Síria, um país que precisa de muita ajuda: “Esperamos por boas notícias para começar tudo de novo”

Desde a confirmação do primeiro caso confirmado de COVID-19 na Síria, a 22 de março, as principais operações militares do país foram congeladas, os conflitos locais cessaram e os movimentos em larga escala da população, inclusive retornos e transferências, foram interrompidos. Mas o progressivo desgaste económico da Síria não parou.

As restrições de movimento estão a levar as famílias sírias vulneráveis ​​à beira da ruína. A severa contração da economia nacional extinguiu dezenas de milhares de empregos. Até mesmo as remessas provenientes de cidadãos que vivem no estrangeiro, responsáveis por sustentar muitas famílias sírias, escassearam, num momento de forte diminuição do poder de compra diante do aumento dos preços.

Os sírios dizem que o COVID-19 não abalou o país, mas a resposta da Síria à pandemia acelerou uma decadência económica já existente muito antes da chegada do vírus, acentuando problemas, como cortes de salários, desvalorizações cambiais, desemprego e contrabando na fronteira.

Para os trabalhadores sírios, esta depressão económica não poderia ter chegado em pior altura.

Neste trágico cenário, os salesianos continuam a fazer o que sempre fizeram, mesmo durante a guerra: permanecer ao lado da população e sofrer com ela, disponibilizando o que têm.

Johnny Azar, do oratório salesiano de Aleppo, tem 28 anos, ama o teatro e a dança e sempre sonhou em ter um espaço próprio, onde pudesse transmitir a sua paixão e a sua arte aos jovens. Por esse motivo, candidatou-se ao projeto de apoio ao empreendedorismo juvenil dos salesianos da Síria. Venceu e encontrou um lugar perfeito para cultivar seu sonho, chegando a desenvolver o plano de marketing do empreendimento… Mas o Covid-19 chegou.

“O financiamento do projeto pelos salesianos significou a luz no fundo do túnel para mim e eu segui-o com paixão… Infelizmente tivemos que interromper tudo por não sei quantos meses”, conta ele.

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Com a ajuda de alguns amigos, uma vez que a condição atual não lhe permite contratar mão de obra qualificada, começou a realizar pequenos trabalhos de manutenção no local, como pintura. Mas, considerando que o seu sonho é realizar espetáculos e que estes exigem a presença de muitas pessoas para ensaios e apresentações, Johnny sabe que o recomeço não está tão próximo assim.

“Paramos tudo, agora não podemos fazer muito… Esperamos por boas notícias para começar tudo de novo”, conclui.

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