A poucas horas da trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina Maria da Costa e da dedicação do novo Santuário Eucarístico, Balasar prepara-se para receber milhares de peregrinos. Entre os últimos preparativos, o trabalho dos voluntários e a expectativa dos habitantes, a terra onde Alexandrina viveu aproxima-se de um dos momentos mais significativos da sua história recente.
Em Balasar, no concelho da Póvoa de Varzim, a contagem decrescente aproxima-se do fim. Amanhã, dia 10 de outubro, os restos mortais da Beata Alexandrina Maria da Costa serão trasladados da igreja paroquial para o novo Santuário Eucarístico. No domingo, 11 de outubro, terá lugar a solene dedicação da igreja e do altar, assinalando a abertura de uma nova etapa para este lugar de peregrinação.
Estes são dois acontecimentos aguardados há muito pela comunidade local e pelos devotos da Beata Alexandrina. Mas, antes das celebrações, há uma terra inteira a preparar-se para receber quem chega.
À volta do Santuário dedicado à Beata Alexandrina vive-se um ambiente de grande expectativa e de intensa preparação para acolher os peregrinos que começam a chegar. Há ainda muito trabalho a realizar para que tudo esteja preparado e cada pormenor contribui para uma experiência de acolhimento e de encontro com a espiritualidade da Beata Alexandrina.
Pequenos gestos que preparam um grande acontecimento
Por detrás de uma celebração desta dimensão existem muitas pessoas que, longe dos lugares de maior visibilidade, ajudam a tornar tudo possível. Assim, a organização anunciou a preparação de uma equipa de cerca de 40 jovens e adultos voluntários, destinada ao acolhimento e orientação dos peregrinos durante os quatro dias de celebrações.
Receber quem chega, prestar informações, orientar percursos e ajudar a encontrar os diferentes espaços são algumas das tarefas previstas. Um trabalho que exige organização, disponibilidade e atenção às necessidades de cada pessoa. T
al como refere André Alves, um dos muitos voluntários que oferecem o seu trabalho e disponibilidade, estes têm sido dias “muito aterafados”, mas todos têm consciência da” importância destes dias”.
Entre os últimos preparativos, cada pormenor tem importância. Desde a limpeza e decoração dos espaços à colocação de flores e à preparação dos lugares onde vão decorrer as celebrações, há tarefas que ajudam a transformar a expectativa numa realidade concreta.
Uma terra que faz parte da história
Para os habitantes de Balasar, a Beata Alexandrina não é apenas uma figura de devoção. A sua história está profundamente ligada à identidade da terra, aos lugares que percorreu e à memória transmitida entre gerações.
A casa onde viveu, a igreja paroquial onde repousam os seus restos mortais e, agora, o novo Santuário Eucarístico fazem parte de uma história que se prolonga muito para além das fronteiras da freguesia.
Para Maria Martins e Maria Isabel Santos, também voluntárias e habitantes de Balasar, e que já preparam estes dias há mais de um ano, participar na preparação destes dias é uma “experiência fantástica”. Destacando o imenso orgulho que têm em ser de Balasar, esperam que a sua terra possa ser “valorizada” e que “fique na história”.
À medida que se aproximam as celebrações, a preparação envolve também a organização dos acessos, da circulação e do estacionamento. A Junta de Freguesia de Balasar e a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim têm trabalhado em articulação para responder à afluência esperada. O desafio é receber um elevado número de pessoas sem perder aquilo que sempre caracterizou a peregrinação a Balasar: a proximidade, a simplicidade e a atenção a quem chega.
Apesar dos desafios e do esforço que estes dias exigem, é visível a alegria e o empenho de todos os que trabalham para que os peregrinos se sintam verdadeiramente acolhidos. Nos rostos e nos gestos de quem prepara este momento transparece a vontade de fazer de cada visita uma oportunidade de encontro com a vida, o testemunho e a mensagem da Beata Alexandrina.
Os primeiros peregrinos e a expectativa do encontro
A devoção à Beata Alexandrina leva, anualmente, a Balasar milhares de pessoas. Segundo os dados disponibilizados pela organização, cerca de 250 mil pessoas participam, habitualmente, nas celebrações ao longo de cada ano e aproximadamente 150 mil peregrinos visitam o seu túmulo.
Até ao final de setembro de 2026, estavam agendados para visita 282 grupos portugueses e 21 grupos estrangeiros, além dos peregrinos que chegam sem marcação prévia.
Estes números revelam uma devoção que ultrapassou fronteiras e que continua a reunir pessoas de diferentes idades e nacionalidades.
Mário Belo, um dos muitos peregrinos que vão começando a chegar, vem impelido pela fé e “pelo amor à Beata Alexandrina”. Nesta sua terceira deslocação a Balasar, Mário reconhece Alexandrina da Costa como uma mulher de “muita fé” e de “muito amor aos sacrários”, que viveu a sua via-sacra por “amor a Jesus”.
Nos muitos rostos que vão chegando, há quem venha para agradecer, quem procure conforto num momento difícil e quem deseje conhecer mais de perto a vida de uma mulher cuja fé continua a inspirar tantas pessoas.
Balasar prepara-se para receber multidões. Mas, entre os últimos preparativos, permanece uma história que começou na simplicidade de um pequeno quarto e que continua a reunir pessoas à volta da vida e do testemunho da Beata Alexandrina. Porque, antes das grandes celebrações, são os pequenos gestos de tantas pessoas que começam a dar forma ao acolhimento.






