No 150.º aniversário da expedição que inaugurou a extensão da presença salesiana para as missões, recordamos as primeiras presenças missionárias dos Salesianos de Portugal e os seus primeiros missionários.
Conta que quando chegou a Maputo não esperava encontrar uma cidade tão bonita. Natural da Benedita, no distrito de Leiria, entrou nos salesianos com 17 anos. Quando chegou a altura de fazer o tirocínio, uma espécie de estágio para os consagrados, o Provincial Pe. Manuel Júlio Pinho pediu-lhe para ir para Moçambique.
“Lembro-me da camisa que tenho vestida. – Recorda ao ver a fotografia. – Era vermelha e de um material leve. O Sr. Manuel Prudêncio foi comigo comprá-la.” Quando chegou não tinha roupa apropriada para o clima. Foram cinco anos em que esteve na assistência e a dar aulas de Ciências Naturais e de Educação Física. À noite, ainda dava aulas aos adultos.

A independência de Moçambique, após o 25 de Abril, trouxe mudanças, com momentos difíceis no período de instabilidade inicial, com a nacionalização das escolas salesianas, e o pedido do governo para os salesianos continuarem a atividade docente. O Pe. Luís, o Pe. Adolfo Vieira Duro, o Sr. António Pedrosa, o Sr. Joaquim Raposo, entre outros, ficaram em Moçambique.
Em 1977 vem para Portugal para fazer a Teologia. A Moçambique regressa em 1996, para a Missão de S. João Batista, em Moatize, como vice-diretor e vice-pároco. Em 1999 vai para a Escola Profissional Salesiana de Moamba, como pároco e vice-diretor. Foi aí que teve a experiência de pároco itinerante, numa missão de 4.698 km2 e mais de 43.000 habitantes, actualmente, a quarta parte deles católicos.
Acredita que tal como com Dom Bosco, Deus também teve intervenção na sua vida por meio de alguns acasos. Um deles foi a inscrição na disciplina de projeto, meio sem querer, que lhe serviu, muitos anos mais tarde, para fazer várias obras em Moçambique. “Fiz tudo, até a memória descritiva. Tinha de descrever tudo, tudo, tudo”. Inclusivamente, chegou a carregar pedras e sacos de cimento. Aprendeu um pouco das línguas nhúngue e changana.
“Agora rezo por aqueles que me substituíram, para que façam melhor do que eu fiz”.

Nome: Pe. Luís Belo, sdb
Idade: 79 anos
Missão: 1973-1977 em Moçambique, tirocínio; 1996-2018 em Moçambique, como pároco, vice-diretor, confessor
Publicado no Boletim Salesiano n.º 614 de março/abril de 2026. Suplemento 150 anos das Missões Salesianas. “1906, Macau, a primeira casa na China”
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