A vida da Beata Alexandrina Maria da Costa continua a ser um testemunho de fé, perseverança e esperança, especialmente para os jovens. Por ocasião da trasladação dos seus restos mortais e da dedicação do novo Santuário Eucarístico de Balasar, o postulador da sua causa de canonização, Pe. Pierluigi Cameroni, destaca a atualidade da sua mensagem, explica o que falta para que seja proclamada santa e sublinha a importância de dar a conhecer a sua vida às novas gerações.
Quem foi a Beata Alexandrina e porque é que a sua mensagem continua tão atual?
Antes de mais, é belo louvarmos o Senhor por este grande acontecimento que estamos a celebrar: a trasladação do seu corpo, das suas relíquias, da igreja paroquial para o novo Santuário Eucarístico, com uma grande participação do povo.
Creio que o seu testemunho nos pede, desde logo, três coisas.
Em primeiro lugar, aprofundar o conhecimento da sua figura, da sua história e da sua mensagem. Isto requer estudo e um conhecimento profundo. É importante que haja muitas publicações, mas é preciso ir mais fundo. Não se trata apenas de um conhecimento intelectual, mas de um conhecimento de comunhão e de relação.
Impressionou-me muito, esta manhã, ver tantas pessoas simples que sentem esta presença e reconhecem a sua importância.
Em segundo lugar, recorrer à sua intercessão. Alexandrina foi uma grande mulher de oração: pela paz, pela conversão dos pecadores, pela santificação dos sacerdotes e pelos doentes.
Em terceiro lugar, deixar-nos inspirar pela sua vida. Não se trata de reproduzir exatamente a forma como ela viveu, mas de aprender, por exemplo, a viver da fé nos momentos de provação, de doença e de dificuldade, que encontramos sempre na vida. Com ela, aprendemos a perseverar na fé.
O que significa ser o postulador da causa de canonização de Alexandrina? Qual é a sua missão?
O postulador é, em geral, aquele que acompanha uma causa de beatificação e de canonização.
No caso específico de Alexandrina, devo referir algo importante: quando era noviço, conheci muito bem o Pe. Humberto Maria Pasquale, salesiano e seu segundo diretor espiritual. Era um homem de grande profundidade espiritual.
Foi mestre de noviços em Mogofores e tinha uma grande experiência na formação, também de professores nas escolas.
O que nos diz isto? Que ainda hoje precisamos de pessoas que acompanhem os outros no seu caminho, sobretudo, os jovens, na sua procura e no discernimento da sua vida. É fundamental oferecer acompanhamento espiritual.
Quanto à causa de Alexandrina, ela já é beata; falta o milagre para a canonização. É importante ensinar as pessoas a comunicar as graças recebidas e, nos casos significativos, recolher a documentação necessária.
Em que ponto se encontra atualmente a causa de canonização da Beata Alexandrina? O que falta?
Neste momento, falta o milagre para a canonização, porque ela já é Beata.
O milagre é importante porque é um selo de Deus sobre uma vida santa. Tenho a impressão de que o milagre está perto de nós, mas não o conhecemos, porque perdemos o hábito de acompanhar estes casos.
Muitas pessoas recebem grandes graças, mas não as dão a conhecer, não falam sobre elas. Faltam também pessoas atentas, capazes de dizer: “Está a contar-me este acontecimento; vamos aprofundá-lo. Quem rezou? Que graça foi obtida?”
Sobretudo, segundo refiro, em cerca de 90% dos casos trata-se de milagres de cura. Temos de ouvir os médicos e recolher a documentação. Isto é fundamental.
Creio que perdemos muitas oportunidades, porque existe uma grande devoção popular a Alexandrina. Quando viajo pelo mundo, muitas pessoas me falam dela.
Ela é conhecida, mas devemos continuar a divulgar a sua vida. Creio que, através dos meios de comunicação, é importante dar a conhecer esta figura de santidade. Os santos são modelos, testemunhas e intercessores.
Que mensagem pensa que a Beata Alexandrina poderia deixar hoje aos jovens que vivem tantas incertezas e tantos desafios?
A vida de Alexandrina tem características muito particulares e devemos conhecê-la. Mas os santos são sempre atuais.
Creio que ela deixa aos jovens de hoje, sobretudo, uma grande mensagem de esperança, porque passou por grandes provações.
Não conheceu o pai, teve poucas oportunidades de frequentar a escola e de receber formação. Aos catorze anos, sofreu o acontecimento que a viria a conduzir à sua paralisia.
Humanamente, teve uma vida com poucas perspetivas de futuro.
Apesar disso, o seu percurso, foi marcado por esforços e dificuldades. Ela deixa-nos uma grande mensagem aos jovens: não desanimar perante o cansaço e as dificuldades, mas enfrentá-los com fé.
A provação não é um muro; pode tornar-se um trampolim para o futuro.
Se pudesse resumir a vida de Alexandrina numa única mensagem para o mundo, qual seria?
Há um livro de um conhecido exorcista italiano, o Pe Amorth, cujo título é apresentado como “Dê um sorris”». Esta é uma grande mensagem: a alegria do Evangelho.
Não é uma alegria superficial, mas a alegria que nasce do encontro com Jesus.
A mensagem de Alexandrina é esta: quem encontra Cristo permanece na alegria e torna-se testemunha dessa alegria.
De que forma pode a Família Salesiana promover a causa de canonização e divulgar Alexandrina?
É importante saber que, neste momento, a Família Salesiana tem 32 grupos e que cerca de quinze têm uma causa de beatificação. Isto é interessante: a santidade é um elemento que une a Família Salesiana.
Devemos dar a conhecer esta figura através das redes sociais, do Boletim Salesiano e dos muitos instrumentos de que hoje dispomos.
Há poucos dias, em Bolonha, tivemos a beatificação do Pe. Elias Comini, um sacerdote que foi morto durante a Segunda Guerra Mundial e que deixou um diário que é uma obra-prima. É algo único na nossa espiritualidade.
Por exemplo, na formação dos jovens, manter um diário ajuda a desenvolver a interioridade, a colocar as questões importantes da vida e a encontrar boas referências a partir das quais organizar a própria existência.



