Editorial do Boletim Salesiano n.º 612 de novembro/dezembro de 2025.
Do pequeno Valdocco nasceu um rio de esperança que, cedo, quis encontrar o mar do mundo, da história, do oceano dos jovens. Há 150 anos, esse rio abriu caudal até Buenos Aires: um sopro de audácia, de coragem, esperança e fé em tempos difíceis. Dez salesianos (seis sacerdotes e quatro coadjutores), a 11 de novembro de 1875 deixavam o porto de Génova num vapor para inaugurar a primeira casa dos salesianos fora da Itália, liderados pelo intrépido João Cagliero, mais tarde primeiro bispo e cardeal salesiano. O carisma de D. Bosco não podia ficar enclausurado em Turim, nem sequer na Europa. Os sonhos de D. Bosco eram demasiado grandes, tecidos de inspiração e esperança, traçados no céu, como mapas invisíveis. Sabia que, “de Santiago a Pequim”, milhões de jovens esperavam pelo seu abraço e pela luz dos seus filhos. Era preciso ir. Partir, chegar e começar, noutras paragens, a mesma experiência vivida no Oratório. “Bosquializar” e “salesianizar” o mundo. Valdocco transformou-se assim em ponto de origem de uma aventura universal, credível e fecunda, que daria ao carisma salesiano a sua verdadeira dimensão: a de um amor sem fronteiras, hoje em 134 países. A partida para a Argentina foi, sem dúvida, fundação em novas terras, novas gentes, mas também o início das missões salesianas ad gentes. A Argentina era então terra de emigrantes italianos, irmãos de língua e de cultura, que ofereciam raízes de acolhimento e braços de apoio. Mas era também porta de entrada para regiões desconhecidas e quase míticas. A Patagónia, a Terra do Fogo, soavam a desafio e promessa em território missionário de excelência. Regiões imensas de vento e silêncio, onde a Igreja sonhava lançar raízes e os jovens indígenas aguardavam um olhar que os reconhecesse. No porto de Génova ergueu-se
D. Bosco. Como bom pai, chorava esta partida. Queria também ele ir… Na despedida, não os brindou com estratégias complicadas. Entregou-lhes apenas uma bússola de amor, um testamento breve e luminoso: “Procurem almas, não dinheiro, nem honras, nem dignidades. Cuidem dos doentes, das crianças, dos idosos e dos pobres, e ganharão a bênção de Deus e a benevolência dos homens”. Nesse eco ressoava o seu eterno lema (Da mihi animas, caetera tolle): era esta a tarefa a levar longe e que tinham aprendido dele. É a centelha de um fogo que continua a arder nos corações salesianos hoje. Um amor sem medida, sem geografia, sem limites. Os seus sonhos são evangelho. E o seu maior sonho, continua a escrever-se, de Valdocco até aos confins do mundo, num amor sem fronteiras: “Basta que sejais jovens para que eu vos ame muito!”.
Fotografia: Yuliia Sereda, Unsplash
Publicado no Boletim Salesiano n.º 612 de novembro/dezembro de 2025
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