A União Europeia: Nenhum homem é uma ilha

Entregámos duas páginas à colaboração livre de um grupo de jovens. Orientados por um docente, este será um espaço aberto à sua criatividade.

A propósito da comemoração dos quarenta anos da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (1 de janeiro de 1986), temos refletido, nos Salesianos do Porto, sobre o verso “Nenhum homem é uma ilha”, de John Donne. Este verso integra a obra Devotions upon Emergent Occasions, publicada em 1624, e contém uma ideia essencial – o ser humano não existe sozinho, mas sempre em relação com os outros. O verso recorda-nos que a independência absoluta é uma ilusão. Cada pessoa faz parte de uma rede invisível de relações sociais que molda quem somos.

Uma ilha é um território cercado de água, separado do resto do mundo. Ao dizer que nenhum homem é uma ilha, o poeta utiliza uma metáfora poderosa: o ser humano não está isolado, mas ligado ao “continente” da humanidade. A imagem é eficaz, porque torna visível algo abstrato: a interdependência do homem.

Desde o nascimento dependemos de outros para sobreviver. Aprendemos a falar, porque alguém nos fala. Aprendemos a pensar, porque alguém nos ensina. E descobrimos quem somos através do contacto com os outros. Ser humano não é apenas existir individualmente, é construir identidade através de relações. Não somos seres puramente individuais, porque cada pessoa carrega consigo histórias, tradições, valores culturais e até uma identidade nacional. A nossa forma de pensar e sentir foi construída dentro de uma comunidade que existia antes de nós. Por isso, é impossível afirmar que alguém vive totalmente separado do coletivo.

A globalização tornou evidente que os países não vivem isolados, mas dependem uns dos outros em múltiplos aspetos. Um produto pode ser concebido num país, fabricado noutro e consumido noutro ainda, mostrando que nenhuma nação é totalmente autossuficiente.

Uma incorporação clara dessa necessidade coletiva é a União Europeia, projeto de cooperação entre países que tem como valores a paz, a solidariedade, a democracia, o respeito pelos direitos humanos e o desenvolvimento económico e social conjunto. Desde a adesão de Portugal, bem como de vários outros Estados, tem-se verificado um maior progresso, com melhorias nas infraestruturas, mais oportunidades de mobilidade e educação, e um reforço da cooperação entre povos. Deste modo, a União Europeia representa a ideia de que os países, tal como as pessoas, evoluem mais e melhor quando trabalham unidos do que quando estão isolados. Conflitos ou pandemias atravessam fronteiras rapidamente. Assim, tal como acontece com as pessoas, também as nações formam uma comunidade interligada, onde a estabilidade de uns influencia inevitavelmente o bem-estar dos outros.

Em conclusão, o pensamento de John Donne leva-nos a reconhecer a profunda interdependência que define a existência humana. O verso “Nenhum homem é uma ilha” descreve uma verdade permanente: viver é relacionar-se. Num mundo cada vez mais globalizado, marcado por desafios comuns e pela constante interação entre povos e culturas, esta reflexão revela-se particularmente atual. Portanto, perceber que não somos ilhas é também perceber que precisamos uns dos outros.

Texto: Maria Teresa Correia e Alunos finalistas de Ciências Socioeconómicas dos Salesianos do Porto Bryan Mandinga, Catarina Barros, Manuela Fula e Matilde Gavina

Fotografia: João Ramalho

Publicado no Boletim Salesiano n.º 614 de março/abril de 2026

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