Com Francisco

Com Francisco

Há dez anos conhecíamos a Evangelii Gaudium que “enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (EG 1).

Com este texto deu-se a abertura aos grandes temas que percorrem o pontificado de Francisco, como uma “carta de navegação”, contendo, em síntese programática, os desafios eclesiais para “uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo” (EG 17). Com esta Exortação Apostólica aprendemos a “Igreja em saída” para todas as periferias, a necessidade da renovação eclesial inadiável, o “cheiro a ovelha”, reforçando-se a “dimensão social da evangelização”, as categorias do “cuidado” e da “fragilidade”, a “misericórdia” da sempre Mãe Igreja, o “tempo superior ao espaço”, a “unidade que prevalece sobre o conflito”, a “realidade mais importante que a ideia”, o “todo superior à parte”. E a necessidade de fortalecer a “pastoral em conversão”, o “desafio de uma espiritualidade missionária” com “a inclusão social dos pobres”, sendo certo e necessário um “encontro pessoal com o amor de Jesus que nos salva”. Sempre com a alegria da boa notícia do Evangelho que transforma e renova. Em pouco mais de cinco anos, viajando pela Laudato Si’ (2015) na casa comum e ecologia integral, Amoris laetitia (2016) sobre o amor em família, passando pelo chamamento à santidade em Gaudete et exsultate (2018), é oferecida à Igreja e ao mundo, e, sobretudo aos jovens e aos que os amam, a certeza de que Christus vivit (2019): “é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida” (ChV 1). A fraternidade universal e a amizade social são temas da Fratelli tutti (2020) porque “todo o ser humano tem direito de viver com dignidade e desenvolver-se integralmente” (FT 107). E há ainda Laudate Deum (2023), C’est la confiance (2023) e tantas outras palavras: uma Igreja “hospital de campanha”, uma Igreja aberta a “todos”, o caminho “sinodal”, ajudando-nos a todos a recentrar tudo no essencial, numa Igreja pobre e para os pobres. Para nós cristãos, é muita “matéria” para aprender de cor. Em muitos temas, passaremos resvés no exame! Mas tudo isto se sintetiza nas formas, nas expressões, na coerência, no testemunho e na força de Francisco. Um Papa que veio do “fim do mundo” para trazer esperança, frescura e alento. Um Papa que quer que os jovens sonhem e não percam a capacidade de sonhar e exige que ninguém lhes roube esse sonhar. Que quer e exige que se “salte do sofá” para vencer inércias, pessimismos e tornar inconformada uma fé que se quer ativa e para o bem dos outros. Depois de dez anos e qualquer coisa, ouvimos muito e temos ainda muito que aprender: unamos a nossa voz e com entusiasmo gritemos: “Viva o Papa!”. E, com Francisco, caminhemos com confiança!

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Fotografia: Sebastião Roxo/JMJ Lisboa 2023

Publicado no Boletim Salesiano n.º 602 de março/abril de 2024

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