapaz de imaginar ou sonhar o seu presente e o seu futuro.

 E, para avançar neste caminho, que podemos entender por interioridade?

Com as palavras de uma religiosa carmelita que dedicou a sua vida nesta busca que a levou a Deus, “interioridade é a viva consciência de que tudo está dentro do Absoluto, de Deus, do amor, da vida. A interioridade não é o lugar onde me retiro por decisão própria, mas é chegar a dar-me conta de que estou dentro de Alguém”.  Esta irmã compreendeu que a interioridade é algo que faz parte da essência da nossa existência. É esta força que impele para Deus, é a consciência de estar ‘dentro’ de Deus, e experimentar esta consciência e esta alegria. “Parece-me – acrescenta – que todos podem descobrir a própria interioridade, decifrá-la e, conhecendo-a, amá-la e viver dela”.  E de facto o Catecismo da Igreja Católica contém algo de semelhante quando afirma: “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair a Si o homem, e só em Deus o homem encontrará a verdade e a felicidade que procura sem descanso”.

Creio que não é uma visão pessimista reconhecer ou diagnosticar que, em muitas culturas, especialmente as mais ocidentais do nosso planeta, a experiência religiosa está socialmente marginalizada, ou seja, mutila-se a interioridade reduzindo-a à dimensão puramente psíquica, sem reconhecer o seu potencial de abertura ao transcendente. E é por isso que a pessoa deve tentar descobrir os traços ou sinais de Deus na sua experiência interior, penetrando na sua intimidade, naquilo que ressoa na sua mente e no seu coração, porque “Deus está no seu interior como pensamento, consciência, coração, realidade psicológica e ontológica”.

Na perspetiva cristã, a interioridade não é o lugar no qual me retiro, mas sim a tomada de consciência de que estou dentro de Alguém e com Alguém. Compreendo-me como um “eu” recebido de Alguém, como dom de Alguém. Quando à consciência da dimensão interior damos um significado (isto é, que este Alguém é a pessoa de Jesus, ou é Deus Pai), tal consciência converte-se em busca espiritual. Portanto, não é pensável uma espiritualidade sem interioridade.

4.3 A aventura do Espírito é um CAMINHO DE ESPIRITUALIDADE 

Como poderia definir-se a espiritualidade? Na sua essência poderemos dizer que espiritualidade é viver sob a ação do Espírito. Em termos mais completos do teólogo Hans Hurs Von Balthasar, “a espiritualidade é a atitude básica, prática ou existencial, própria do homem, e que é consequência ou expressão de uma visão religiosa – ou, de modo mais geral, ética – da existência”. 

Isto quer dizer que não se entende a espiritualidade como algo que se acrescenta à pessoa, como algo de acidental ou circunstancial, mas que ela pertence à essência da nossa condição de seres humanos. Portanto, nada na pessoa, nem as atitudes, nem os comportamentos, nem as relações podem ficar à margem da espiritualidade. A espiritualidade, então, penetra todas as dimensões da pessoa. Tem a ver com a sua identidade, os seus valores, aquilo que dá significado, esperança, confiança e dignidade à sua existência e se explicita na relação consigo mesmo, com o próximo e com quanto transcende a natureza humana, o mistério de Deus.

E, no nosso caso, como crentes cristãos e seguidores de Jesus, não falamos somente de espiritualidade em geral, mas de espiritualidade cristã, porque temos em Cristo a fonte, a razão, a meta e o sentido da nossa vida e da espiritualidade com que a vivemos. Descobrimo-nos habitados por Deus, acreditamos que há um lugar no nosso coração para Ele, e descobrimo-nos ser privilegiados por uma relação tão pessoal. Que belo é isto, sabendo ser ao mesmo tempo ‘mendigos de Deus’.

A espiritualidade cristã é, portanto, e antes de tudo, um dom do Espírito. Ele é o “Mestre interior” do caminho espiritual de cada pessoa. Ele suscita em nós a sede de Deus (Jo 4,7) e ao mesmo tempo sacia a nossa mesma sede. Esta vida no Espírito é para S. Paulo “vida escondida com Cristo em Deus” (Col 3,3), vida do “homem interior que se renova dia após dia” (2 Cor 4,16), “vida nova” (Rm 6,4). É o Espírito que faz do cristão morada de Deus, capaz de O acolher. É o Espírito que dá início à vida espiritual, gerando o homem como filho de Deus.

Os mestres espirituais de todos os tempos referem-se constantemente a este espaço interior onde acontece o diálogo com Deus. S. Inácio de Loyola falava do “sentir e saborear interiormente as coisas de Deus”. Santa Teresa de Ávila compara a vida interior a um castelo interior com muitas moradas, na principal das quais habita precisamente Deus. S. João da Cruz fala de uma “loja interior” para se referir a este espaço interior em que se experimenta a intimidade com Deus. Nos Evangelhos, quando Jesus de Nazaré se refere à oração, alude a um lugar secreto, escondido, habitado por Deus: “Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há de recompensar-te” (Mt 6,6).

4.4  Uma aventura que é VIDA ABERTA AO ESPÍRITO SANTO 

A consequência de todo este dinamismo deve ser sondar, ponderar, indagar o fascínio que é viver a vida estando aberto ao Espírito Santo, que habita nela. Deus vem ao nosso encontro e convida-nos a caminhar com Ele e a participar na sua vida por meio do Espírito. Com efeito, como sugere o padre Vecchi falando da espiritualidade salesiana, acreditamos que “tudo aquilo que no mundo orienta para Deus, tudo aquilo que explícita ou implicitamente evoca a presença ou a intervenção de Deus, tudo aquilo que impele à busca de Deus tem o Espírito como força escondida”.

Todavia conhecer a Deus e buscá-l’O é mais do que um desejo nosso. É, antes de tudo, um Dom que nos é oferecido e que está em sintonia com a nossa condição de buscadores do Absoluto, porquanto muitas vezes os nossos passos sejam pequenos e incertos.

E é nesta perspetiva que permanecemos centrados em Cristo, para percorrer, ao seu lado, um verdadeiro caminho que seja aventura, novidade, ar fresco do Espírito, sabendo que não é algo destinado a elites, mas a toda a gente, cada homem e cada mulher, cada jovem aberto a Deus; sabendo que toca a própria vida de maneira decisiva; sabendo que sempre nos conduzirá a um encontro mais profundo e íntimo com Jesus, notando que se soltam as capacidades da própria pessoa, que se exprime principalmente na comunicação com Deus – Mistério sempre insondável – que nos fala e com o qual comunicamos de diversos modos, que impele sempre a sair de nós mesmos e ir ao encontro dos outros, vivendo a fé na atividade ordinária da vida quotidiana. Tudo isto seria expressão da espiritualidade cristã.

5.  CONDUZIDOS PELO ESPÍRITO SANTO 

5.1  Jesus “evento do Espírito”

A ação do Espírito Santo atinge o seu auge, por desígnio do Pai, na pessoa de Cristo. Toda a sua existência é um evento do Espírito , desde o momento da sua conceção quando a Maria, a jovem de Nazaré, é comunicado: “O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra (Lc 1,35).

Já antes do início do seu ministério na Galileia, “Jesus recebe o Espírito e Deus declara-se Pai que O ama (Mt 3,17): é constituído Filho antes de agir como apóstolo”.

Enquanto Jesus se recolhe em oração depois do seu batismo, “o céu abriu-se e desceu sobre Ele o Espírito Santo” (Lc 3,21b-22a) e, por meio do Espírito, o Pai unge-O como Messias e apresenta-O como o Filho amado. Cheio de Espírito Santo, “é conduzido pelo Espírito ao deserto…” (Lc 4,1-13). No Espírito, tendo chegado do deserto, vence as tentações e mostra-se particularmente Filho do Pai. Sempre conduzido pelo Espírito regressa à Galileia, chega a Nazaré e atribui-se a si mesmo, publicamente, a profecia de Isaías “o Espírito do Senhor está sobre mim” (Lc 4,18). 

Em síntese, estas simples referências a citações neotestamentárias mostram-nos de forma evidente como a vida de Jesus foi marcada pela presença e pela ação Espírito de Deus e como a sua vida foi uma aprendizagem, todo um aprender a viver como Filho do Pai buscando sempre e em tudo a sua vontade.

5.2  Maria, mulher do Sim, guiada pelo Espírito 

Maria de Nazaré é antes de tudo a jovem crente amada por Deus, com a qual Deus mesmo dialoga mediante o seu Anjo (segundo a narração evangélica), significando ou dando a entender que a presença e a ação do Espírito se realiza num encontro respeitoso que é proposta e resposta. A mesma presença do Espírito dependerá, em definitiva, do seu sim. Em Lc 1,35 – como anteriormente referi – o Anjo comunica-Lhe o plano de Deus, ao qual Maria responde: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Desde este sim, Ela não podia imaginar quais seriam os caminhos que deveria percorrer guiada pelo Espírito e, simplesmente, fiou-se totalmente em Deus. Esteve presente em Caná, no início da missão do filho; esteve aos pés da cruz no Calvário, no momento em que o seu filho entregava a sua vida; esteve em oração com os discípulos depois da ressurreição e estava presente quando o Espírito Santo irrompeu no Pentecostes. Toda uma vida marcada pelo sim a Deus e pela abertura ao seu Espírito. “N’Ela, a Mãe, a fé resplandece como dom, abertura, resposta e fidelidade”. 

5.3  Pedro e Paulo “tocados” pelo Espírito de Deus

Contemplando Pedro, o impetuoso pescador da Galileia, em toda a sua trajetória de seguimento do Senhor, com as suas promessas e as suas infidelidades, com os seus êxitos e as suas falhas, aprende-se a grande lição: é o Espírito que impele este indiscutível líder, cheio de nobreza e de amor ao Mestre, a seguir os projetos de Deus e não deturpá-los como simples desejos humanos.

 Aquele que era um judeu crente e observante, confiante na presença ativa de Deus no seu povo e disposto a fazer prevalecer as suas razões, mesmo com a força, rende-se perante a evidência de quem era o seu Senhor. O primeiro dos apóstolos no caminho da Igreja nascente chorou sobre o seu pecado, mas não duvidou do perdão. Esta foi a sua grandeza, não isenta de resistências até ao momento da sua conversão. E é assim que, em definitivo, quando deixamos agir o Espírito, nos confirma que, como Pedro, devemos converter-nos de novo para seguir sempre Jesus, e não precedê-l’O, indicando-lhe aquilo que nós julgamos ser o caminho (cf. Mt 16, 22-23).

Paulo de Tarso foi o observante da Lei que, escandalizado diante da inaceitável mensagem de um homem, um tal Jesus morto na cruz, sentiu o dever de perseguir os Cristãos e ficou capturado por Jesus Cristo. Esta experiência, de que ele mesmo fala como de algo maior que uma visão ou uma iluminação, descreve-a sobretudo como uma revelação e uma vocação recebidas precisamente no encontro com o Ressuscitado. É aqui que verdadeiramente Paulo nasceu de novo, é aqui que recebeu o Espírito Santo e ficou curado da sua cegueira espiritual e física. Poderemos dizer que Paulo estava decidido contra Jesus quando Jesus estava decidido a seu favor. É esta experiência que lhe muda radicalmente a vida, pondo todas as suas energias ao serviço de Jesus Cristo e do seu Evangelho, tendo encontrado a razão do valor absoluto, diante do qual não podia haver limites: Jesus Cristo.

5.4  Dom Bosco, aberto ao Espírito para dizer o seu sim ao Senhor nos jovens

A vida espiritual de Dom Bosco foi uma grande e paciente peregrinação para a profundidade da sua rica e intensa vida interior. Este processo de interioridade, como tudo na sua ação apostólica, foi um caminho que percorreu dando um passo de cada vez, consciente de que a meta que Deus lhe propunha não podia atingir-se com um só movimento. Precisou de acompanhantes, precisou de tempo, precisou de uma aprendizagem. Dom Bosco, desde rapaz, não podia renunciar a sonhar, imaginava um mundo diferente para os seus jovens, um mundo melhor. Mas, antes de tudo, desejava saber o que Deus esperava dele. A ação do Espírito Santo nele concretizou-se em chamá-lo ao estado sacerdotal e em formar progressivamente nele um coração de apóstolo dos jovens. Fez o seu caminho interior para compreender, para se deixar surpreender pelos planos de Deus. As suas mãos estavam marcadas pelo peso da realidade daquela sociedade piemontesa do século XIX, o seu coração ardente pela salvação da juventude, os seus pés no caminho do compromisso pelos mais pobres. Porém tudo isto não foi fruto de improvisação. Dom Bosco cuidou a sua vida espiritual para viver em plenitude as suas motivações últimas, a força que o animava e os seus ideais íntimos.

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Dom Bosco entendeu, além disso, que esta “aventura do Espírito” não era uma experiência para poucos jovens com qualidades excecionais, ou uma cómoda evasão dos compromissos. Cada jovem que entrava no Oratório, qualquer que fosse o seu estado ou condição, era convidado a viver uma cristã plena, chamado a viver alegremente a vida do Espírito.

Uma das suas intuições e realizações mais brilhantes foi ter introduzido, no seu trabalho pastoral quotidiano, a ideia do gosto pela vida espiritual. Na vida daqueles rapazes infundia jatos de luz, de cores, de notas alegres de vida cristã. No Oratório não se aprendeu só um ofício, o sentido do dever mas, ao mesmo tempo, era refinada, belamente “educada” a dimensão espiritual da vida.

6.  DESAFIOS E PROPOSTAS 

Nas páginas precedentes tentei concentrar, quanto possível, a reflexão sobre aquilo que pode servir de fundamento um caminho com Jesus, que seja autêntico caminho no Espírito, algo que nos leve a apaixonar-nos por vivê-lo nós mesmos e acompanhar os nossos jovens numa verdadeira Aventura do Espírito que possa encher de plenitude e de sentido as suas vidas, e as nossas.

No nosso caminhar, como Família Salesiana, com os jovens “dos nossos mundos”, ali onde nos encontramos com eles, temos visto com mágoa, não poucas vezes, rapazes e raparigas em que há tantas sementes de bem – como dizia Dom Bosco – mas que estão feridos, que se sentem perdidos, que têm fome de Alguém que os olhe com ternura que só Deus possui, que os livre dos seus medos, que liberte as suas melhores energias e os dons recebidos, que faça ver a pérola preciosa que a sua terra esconde e que torne rica e valiosa a sua existência.

Chegados a este ponto, o grande desafio é encontrar caminhos, meios e propostas que nos permitam convidar os jovens a percorrer um caminho que seja um verdadeiro sopro de vida, de ar fresco de Deus, de presença do Espírito nas suas vidas.

Proponho-vos algumas pistas que podem ajudar-nos, em jeito de chuva de ideias, como código da estrada para a nossa viagem.

 A. OLHAR DENTRO 

→  Aprendamos a ‘olhar dentro’: exercitemo-nos e eduquemo-nos a descobrir e enriquecer a própria interioridade, desde os primeiros anos, desde a infância e da adolescência. Que os nossos jovens sintam poder contar com alguém que, face a culturas da dispersão, lhes proponha o desafio da interiorização; face à fuga, o enfrentar o sentido da vida.

→ Ajudemos os jovens a adquirir capacidades e competências para entrar no próprio mundo interior: educar para a escuta e para o gosto do silêncio; cultivar a capacidade contemplativa, de estupefação e admiração; saborear a experiência da gratuidade… Estas competências devem ser propostas e exercitadas.

→ Ajudemos os jovens a explorar, no fundo do próprio coração, a presença de Deus, que é Amor, Vida e Novidade perene. Façamos juntos a experiência de descobrir e reconhecer Aquele que é mais íntimo do que a nossa própria intimidade e mais alto do que o mais alto do nosso ser

→ Aprendamos a crescer na vida em Deus através da aceitação humilde dos próprios limites, da própria história pessoal e do próprio pecado.

B.  BUSCAR A DEUS 

→ Aprendamos juntamente com os jovens a ser buscadores de Deus e a ler a própria vida como bênção de Deus, a maravilhar-se com a sua Presença e com as suas marcas em nós, a reconhecê-l’O como Aquele que nos procura, Aquele que está presente, Aquele que vive em nós.

→ Tenhamos a coragem e a capacidade de nos perguntarmos na oração se aquilo que fazemos ou não fazemos é conforme à vontade deste Deus-Amor que habita em nós, e proponhamos este mesmo exercício aos jovens.

→ Promovamos uma pedagogia do desejo de Deus que leve a procurar o sentido religioso da vida e a dessedentar-nos no “poço de água viva que é Jesus”. 

C.  ENCONTRAR-SE COM JESUS  

→  Proponhamos com audácia aos jovens experiências que nos levem ao Encontro Pessoal com Jesus, a um Encontro capaz de nos fascinar e de arriscar a nossa vida, sabendo que “quanto mais se conhece Cristo, quanto mais se segue, tanto mais entra em nós o Espírito e os nossos olhos são capazes de O ver”.

→  Sugerimos aos jovens estratégias para amadurecer uma verdadeira amizade com Jesus, que sem dúvida irá modelando os seus olhares, as suas mentalidades e os seus valores.

D.  SER DOS SEUS 

→  Testemunhemos aos jovens a nossa alegria de seguir Jesus e anunciemos-lhes que é belo ser cristão: “Queria fazer-lhes compreender [aos jovens] que é belo ser cristão! … e é belo e justo também acreditar!” 

→  Deixemo-nos conduzir pelo Espírito, que move os nossos corações e os dos jovens a optar decididamente por ser dos Seus. Alimentemos e cuidemos o nosso vínculo com Ele por meio da oração, da palavra de Deus, da reconciliação e da Eucaristia.

E.  APROPRIAR-SE DOS VALORES FUNDAMENTAIS  

→  Eduquemo-nos desde os primeiros anos a estimar e “saborear em todos os âmbitos da existência a família, a amizade, a solidariedade com quem sofre, a renúncia ao próprio eu para servir o outro, o amor pelo saber, pela arte, pelas belezas da natureza”.  Anunciemos a imensa alegria de acreditar num Deus que assumiu plenamente tudo o que é humano e faz parte da criação, e denunciemos com audácia aquilo que impede que todos possam reconhecer, contemplar e gozar da sua presença no nosso mundo.

→  Acompanhemos os jovens na sua experiência de fé na comunidade cristã e eclesial como esplêndida oportunidade da descoberta e amadurecimento pessoal da própria vida em Cristo.

→  Proponhamos aos jovens o desafio de aceitar a vida como dom, como serviço que nos torna melhores, que liberta do próprio egoísmo e dá sentido à nossa vida. O Espírito de Deus sempre nos impelirá a darmo-nos, porque esta é “a lógica de Deus”.

F.  AMADURECER UM PROJETO DE VIDA 

→ Colaboremos com os jovens, com fé e uma profunda convicção pessoal, a fim de que possam amadurecer o próprio projeto de vida, fazendo um caminho para que vivendo a vida como doação, em todo o tipo de serviço e de profissão, possam ir das primeiras experiências significativas, ainda que ocasionais, ao compromisso total de uma vida que responda ao chamamento de Deus. Quem avança nos caminhos do Espírito não recebeu apenas qualidades como se fossem presentes de aniversário, mas “possui uma espécie de código genético conforme o qual vai crescendo”. 

EPÍLOGO

Ofereci como pistas estes Desafios e Propostas com o secreto desejo de que possam ajudar toda a nossa Família Salesiana, nos mais diversos contextos geográficos e pastorais do mundo. É possível que, se não tudo, alguns destes desafios e propostas possam ser adequados e oportunos em referência aos momentos pastorais que se está a viver e à realidade evangelizadora, catequística e pastoral do lugar.

Permito-me concluir com três simples contributos que poderão iluminar o nosso esforço para caminhar neste ano da Misericórdia que iniciámos, justamente na experiência de um Deus que para ser assim tem necessidade de se encontrar connosco, nós e os jovens, com o coração que O busca.

O primeiro é este: Compartilho plenamente o pensamento e os sentimentos do anterior Reitor-Mor ao sugerir à Família Salesiana que o desejo dos jovens de “ver Jesus” é já para nós motivo fundamental para chegar a ser discípulos de Cristo, dado que se pede: Quem apresentará a Jesus os sonhos e as necessidades dos jovens? Quem dará possibilidade aos jovens de ver Jesus? No nosso acompanhá-los e fazer caminho com eles radica o nosso ser e transforma-nos em verdadeiros companheiros e apóstolos dos jovens. 

O segundo é este: No caminho que estamos a propor “não poderemos fazer nada melhor do que isto: orientar os jovens para a santidade”.  Acompanhá-los no caminho de amadurecimento da Fé até metas altas, e sermos nós os primeiros a acreditar neste caminho, que nós mesmos o tomemos como meta da nossa vida, sendo determinante o nosso testemunho pessoal. Assim fez Dom Bosco, que tudo arriscou para realizar o seu sonho (projeto de Deus sobre ele) em favor dos jovens.

Por último, não esqueçamos que os processos são lentos e devem ser graduais, como mostra a mesma paciência e pedagogia de Deus. A este respeito, assim nos recordava João Paulo II na ‘Juvenum Patris’: “Conforte-vos a inexaurível paciência de Deus na sua pedagogia para com a humanidade, exercício incessante de paternidade revelada na missão de Cristo, mestre e pastor, e na presença do Espírito Santo, enviado a transformar o mundo. A discreta e poderosa eficácia do Espírito destina-se a fazer amadurecer a humanidade sobre o modelo de Cristo. Ele é o animador do nascimento do homem novo e do mundo novo (cfr Rm 8, 4-5). Assim a vossa fadiga educativa aparece como um ministério de colaboração com Deus e será certamente fecunda”.

Maria, Mãe Auxiliadora, Mulher do Sim, que acolheu o Espírito de Deus no seu coração e na sua vida, nos assista nesta bela e apaixonante responsabilidade que, como Família Salesiana, temos na Igreja de hoje pelos jovens, e se torne realidade um dos desejos que o Papa Francisco nos exprimia, quase no fim da sua carta neste histórico ano do Bicentenário do nascimento de Dom Bosco:

“Dom Bosco vos ajude a não desiludir as aspirações profundas dos jovens: a necessidade de vida, abertura, alegria, liberdade, futuro; o desejo de colaborar na construção de um mundo mais justo e fraterno, no desenvolvimento de todos os povos, na salvaguarda da natureza e dos ambientes de vida. A seu exemplo, ajudá-los-eis a experimentar que só na vida de graça, isto é, na amizade com Cristo, se realizam em pleno os ideais mais autênticos. Tereis a alegria de os acompanhar na busca de síntese entre fé, cultura e vida, nos momentos em que se tomam decisões empenhativas, quando se procura interpretar uma realidade complexa”.

Com todo o afeto e a bênção do Senhor, saúdo-vos.

Roma, 31 de dezembro 2015

Pe. Ángel Fernández Artime, SDB
Reitor-Mor 


1) FRANCISCO, Como Dom Bosco, com os jovens, para os jovens. Carta do Papa Francisco ao Reitor Mor dos Salesianos. Ciade do Vaticano, Roma, LEV, 2015, 4
2) ACG 406, Carta do Reitor Mor Pascual CHÁVEZ: Levar o Evangelho aos jovens, Roma 2010, 21
3) FRANCISCO: Entrevista a Antonio Spadaro sj, Cidade do Vaticano, 21 setembro 2013.
4) Cfr Bento XVI.  Primeira entrevista concedida à Rádio Vaticana antes da XX Jornada Mundial da Juventude  em Colónia. Citada por Pascual Chávez, na Conferência à CISM (Conferência Italiana dos Superiores Maiores), in:  Luis Fernando Gutiérrez: Discípulos e apóstolos de Jesus Cristo, CCS 2014, 222.
5) Francesc Xavier MARIN: Interioridade e experiência psicológica. In: Autores Vários: A interioridade, un paradigma emergente, Madrid, PPC 2005, 107
6) Cfr Cristina KAUFMANN: Interioridade e Mística Cristã, In: Autores Vários, o.c. 53-54.
7) Dolores ALEIXANDRE: Interioridade e Bíblia. O Deus que se recebe no escondimento. In:  Autores Vários, o.c. 39
8) Francesc Xavier MARIN : Interioridade e experiência psicológica. In: Autores Vários, o.c. p. 107
9) Cristina KAUFMANN: Interioridade e Mística Cristã, In: Autores Vários, o.c. 56
10) Ibidem 57
11) Catecismo da Igreja Católica, n° 27
12) J.E. VECCHI, Espiritualidade Salesiana, LDC, Turim 2001, 10
13) H.U. VON BALTHASAR, O Evangelho como critério e  norma de toda a espiritualidade na Igreja, “Concilium”9 (1965) 7-8
14) J.E. VECCHI, Espiritualidade Salesiana, o.c. 11
15) Ibidem 15
16) J.J. BARTOLOMÉ, Aprender a ser Filho de Deus obedecendo-lhe. In: J.J. BARTOLOMÉ-Rafael (de): Testemunhas da radicalidade evangélica. Madrid ,CCS 2013, 24
17) Cfr Marco ROSSETTI, A radicalidade de Jesus de Nazaré como entrega da própria vida aos outros. In:  J.J. BARTOLOMÉ-Rafael (de), o.c. 40-44 – Cf. J.J. BARTOLOMÉ, Aprender a ser Filho de Deus obedecendo-lhe, o.c. 24-29 – Cfr J.E.VECCHI, Espiritualidade  Salesiana, o.c. 13-17
18) Documento da Assembleia dos Bispos da América Latina em Puebla, 296
19) Cfr BENTO XVI, Audiência Geral. Cidade do Vaticano, 17 maio 2006 
20) Cfr BENTO XVI, Audiência Geral. Cidade do Vaticano, 25 outubro 2006
21) Cfr S. AGOSTINHO, Confissões, Livro III, n. 11
22) Renata BOZZATO, fma: Educar os jovens a “viver no Espírito”. In: Atas da XX Jornada de Espiritualidade da Família Salesiana: Redescobrir com os jovens a presença do Espírito na Igreja e no mundo. Roma 1998, 110
23) J.E. VECCHI, ”Nella Esperança fomos salvos” (Rm 8,24): redescobrir com os jovens a presença do Espírito na Igreja e no mundo para viver e agir com confiança na perspectiva do reino. In: Atas da XX Jornada… o.c. 151
24) BENTO XVI. Primeira entrevista concedida à Rádio Vaticana na preparação da XX Jornada Mundial da Juventude em Colónia. Citada por D. Pascual CHÁVEZ na Conferência à CISM (Conferência Italiana dos Superiores Maiores). In:  Luis Fernando GUTIERREZ: Discípulos e apóstolos de Jesus Cristo, Madrid, CCS 2014, 222
25) BENTO XVI, Ibidem, 3
26) J.E. VECCHI, “Na Esperança fomos salvos…”o.c. 159
27) Cfr ACG 406 (2010), 16
28) J.E. VECCHI, “Na Esperança fomos salvos…”o.c. 174
29) JOÃO PAULO II, Juvenum Patris, 20 
30) FRANCISCO, Como Dom Bosco, com os jovens e para os jovens, o.c. 9

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