Serviços Sociais Salesianos fazem balanço da intervenção durante a pandemia

Recuamos a 16 de março de 2020 quando a pandemia anunciada modificou a vida dos portugueses. A surpresa, o medo, a incerteza iniciais deram lugar a mais meses de surpresa, medo e incerteza. Os Serviços Sociais de Évora, Lisboa e Manique, onde novos pedidos de ajuda surgiram de imediato, fazem balanço da intervenção durante a pandemia.

Nos Serviços de Atenção à Família, os pedidos foram essencialmente de ajudas alimentares e apoio na educação, com muitas famílias a encontrarem-se na situação de não ter os meios tecnológicos em casa para o acompanhamento do ensino à distância. Muitos agregados familiares viram os seus rendimentos reduzidos pelo lay-off, pelo desemprego, pela ausência de trabalho no caso de trabalhadores informais e, em alguns casos, pelo encerramento dos seus negócios. Os Serviços de Atenção à Família (SAF) da Fundação Salesianos prestam apoio continuado e preventivo de crianças e jovens vulneráveis e respetivas famílias.

No fim do segundo confinamento, para muitas famílias é difícil manterem-se motivadas e confiantes no futuro. “Todas as semanas há uma ou duas famílias que nos procura, que é encaminhada por algum serviço parceiro ou de linha de intervenção superior”, conta Dina Machado, do SolSal de Évora. No balanço da intervenção durante a pandemia, muitos dos novos pedidos recebidos são de pessoas que nunca tinham recorrido a qualquer apoio social.

“Com a chegada do segundo confinamento, chegou também a dificuldade de ter Esperança”. “No primeiro confinamento as famílias que acompanhámos sentiam que após aquele período as suas vidas voltariam ao normal. Daria para, apesar das dificuldades sentidas, controlar as suas vidas posteriormente. Houve famílias a perder o emprego, as dificuldades acumularam-se e, quando pensavam reerguer-se, voltámos ao mesmo ciclo com outro confinamento”.

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O Serviço Social SAF Manique faz o balanço, houve um aumento de pedidos de apoio face ao confinamento passado. E, enquanto no primeiro confinamento vários pedidos de apoio foram pontuais, “em períodos curtos de maior dificuldade para as famílias”, neste momento, “os pedidos centram-se em ajudas a médio e longo prazo”. “As famílias onde o rendimento surge pelo trabalho informal, muitas vezes em limpezas em casas particulares, houve perda de rendimentos, houve dispensa de trabalho por perda de rendimento dos empregadores ou receio de colocar em casa pessoas externas ao agregado. Surgiu também a incerteza de continuidade do trabalho que prestam”, conta a equipa de Manique. “No primeiro confinamento, as famílias achavam que após o seu término a situação iria melhorar, mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Muitas não conseguiram retomar por completo ou em parte a sua atividade profissional e por isso não sabem bem o que esperar em relação ao fim do segundo confinamento”, continua.

Repercussões socioeconómicas permanecerão para além da pandemia

“Este confinamento trouxe consigo repercussões socioeconómicas que permanecerão muito para além da pandemia”, afirma a responsável pelo Serviço SolSal dos Salesianos de Lisboa, Alexandra Constantino. No serviço de Lisboa o aumento de pedidos tem-se acentuado com o segundo confinamento. “Em média, chegam-nos, por semana, uma dúzia de pedidos para gerir. Destes, alguns são avaliados e integrados no nosso serviço e, outros, que não se adequam ao nosso serviço por não terem crianças e jovens a cargo, são encaminhados por nós para outras entidades”.

Para além das dificuldades económicas, a pandemia teve também impacto na saúde mental e nas dinâmicas familiares. “Estas situações são-nos também reportadas pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e pelas escolas”.

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O ensino à distância trouxe muitos desafios que exigem planos de recuperação de aprendizagens. Pais e encarregados de educação temem pelas consequências no futuro, porque consideram que esta não é a forma ideal de aprender. “No caso das crianças com dificuldades, os efeitos na aprendizagem e na concentração são ainda maiores”, corroboram os responsáveis do serviço de Manique.

As famílias apoiadas pelo serviço de Évora ao cansaço somam a preocupação com a vida escolar dos filhos. “A falta de conhecimentos. A falta de repostas”, explica Dina.

“Estar online não basta para que as aprendizagens se realizem”, concorda a equipa de Lisboa.

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