1907, Moçambique, da escola à Visitadoria

1907, Moçambique, da escola à Visitadoria

Foi a última missão a manter a ligação à Província Portuguesa da Sociedade Salesiana. No total foram sessenta e um anos, entre 1907 e 1913 e entre 1952 e 2006. Moçambique constitui-se como Visitadoria em 2006. No 150.º aniversário da expedição que inaugurou a extensão da presença salesiana para as missões, recordamos as primeiras presenças missionárias dos Salesianos de Portugal e os seus primeiros missionários.

Tal como em Portugal, a implantação da República em 1910 também interrompeu a presença salesiana em Moçambique, iniciada em 1907 na Ilha de Moçambique com a Escola de Artes e Ofícios, deixando um enorme hiato entre 1913 e o seu regresso em 1952.

A primeira casa que lhes é entregue é o Instituto Mouzinho de Albuquerque, obra da Assistência Pública para rapazes órfãos e carenciados, na vila da Namaacha, a 80 km de Maputo, composta por escola profissional e internato.

Em 1955, recebem a Missão de S. José de Lhanguene, em Maputo, que inclui igreja, escola e internato, também para crianças necessitadas.

Em 1967, num terreno de três hectares oferecido pelo Arcebispo de Lourenço Marques, próximo da Missão de S. José, os salesianos constroem de raiz o Colégio Dom Bosco, escola elementar e liceal, em regime de internato, semi-internato e externato, frequentada essencialmente por filhos de europeus, relativamente abastados.

Após a Revolução do 25 de Abril de 1974 em Portugal e a independência de Moçambique, em 75, dá-se a saída da maior parte dos missionários portugueses. Ainda em 1975, a Congregação aceita a Missão de S. João Batista de Moatize, na Província de Tete, no noroeste do país, a mais de 1.500 km da capital. Alguns salesianos permanecem em Moçambique e são contratados pelo governo para as escolas e para outras funções.

Moçambique atravessa a longa guerra civil (1977-1992), e a presença salesiana só começa a retomar a normalidade em meados da década de 1980 e, definitivamente, depois dos Acordos de Paz de 1992. Os salesianos retomam várias presenças, abrem outras para formação vocacional, recebem mais paróquias, Bom Pastor, Infulene, Livramento…

Nos anos que se seguem a presença salesiana no país consolida-se e encaminha-se para a autonomia da Província Portuguesa da Sociedade Salesiana. Em 2006 é constituída a Visitadoria de Moçambique.

Na atualidade

Atualmente a presença salesiana em Moçambique divide-se entre o sul, com obras em Maputo, Matola e Namaacha; em Inharrime, na Província de Inhambane; e em Moatize e Matundo, na Província de Tete. São 67 os salesianos no país, dos quais 23 são sacerdotes, seis coadjutores, 27 seminaristas e 11 noviços. Dirigem escolas, centros de formação profissional, várias paróquias e casas de formação salesiana. Uma obra de especial relevo é o Instituto Superior Dom Bosco, localizado no Bairro Luís Cabral, na periferia de Maputo, orientado para a formação profissional e que oferece licenciaturas, mestrados e formações em várias áreas.

Fotografias: Arquivo da Província Portuguesa da Sociedade Salesiana, Salesianos de Moçambique

Publicado no Boletim Salesiano n.º 615 de maio/junho de 2026. Suplemento 150 anos das Missões Salesianas. “1907, Moçambique, da escola à Visitadoria”

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