40.ª Peregrinação Nacional ao Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora reúne centenas de peregrinos

Várias centenas de peregrinos, provenientes de diferentes comunidades dos Salesianos de Dom Bosco e das Filhas de Maria Auxiliadora de Portugal continental e da Madeira, participaram, no dia 24 de outubro, na 40.ª Peregrinação Nacional ao Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, em Mogofores. Presidido pelo Provincial dos Salesianos, Pe. Tarcízio Morais. O encontro decorreu sob o lema “Coragem! Vai e faz o bem, com Maria”, convidando os participantes a redescobrir a fé como caminho de confiança, compromisso e serviço aos outros.

O Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, em Mogofores, no concelho de Anadia, voltou a ser ponto de encontro para a Família Salesiana, acolhendo várias centenas de peregrinos que chegaram de diferentes pontos de Portugal continental e da Madeira. Salesianos de Dom Bosco, Filhas de Maria Auxiliadora, membros dos diversos grupos da Família Salesiana, jovens e famílias reuniram-se para a 40.ª edição da Peregrinação Nacional, num dia de família marcado pela oração, pela partilha e pela devoção a Nossa Senhora Auxiliadora.

Mais do que uma deslocação a um lugar de especial significado para a espiritualidade salesiana, esta peregrinação constituiu uma oportunidade de encontro entre pessoas e comunidades unidas pelo mesmo carisma. Para muitos participantes, foi também uma ocasião para reencontrar amigos, fortalecer os laços que unem as diferentes presenças salesianas e renovar o compromisso de levar a missão de Dom Bosco aos ambientes onde vivem e trabalham.

A edição deste ano assumiu um significado particular ao assinalar quatro décadas de peregrinações nacionais a Mogofores, uma tradição que continua a reunir diferentes gerações da Família Salesiana em torno de Maria Auxiliadora.

O tema escolhido, “Coragem! Vai e faz o bem, com Maria”, deu continuidade ao lema pastoral pensado para este ano, acrescentando-lhe uma dimensão mariana. A proposta convidou os peregrinos a olhar para Maria como exemplo de confiança em Deus, disponibilidade para servir e coragem para dar o primeiro passo em direção a quem mais precisa.

Saudar Nossa Senhora Auxiliadora

O dia teve início com a Saudação a Nossa Senhora, no Santuário. Presidido pelo Pe. Tarcízio Morais, Provincial dos Salesianos, este foi um bonito momento de oração e de encontro com Maria Auxiliadora, durante o qual os peregrinos foram convidados a confiar-lhe as suas alegrias, preocupações e esperanças, deixando-se conduzir, por Ela, até Jesus.

A partir do episódio das Bodas de Caná, o Provincial recordou a importância de abrir o coração à ação de Deus, para que, tal como a água transformada em vinho, também a experiência da peregrinação se traduzisse numa fé renovada e numa maior disponibilidade para levar esperança e fazer o bem no regresso às comunidades.

A mensagem do Provincial estabeleceu, desta forma, uma ligação direta com a reflexão apresentada pelo Pe. Aníbal Mendonça: a confiança em Jesus deve transformar-se numa maneira diferente de olhar para os outros e de viver os acontecimentos do dia a dia.

“O bem começa quando o outro deixa de ser invisível”

A apresentação do tema da peregrinação esteve a cargo do Pe. Aníbal Mendonça, pároco de Alcabideche (Salesianos de Manique) que convidou os peregrinos a refletirem sobre o verdadeiro significado da coragem cristã e a importância de transformar a fé em gestos concretos de atenção e serviço aos outros.

“Uma peregrinação não se mede apenas pelos quilómetros percorridos. Mede-se pelo caminho que se abre dentro de nós”, começou por afirmar, sublinhando que o encontro com Maria Auxiliadora deve ser também uma oportunidade para renovar a esperança e regressar à vida quotidiana com um olhar diferente.

A partir de três passagens bíblicas, o sacerdote propôs um percurso de reflexão centrado na confiança em Jesus, na disponibilidade de Maria e na atitude de proximidade do Bom Samaritano. Recordando as palavras de Jesus, “Tende coragem: Eu venci o mundo” (Jo 16,33), explicou que a fé não elimina as dificuldades, mas permite enfrentá-las com confiança. “A coragem cristã não é nunca sentir medo. É não deixar que o medo decida tudo por nós”, salientou.

O exemplo de Maria, que se levantou e partiu ao encontro da sua prima Isabel, serviu para mostrar que a confiança em Deus não deve deixar os cristãos indiferentes ou imóveis. Pelo contrário, deve traduzir-se na disponibilidade para sair ao encontro dos outros. “Jesus convida-nos a confiar; Maria mostra-nos como a confiança pode tornar-se movimento”, afirmou o Pe. Aníbal Mendonça, lembrando que, muitas vezes, fazer o bem começa com pequenos gestos, como uma visita, uma conversa ou um pedido de perdão.

A parábola do Bom Samaritano aprofundou este desafio, convidando os participantes a reconhecer as necessidades das pessoas que encontram no dia a dia. O sacerdote destacou quatro atitudes fundamentais – ver, compadecer-se, aproximar-se e cuidar -, recordando que a verdadeira proximidade exige disponibilidade para não passar indiferente diante do sofrimento.

Ao longo da intervenção, o Pe. Aníbal Mendonça evocou também o testemunho do Beato Elias Comini, salesiano italiano recentemente beatificado, que, durante a Segunda Guerra Mundial, permaneceu junto dos feridos e prisioneiros, mesmo perante o perigo de perder a própria vida. O seu exemplo foi apresentado como expressão de uma coragem construída através da oração, da fidelidade à vocação e da dedicação quotidiana aos outros.

Mais do que incentivar gestos extraordinários, o sacerdote desafiou os peregrinos a reconhecerem as oportunidades de fazer o bem que surgem nas situações mais simples da vida. “Nem sempre podemos resolver os problemas dos outros. Mas podemos evitar que alguém tenha de atravessar tudo isso sozinho”, recordou.

A reflexão foi acompanhada por momentos musicais, de oração e de interioridade, durante os quais os participantes foram convidados a confiar a Jesus as suas preocupações, a identificar alguém que precisasse da sua atenção e a assumir um gesto concreto de bem para os dias seguintes.

Na conclusão, o Pe. Aníbal Mendonça reforçou a ideia de que a experiência vivida em Mogofores deve prolongar-se nas famílias, nas comunidades e nos diferentes ambientes onde cada peregrino está presente. “Porque o bem não termina quando acaba uma peregrinação. Começa, de novo, quando regressamos à vida de todos os dias”, sublinhou.

Eucaristia: Maria convida a confiar e a deixar que Jesus transforme a vida

A celebração da Eucaristia, presidida pelo Pe. Tarcízio Morais, Provincial dos Salesianos, constituiu um dos momentos centrais da 40.ª Peregrinação Nacional da Família Salesiana ao Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora.

Na homilia, o Provincial convidou os peregrinos a olhar para as suas fragilidades com esperança e a reconhecer em Maria uma presença próxima, que acompanha, orienta e conduz ao encontro com Jesus.

A homilia começou com a história de uma menina que, todos os dias, transportava água num cântaro de barro rachado. Apesar de perder parte da água pelo caminho, acabaria por descobrir que, graças às gotas que caíam, tinham nascido flores ao longo do percurso. Através desta imagem, o Provincial recordou que as fragilidades e limitações de cada pessoa não impedem que a sua vida seja fonte de bem para os outros.

“Uma peregrinação faz-se com os pés, andando, mas o caminho verdadeiro é interior: sair de nós mesmos para ir ao encontro de Alguém que nos espera desde sempre”, afirmou, convidando os presentes a viver o encontro como uma oportunidade de renovação pessoal e espiritual.

Partindo da primeira leitura, retirada do Livro do Apocalipse, o Pe. Tarcízio Morais evocou a imagem da Mulher vestida de sol, identificando-a com Maria Auxiliadora, presença fundamental na vida e na espiritualidade de Dom Bosco. “Para nós, salesianos, esta Mulher não é figura distante de um retábulo. Esta Mulher tem um nome e um rosto de Mãe: é a Auxiliadora”, sublinhou.

O Provincial recordou que a esperança cristã não ignora as dificuldades, o sofrimento ou as situações que ameaçam o futuro dos jovens e das famílias. Pelo contrário, nasce da confiança na presença de Deus, mesmo nos momentos mais exigentes da vida.

O Evangelho das Bodas de Caná permitiu aprofundar o papel de Maria como aquela que está atenta às necessidades dos outros e conduz ao encontro com Jesus.

Para o Pe. Tarcízio Morais, a atitude de Maria constitui um exemplo de atenção, confiança e disponibilidade para servir, particularmente importante para a missão da Família Salesiana.

A partir da transformação da água em vinho, o Provincial destacou o valor dos pequenos gestos quotidianos, recordando que cada pessoa pode contribuir para transformar a realidade através da escuta, da proximidade e do cuidado.

“Uma escuta, uma palavra, um olhar de misericórdia a alguém que ninguém olha: nada disto parece vinho, e tudo isto, nas mãos de Cristo, fica a saber a festa”, afirmou, estabelecendo uma ligação entre o episódio evangélico e o compromisso de fazer o bem, especialmente junto dos jovens.

Retomando o lema da peregrinação, “Coragem! Vai e faz o bem, com Maria”, o sacerdote destacou a necessidade de uma fé que não se limite à oração, mas que se traduza numa atitude ativa perante as necessidades dos outros. “A fé não é porto para ficar parado, é vento nas velas”, afirmou, evocando o exemplo de Dom Bosco, que saiu ao encontro dos jovens mais abandonados, procurando responder às suas dificuldades e necessidades.

Na parte final da homilia, o Provincial regressou à imagem do cântaro rachado, lembrando que também as fragilidades humanas podem tornar-se oportunidades para levar esperança e fazer o bem. “As nossas feridas, as nossas faltas, as nossas insuficiências, quando as entregamos, tornam-se lugar de graça”, afirmou.

O Pe. Tarcízio Morais terminou com uma mensagem de confiança dirigida a toda a Família Salesiana, incentivando os peregrinos a regressarem às suas comunidades com coragem renovada e disponibilidade para colocar a fé ao serviço dos outros.

“Não tenhais medo, o vinho ainda não acabou, e o melhor está para vir”, concluiu, reforçando o convite a continuar a missão de Dom Bosco, com Maria Auxiliadora como companheira de caminho.

Jovens dos Salesianos de Setúbal deram vida ao terço itinerante

Durante a tarde, a recitação do terço itinerante constituiu um dos momentos de grande participação dos peregrinos.

A oração mariana foi acompanhada por quadros vivos preparados e apresentados pelos jovens dos Salesianos de Setúbal, que deram uma expressão visual aos momentos de meditação, ajudando os presentes a acompanhar a oração de uma forma mais próxima e envolvente.

Através da representação, os jovens assumiram um papel ativo na dinamização da do momento, colocando os seus talentos ao serviço da comunidade e contribuindo para que a mensagem chegasse aos participantes através de diferentes formas de expressão.

O terço itinerante prolongou a mensagem que acompanhou toda a peregrinação: a coragem cristã não se limita às grandes decisões ou aos momentos extraordinários, mas manifesta-se, sobretudo, na confiança, na proximidade e na disponibilidade para fazer o bem todos os dias.

Artigos Relacionados