Webinar Salesianos Editora/Fundação Salesianos: Saúde mental dos jovens une psicólogos e educadores

Cerca de 700 educadores inscreveram-se no webinar sobre saúde mental dos jovens promovido pela Salesianos Editora e pela Fundação Salesianos. Em direto, mais de 200 participantes acompanharam a transmissão da apresentação do livro Saúde Mental dos Jovens: Reconhecer para Acompanhar e o webinar com dois psicólogos convidados António Rodrigues e Rosário Costa, ambos com larga experiência no acompanhamento de jovens em ambientes educativos salesianos.

António Rodrigues, psicólogo com especialização em Psicoterapia e Aconselhamento, e Rosário Costa, psicóloga especialista em Psicologia da Educação, orientaram dia 9 de março, o webinar “Saúde Mental dos Jovens – Reconhecer para acompanhar”, uma iniciativa de formação pastoral organizada pela Salesianos Editora e Fundação Salesianos. A apresentação foi direcionada a educadores, pais, encarregados de educação, professores, catequistas, chefes de escuteiros, e recolheu o interesse de centenas de pessoas. Com participantes de Viana do Castelo, Loulé, Braga, Funchal, Cerveira, Moura, Portimão, Figueira da Foz, Porto, Lisboa, Mirandela, entre outros, o tema tem gerado muita preocupação nas escolas e nos ambientes juvenis e na sociedade em geral.

Vários estudos, nacionais e internacionais, têm demostrado um aumento estatístico da ansiedade e da depressão na população jovem. Ao mesmo tempo, há também um maior conhecimento do problema. A psicóloga Rosário Costa explicou que, apesar de também estar presente em faixas etárias mais baixas – até mesmo em crianças ao nível do 1.º Ciclo –, a ansiedade é mais frequente mais tarde, altura em que a capacidade de racionalizar e a autoconsciência se tornam mais “elaboradas”. “A consciencialização tem levado a que mais pessoas procurem ajuda médica também”, referiu a psicóloga.

Admitindo que existe, por vezes, dificuldade em “descrever e encontrar as fronteiras entre os vários tipos” de problemas, Rosário Costa procurou identificar fatores genéticos, psicológicos, ambientais e sociais, e rebater alguns mitos e falsas crenças à volta do tema.

A psicóloga apresentou também ferramentas para trabalhar a ansiedade em contexto educativo, várias técnicas de autoconsciência e reflexão, técnicas de respiração e relaxamento, role playing, body scan, visualização positiva, atividades de grupo, jogos de confiança, para explorar algumas ajudas que os educadores podem estudar e usar.

É essencial uma boa rede social de apoio

Uma doença que apresenta há vários anos um agravamento da incidência nos jovens é a depressão. António Rodrigues estabeleceu os primeiros sinais identificativos, “negativos e constantes”, da depressão juvenil como “a perda de prazer, a falta de energia e de esperança”, “como que o futuro só possa ser igual ou pior”.

“Hoje, a prevalência da doença é de 8 a 16% na população mundial”, referiu. “A depressão é atualmente a segunda causa de incapacidade a nível global e prevê-se que até 2030 será a primeira”. António Rodrigues justificou que existem um quadro multifatorial que explica o aumento. Mais conhecimento, o envelhecimento da população, maior exposição a fatores de stress, onde as redes sociais também têm influência, são alguns fatores a contribuir para esse aumento, segundo o psicólogo. “A depressão é muito incapacitante. A pessoa não consegue projetar-se no futuro. Não é uma alteração de humor, não tem a mesma volatilidade, numa depressão isso não é possível. A depressão é uma doença grave”, continuou. “Há causas de vários tipos, genéticas, hormonais, um acontecimento da vida” que podem desencadear a depressão. “Não deve ser confundida com fraqueza de personalidade ou limitação”, reiterou o psicólogo, que lembrou que esse é um estigma que muitas vezes até o próprio doente tem.

Para António Rodrigues existe uma “distorção da realidade com sobre-estímulo do ideal e sub-estímulo da visão de si próprio”. Para o psicólogo não há dúvida que nestes casos a terapêutica farmacológica é necessária e que “não há tratamentos rápidos”.

Redes Sociais e saúde mental de crianças e jovens

A importância de existir uma boa rede social de apoio e prevenção primária foi repetida por ambos. O público, que assistia em casa, teve a oportunidade de colocar algumas questões aos dois convidados, que procuraram ajudar também com sugestões de recursos e sinais a estar atentos.

A influência das redes sociais na saúde mental de crianças e jovens também foi abordada por vários participantes. Rosário Costa lembrou que as escolas estão a implementar algumas regras nos últimos anos. Para a psicóloga as mudanças introduzidas “têm tido um feedback positivo” das escolas. Nesse campo, António Rodrigues adiantou que “também estamos a procurar que os jovens tomem consciência do que é positivo e o que é negativo”. “Eles próprios, às vezes, não têm uma perspetiva crítica”, desabafou. “E os jovens têm muita dificuldade em autorregularem-se, e uma dificuldade muito grande a lidar com a frustração”, acrescentou Rosário Costa.

O Diretor Editorial da Salesianos Editora, Pe. Rui Alberto, referiu que o interesse gerado à volta de Saúde Mental dos Jovens: Reconhecer para Acompanhar e do webinar é sinal de que as pessoas estão “atentas” ao tema. “Já é um passo em frente”, argumentou. O sacerdote salesiano sublinhou ainda que o lançamento desta obra – que não é um livro para psicólogos –, pretende ser uma ajuda para educadores, de leitura fácil e que não deve substituir a “referência para ajudas especializadas”.

Saúde Mental dos Jovens: Reconhecer para Acompanhar está à venda na Salesianos Editora e nas livrarias salesianas de ÉvoraLisboa e Porto.

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