A Sede Provincial em Lisboa acolheu, no dia 9 de fevereiro, uma reunião conjunta de Coordenadores de Pastoral Juvenil dos Salesianos de Dom Bosco e das Filhas de Maria Auxiliadora. O encontro incluiu um tema de formação sobre “O Acompanhante de Emaús”, orientado pelo Padre Francisco Cervantes, Provincial dos Salesianos México – Guadalajara.
Tivemos a graça de aprofundar o tema formativo com uma lectio divina a partir de Lc 24, 13–35, guiados pelo Padre Francisco Cervantes, Salesiano do México, que trabalhou vários anos na sede do setor da Pastoral Juvenil mundial como responsável pela área do Oratório-Centro juvenil e da Formação conjunta SDB-Leigos. A formação foi dada através de videoconferência, no dia em que, curiosamente, o Pe. Francisco tomou posse como Provincial. Lemos este Evangelho com o foco em Jesus como modelo de acompanhamento, “o Acompanhante de Emaús”.
A proposta foi clara e exigente: não ler apenas “os discípulos de Emaús”, mas ler o Evangelho, percebendo os tempos, as suas distâncias, as ações de Jesus e, sobretudo, a sua intenção. Jesus não aparece como alguém que dá uma lição à distância, Ele aproxima-se, caminha com, faz perguntas, escuta, dialoga e respeita o processo. Acompanha sem controlar. Não impõe ritmo, não obriga a fazer atalhos.
O Pe. Francisco destacou um detalhe simbólico: “Hoje, não se sabe onde ficava Emaús”. Talvez porque o essencial não seja o lugar, mas o caminho concreto de cada um, aqui e agora, com as suas feridas, dúvidas, sonhos e buscas.
Acompanhar, então, não é levar os jovens para onde gostaríamos que fossem. É não ser obstáculo ao encontro verdadeiro com Deus. É não confundir a missão de ajudar a reconhecer o Senhor. No fundo, o que mudou o destino dos discípulos foi o encontro com Jesus. E isso coloca-nos perguntas inevitáveis. Onde está a minha intenção? Onde está a minha ação? Quantas vezes Jesus veio ao meu encontro? Eu vou ao encontro de Jesus? Faço como Ele e vou ao encontro de quem precisa?
Um processo completo
O Evangelho mostra um processo completo: observar/escutar, acolher/respeitar, acompanhar/transformar e enviar. Jesus é paciente por amor e com amor, explica “outra vez e outra vez”. Não se cansa, não desiste. E, no fim, faz algo decisivo: distancia-se. Dá liberdade. Não prende os discípulos a si, envia-os. O fruto do acompanhamento é coração a arder, reconhecimento no partir do pão e retorno ao dia a dia para anunciar. Inspira-nos a refrescar-nos na fonte que é Jesus, hoje através do Evangelho e da Eucaristia, “outra vez e outra vez”, e a levar essa frescura ao mundo.
Penso que o que Jesus nos pede agora é recomeçar pelo essencial e oferecer água fresca. Os jovens não merecem menos do que uma pastoral onde se encontra o Ressuscitado de verdade. Porque sem o coração a arder podemos fazer coisas boas, mas não suficientes. O mundo e nós merecemos mais, merecemos viver com o Ressuscitado e como ressuscitados.











