“Foi por Maria e com Maria que estivemos em Buenos Aires”

De 7 a 10 de novembro, a cidade de Buenos Aires recebeu o VIII Congresso de Maria Auxiliadora, evento que pretende divulgar Maria Auxiliadora para viver mais e melhor esta devoção, herança de S. João Bosco para a Família Salesiana. Portugal vai acolher a próxima edição em 2023, em Fátima.

Mil e duzentos congressistas provenientes de 36 países, aos quais se juntaram o Reitor-Mor dos Salesianos, Pe. Ángel Fernández Artime, e a Madre Geral das Filhas de Maria Auxiliadora, Ir. Yvonne Reungoat.

Após a cerimónia de abertura, com o desfile das bandeiras dos países presentes, e a Eucaristia, presidida pelo cardeal de Buenos Aires, D. Mário Poli, os dias foram preenchidos com conferências, testemunhos de vida, comunicações, momentos de oração e uma procissão pelas ruas da cidade.

Dois aspetos devem ser evidenciados que nos podem levar a viver mais e melhor a devoção a Maria Auxiliadora e, simultaneamente, desafiar a preparar o 9.º Congresso que se realizará no nosso País em 2023.

Em primeiro lugar, salienta-se o clima que se criou durante todo o encontro, ambiente de família, de festa e de alegria, em que imperou a simplicidade e se respirou a universalidade da nossa Congregação. A Madre Geral, Ir. Yvonne Reungoat, na boa-noite, descreveu assim o ambiente: «Este nosso encontro representa toda a Congregação. Está cá o Reitor-Mor e a Madre Geral. Estão presentes tantos países, tantas nacionalidades. Diria que toda a Congregação está aqui reunida».

Em segundo lugar, é oportuno recordar alguns tópicos do que disse o Reitor-Mor na Eucaristia final. Falou como um pai aos seus filhos. Deu o seu testemunho de salesiano e de sacerdote e evidenciou a sua devoção a Nossa Senhora.

1. «Nestes dias tenho andado a pensar: Como é que nasceu a minha devoção Mariana? Recebi-a da minha avó e da minha mãe. Gente simples e sem estudos. Gente humilde, que ouvia a missa em latim e que, naturalmente, nada entendia. No entanto, o seu testemunho de oração e devoção, foram o berço onde nasci e cresci».

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2. «E como nasceu a minha devoção a Maria Auxiliadora? Sou antigo aluno salesiano. As celebrações e as orações simples e constantes a Maria marcaram-nos. As pagelas e as imagens eram-nos dadas como lembranças que guardávamos como se guarda uma relíquia».

3. «Como experimento a presença de Maria na minha vida? Sinto-a presente no meu dia-a-dia. Diria que, como uma mãe tem sempre debaixo de olho o seu menino, assim me sinto protegido e guiado por Ela».

4. «Para um Salesiano ou FMA, falar de D. Bosco é referir, de imediato, a presença de Maria. Ela esteve sempre com D. Bosco. Desde o sonho dos 9 anos, “Dar-te-ei a Mestra”, até ao fim da sua vida. Era bom recordar as palavras do nosso Fundador numa das Eucaristias do fim da sua vida: “Foi Ela quem tudo fez”».

5. «A presença da Mãe Margarida no Oratório. Para educar, D. Bosco quis ter presente uma mãe. Precisamos do calor das mães. Da terrena e da celeste».

6. «Temos o dever de testemunhar e de difundir a devoção a Maria. Este congresso, tão universal e com a presença de tantos jovens, diz-nos que a devoção a Maria não está ultrapassada nem é para velhos. É um imperativo para toda a Família Salesiana».

7. «A nossa Pastoral Juvenil tem que ser Mariana. Se deixamos a devoção a Maria Auxiliadora, não somos a Família que Dom Bosco quereria. Podemos ser bons executivos, bons diretores e administradores, bons animadores sociais e culturais, mas não é isso que se espera de nós».

8. «O mundo de hoje precisa do nosso testemunho. Nascemos com os pobres e para os pobres. Viajando pelo mundo vejo que fazemos imenso bem em todas as nossas obras. Graças a Deus».

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9. «Faço um apelo ao valor da gratuidade. Vivemos num mundo onde tudo se compra e tudo se vende. Sejamos generosos em testemunhar a nossa simplicidade de vida. O mundo não precisa da nossa gestão. Precisa do nosso testemunho gratuito».

Concluiu dizendo: «Foi por Maria e com Maria que estivemos em Buenos Aires. Não foi turismo religioso. Isso não é salesiano. Por Ela e com Ela, voltaremos a encontrar-nos em Portugal». 

Publicado no Boletim Salesiano n.º 578 de Janeiro/Fevereiro de 2020

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