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Pe. Rui Alberto: «O educador deve ser um viajante no tempo»

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O Salesiano Pe. Rui Alberto, Diretor das Edições Salesianas, Doutorado em Teologia Prática, foi um dos oradores convidados pelo Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa para o 5.º Encontro «Do Clique ao Toque».

“Na escola, hoje, precisamos de um educador que seja viajante no tempo, alguém que ajuda a fazer pontes entre o passado, o presente e o futuro”, afirmou o padre Rui Alberto, salesiano que abordou o tema da educação em rede no encontro «Do Clique ao Toque», que decorreu no dia 25 de janeiro em Braga, no Campus Camões.

Perante mais de meia centena de educadores cristãos, e sob o tema «Educar em Rede, conectados», o diretor das Edições Salesianas considerou que “numa sociedade altamente informatizada” é fundamental “recuperar a ideia de que educar é, antes de mais, cuidar dos rostos que temos pela frente”.

“A nossa tarefa hoje será a de cuidar dos rostos. Vivemos numa situação em que nos sentimos ‘únicos’, no meio de um individualismo radical e numa massificação que sendo antagónicas, convivem bem”, apontou.

Para o salesiano “na igreja encontramos estes dois mundos” e é “fundamental redescobrir da identidade de cada um que não pode ser uma simples projeção do próprio educador”.

“A escola tem de ser cada vez mais um espaço de articulação entre o ser, o agir e o fazer. Temos que superar a cisão entre pessoa, cidadão e trabalhador”, sustentou.

A importância de uma narrativa da própria história

Perante a tentação de uma excessiva “tecnologização” das relações, o padre Rui Alberto convidou os educadores a serem capazes de ajudar os mais novos “a recuperar a ideia de que somos filhos, temos uma história, sob pena de sermos inovadores sem raízes”. “É fundamental reaprender o valor da narração. O educador deve ser capaz de conjugar autoridade e credibilidade”.

Para o salesiano o “triângulo” Família/Escola/Paróquia deve promover, antes de tudo, a capacidade de “narrar a sua própria história que antes de ser individual é comunitária” de modo a que se recriem “espaços de comunicação inter-geracional entre a família e as gerações que, estando próximas, habitam mundos distantes”.

Os saudosismos não ajudam a dizer a tradição, hoje

Numa época de surgimento de um conjunto de movimentos, na “sociedade e na Igreja”, de cariz saudosista, o padre Rui Alberto explicou que este “nada tem a ver com a tradição mas com a estética”.

“Somos seres de ritos. Estes movimentos, a que assistimos na sociedade e na Igreja são modernos e não tradicionais. Trata-se de revivalismos estéticos que sendo, para alguns, interessantes, não nos ajudam a dizer a tradição em categorias válidas para o hoje”, apontou.

Uma cidadania solidária

Perante a tentação “do individualismo radical que tão bem convive com a massificação”, o sacerdote salesiano sustentou uma “necessária redescoberta do Outro para sermos nós mesmos”. “É urgente criar uma alternativa que supere o narcisismo. Este bloqueia a identidade. Precisamos de criar uma cidadania solidária”, desafiou.

Para a escola o desafio passa “por aprender cooperativamente”, pelo recuperar “o cuidado com o colega” que “não é acrescento, mas condição para atingir os fins individuais”.

Educar: Apontar caminhos e ensinar a decidir

No final da sua apresentação o especialista considerou que educar “não é apontar uma meta”, mas “ensinar a viver” para ser “possível apontar caminhos de sentidos”.

Deste modo, e para lá das “parafernálias tecnológicas utilizadas entre os intervenientes”, o educador deve ser alguém que ajude a redescobrir “o infinito, com ou sem tematização religiosa” para que o educando aprenda a “fazer escolhas” longe de uma “neutralidade axiologia que não é boa nem possível”.

“Temos de ajudar a abrir a horizontes maiores do que a satisfação técnica. A sensibilização para a dimensão do mistério oculto que está no coração humano. O educando, para lá do meio escolhido, vê alguém que o ama e o ajuda a cresce. Por isso qualidade da relação tem prioridade sobre os meios de comunicação”, concluiu.

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