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Carlos Oliveira, Antigo Aluno: “Os valores católicos são transversais”

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Carlos Oliveira é antigo aluno das Oficinas de São José e pai de dois antigos alunos. Os valores aprendidos na família e na escola salesiana são as infraestruturas da sua vida familiar, social e profissional.

Esta nova série de entrevistas do Boletim Salesiano parte do lema que São João Bosco lançou na sua obra pedagógica: fazer dos jovens “bons cristãos e honestos cidadãos”. Acho que não há melhor início do que entrevistar um antigo aluno das Oficinas de São José dos Salesianos de Lisboa. E por isso a pergunta que lhe faço é que memória guarda desses anos?

Tenho memórias fantásticas, foram anos muito bem vividos, em que pude disfrutar da minha juventude.  Recordo que a minha Mãe estava preocupada com a minha educação e do meu irmão, éramos órfãos de Pai, e procurou uma escola com boa referência. Foi pedir à comunidade salesiana que nos recebesse, e foi isso que aconteceu. Pude crescer recebendo os valores que a comunidade salesiana me transmitia, para além da formação escolar.

Queria realçar um outro aspeto, os Salesianos ofereciam-nos inclusivamente a alimentação. Foi uma oferta completamente gratuita e devo um reconhecimento muito grande por aquilo que os Salesianos fizeram por mim, pelo meu irmão, pela minha família. Recordo momentos de grande alegria, brincadeiras, futebol…

Como é que essas vivências influenciaram o seu futuro para ser a pessoa que é hoje?

Na altura nem nos apercebemos muito bem do que estamos a receber todos os dias, mas vamos construindo uma personalidade e uma forma de estar. E os valores que nos transmitiram são os mesmos que pomos nos momentos mais difíceis ou mais risonhos. Mesmo depois de sair dos salesianos, de ir para outras escolas e enfrentar outros desafios, esses valores nortearam o meu comportamento e a minha forma de estar, desde o início da construção da minha família, da minha vida profissional. Digamos que são uma infraestrutura da minha pessoa que em parte devo aos salesianos.

Ao sair das Oficinas de São José, tinha apenas o 9.º ano, porque na escola, na altura, não havia mais. Como foi o seu percurso académico?

Fui para a Machado de Castro e vivi momentos difíceis. Fui confrontado com uma realidade completamente diferente. Com colegas que tinham outra maneira de ver a vida, com professores que tinham outro tipo de preocupações e não tinham a mesma relação com os alunos.

Estamos em pleno 25 de abril, em plena revolução.

Foi exatamente nesse período. Havia uma grande libertinagem, quase diria. E vivi momentos muito difíceis, os meus resultados académicos caíram bastante e estive mesmo no limiar de me perder, mas acho que foram os ensinamentos que recebi e alguma determinação que me fizeram retomar o caminho certo. Entrei no [Instituto Superior] Técnico e terminei o curso. Foram momentos importantes. Eu já estava a trabalhar, comecei aos 14 anos. Consegui conciliar os estudos com a vida profissional.

Terminado o Técnico, começou logo a vida profissional com o desejo de fundar a sua empresa, a DDN, tal como existe hoje?

O Técnico fi-lo à noite. Durante o dia trabalhava. Já tinha uma dinâmica de trabalho bastante vincada. Comecei a trabalhar numa empresa de fiscalização de obras. Depois fiz o Serviço Militar e, quando terminei, fui trabalhar para uma empresa que fazia apenas projetos e queria um novo departamento de engenharia que ligasse a parte da conceção às obras. Eu tinha 26 anos na altura e aproveitei essa oportunidade. Mas senti a vontade de criar o meu próprio projeto. Apresentei essa ideia à minha mulher e, em conjunto, criámos a DDN em 1994. Vivemos também alguns momentos difíceis, como todos os projetos. Fomos criando e trilhando o nosso próprio caminho em função da necessidade do mercado. Temos tido o reconhecimento dos clientes e dos colaboradores.

E a DDN internacionalizou-se?

Gostava de saber em quantos países está a DDN e quantas pessoas nela trabalham.

Neste momento estamos em oito países, temos 212 funcionários de várias nacionalidades, aqui em Portugal somos 150. Chegámos a esses países sempre com os nossos clientes. Não abrimos escritórios. Eles é que nos incentivaram a estar presentes nesses mercados. No Brasil, pedimos uma oportunidade de mostrar o que fazíamos, neste caso com a Leroy Merlin e a Decathlon, e eles deram-nos essa oportunidade. Gostaram dos primeiros projetos e foram eles que nos pediram para abraçar outros. No Brasil, a Leroy Merlin quis fazer um contrato corporativo connosco, para todas as lojas do Brasil. Nunca nos tinha acontecido isso em Portugal.

Sei que remodelou a Nunciatura Apostólica para receber o Papa Bento XVI quando em 2010 visitou o nosso País.

Foi um trabalho que desenvolvemos com muita dedicação, e também reconhecimento. É uma oportunidade fazer um trabalho num espaço daqueles. Na verdade nós não o apregoamos, falamos dele como falamos dos outros trabalhos, mas não escondemos a nossa motivação cristã para o nosso dia a dia, no trabalho e na família. Temos uma fotografia com o Santo Padre na sala de reuniões principal da empresa, como também temos aqui na sala da nossa casa.

Esse pendor católico, que é discreto mas que também é evidente, ajuda ou não os negócios?

Certamente, a começar pela nossa equipa. É uma equipa que tem valores cristãos, e esses valores são aqueles que eu recebi na minha educação, enquanto aluno salesiano, o que acaba por ser transversal à nossa vida toda.

Há um ano visitei os escritórios centrais da DDN. Impressionou-me encontrar na receção de uma empresa deste tipo um presépio, com três grandes figuras: José, Maria e Jesus. É isto que perpassa, pelo que o Carlos acabou de exprimir, por todos os colaboradores da DDN?

Sim, os nossos colaboradores são maioritariamente católicos, mas não temos qualquer registo. Respeitamos as diferenças de uns e de outros, mas de forma geral eles reveem-se neste espírito. É uma afirmação natural.

Concluímos esta belíssima entrevista, pedindo-lhe que, como antigo aluno, deixe uma mensagem aos 243 Salesianos que em breve, em fevereiro, se vão reunir em Turim, para o Capítulo Geral 28. Estarão lá representantes dos Salesianos que trabalham neste momento em 132 países. O que devem ser os Salesianos de hoje para os jovens de hoje?

Antes de mais, quero mostrar o meu agradecimento. Aquilo que eu hoje sou, a minha família, tem como génese os valores que os Salesianos me transmitiram em conjunto com a minha Mãe.

Conhecendo o que conheço do mundo de hoje, a mensagem de Dom Bosco é cada vez mais importante. O posicionamento dos Salesianos junto dos jovens é fundamental no apoio à formação dos futuros homens, futuros políticos, futuros gestores do mundo. É fundamental poder contar com a obra salesiana na construção dos valores daqueles que serão o futuro. 

Carlos Oliveira
Idade:
55 anos 
Família: Casado, dois filhos
Antigo Aluno: Oficinas de São José de Lisboa 1974-1979 
Formação: Licenciado em Engenharia Instituto Superior Técnico; MBA Gestão Industrial INDEG/ISCTE; membro sénior da Ordem dos Engenheiros; Project Manager nível B IPMA; diretor-geral DDN Gestão de Projectos S. A.

Para ver a entrevista no canal do Youtube dos Salesianos.

Para ler no Boletim Salesiano n.º 578 de Janeiro/Fevereiro de 2020.

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