“Queremos recordar o amor grande de Alexandrina pela igreja”

A cruz, o sacrário, os vitrais e a luz natural. No novo Santuário Eucarístico de Balasar, cada elemento conta um pouco da história e da espiritualidade da Beata Alexandrina Maria da Costa. Mas como se transforma uma vida marcada pela fé e pela entrega num projeto de arquitetura e arte? A arquiteta Elena Di Taranto e a mestre Dina Figueiredo, responsáveis pelo projeto arquitetónico e artístico do Santuário revelam o significado dos principais símbolos, os desafios de criar um espaço que convida à oração e ao recolhimento e a emoção de acompanhar a trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina.

Qual foi a ideia central que orientou o projeto do novo santuário eucarístico de Balasar?

A ideia central é a cruz e o sacrário, o centro do santuário eucarístico, porque são dois elementos muito importantes na espiritualidade da Beata Alexandrina. Tudo o que veem no santuário foi inspirado pela vida e, também, pela forma como a sua vida decidiu tocar-nos.  

De que forma a vida e a espiritualidade da beata Alexandrina inspiraram a arquitetura do santuário?

A espiritualidade da Beata Alexandrina é muito forte, é uma espiritualidade muito clara, muito profunda. E os elementos que nós recebemos desde o início de D. Jorge, do Pe. Manuel Neiva, e o percurso que fizemos durante muitos anos, foram fundamentais para entrar na sua espiritualidade e poder exprimir através da arquitetura e da arte, estes pontos fundamentais da sua vida que agora são abertos para todo o mundo.

Quais os elementos que destacam e qual o significado dos símbolos religiosos presentes no edifício?

São muitos. A Eucaristia é o centro do Santuário que está mesmo implantada sobre a cruz que se cruza e que depois sobe ao teto e que se vê de longe. Destacamos depois também todas as obras desde o altar, os vitrais, todos os elementos que foram feitos e exprimem a realidade do seu amor pela “mãezinha” Por isso, existe um vitral que se liga ao aspeto mariano e outro sobre a sua vida.

Como foram conciliadas as dimensões do edifício, a luz natural e os materiais, com a criação de um ambiente de oração, silêncio e recolhimento?

Foi muito difícil sair da dimensão pedida para este projeto e manter, ao mesmo tempo, a simplicidade, a harmonia e a unidade entre todos os espaços. Foi um percurso difícil conseguir obter este aspeto de centralidade e também de unidade de todos os espaços, pelas suas grandes dimensões.

Como foi pensada a ligação entre o novo santuário e a identidade religiosa de Balasar? Que legados esperam deixar a esta comunidade?

Queremos recordar o amor grande de Alexandrina pela igreja, que exprimiu na centralidade da Eucaristia. Penso que é um lugar que vai convidar muitas pessoas a encontrarem-se, não só com a Alexandrina, mas com a espiritualidade.

O que se sente ao ser desfiado para desenvolver um projeto desta dimensão e, depois, viver estes dias em Balasar?

É uma grande alegria. Os momentos que presenciámos, ontem, com a trasladação dos restos mortais de Alexandrina para o Santuário demonstram uma fé que não se exprime. Nós exprimimos através das obras, mas aqui as pessoas exprimem através de uma vida, uma vida que vai atrair seguramente muitas pessoas.

Se tivessem de escolher um local do santuário, que local escolheriam?

O sacrário. Construí-lo foi um percurso inspirado nas palavras de Alexandrina, que sentia este amor pelos sacrários.

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