Jovens e Saúde Mental: É preciso quebrar o silêncio

Jovens e Saúde Mental: É preciso quebrar o silêncio

A escola, o grupo da catequese, o grupo de amigos, o clube desportivo, o centro de estudos ou de atividades de tempo livre, podem muitas vezes ser o primeiro lugar onde se identifica o problema. É preciso reconhecer os sinais e quebrar o silêncio.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a solidão e o isolamento são um problema global, que afeta pessoas de todas as idades, mas que é mais prevalente na juventude e em países com baixos rendimentos. O isolamento social afeta uma em cada seis pessoas, segundo o estudo de 2025 publicado pela OMS. Noutra análise à saúde mental dos adolescentes e jovens, a OMS conclui que “globalmente, um em cada sete jovens dos 10 aos 19 anos sofre de uma perturbação mental”, o que representa 15% da carga global de doença nesta faixa etária. A depressão, a ansiedade e as perturbações do comportamento estão entre as principais causas de doenças e incapacidades entre os adolescentes.

“As consequências de não tratar os problemas de saúde mental na adolescência estendem-se à vida adulta, prejudicando a saúde física e mental e limitando as oportunidades de uma vida plena na idade adulta”, refere a agência das Nações Unidas.

A realidade portuguesa

A realidade portuguesa também é preocupante. A Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental afirma que “as perturbações mentais e do comportamento representam 11,8% da carga global das doenças em Portugal, mais do que as doenças oncológicas (10,4%) e apenas ultrapassadas pelas doenças cérebro-cardiovasculares”. A depressão afeta ao longo da vida cerca de 20% da população portuguesa.

Jovens e Saúde Mental: É preciso quebrar o silêncio
Jovens e Saúde Mental: É preciso quebrar o silêncio © Kambria Trout/Unsplash

A edição portuguesa de “Saúde Mental dos Jovens – Reconhecer para acompanhar” foi recentemente publicada pela Salesianos Editora

“Saúde Mental dos Jovens – Reconhecer para acompanhar”

Neste contexto, a Pastoral Juvenil da Congregação Salesiana publicou no ano passado um trabalho desenvolvido pelo anterior Conselheiro Geral, Pe. Miguel Ángel García Morcuende, e pela psicóloga Antonella Synagoga, psicóloga do Desenvolvimento, Educação e Bem-Estar e Mediadora de Família e Conflitos, e especialista em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e intervenção psicossocial.  “Saúde Mental dos Jovens – Reconhecer para acompanhar” destina-se a educadores e pretende “quebrar o silêncio” sobre saúde mental e ser um guia para introduzir Pais, Encarregados de Educação, Docentes e Educadores no tema. A edição portuguesa da obra foi recentemente publicada pela Salesianos Editora.

A saúde mental não pode ser tabu

Em primeiro lugar, os especialistas atacam o estigma associado à saúde mental. A censura e a vergonha isolam, levam a que muitas pessoas não procurem ajuda. A saúde mental não pode ser um tabu. Em casa, na escola, no grupo de amigos, deve haver espaço para falar, fazer perguntas, informar sobre o tema. “Setenta e cinco por cento dos distúrbios mentais começam na adolescência, antes dos 18 anos; mas, apesar disso, algumas pessoas com problemas de saúde mental continuam a ser alvo de tratamento discriminatório nos centros educativos por parte dos educadores e dos colegas: discriminação ou rejeição, superproteção ou controlo, provocação, depreciação ou ridicularização de comportamentos diferentes são algumas expressões comuns”.

Jovens e Saúde Mental: É preciso quebrar o silêncio
Jovens e Saúde Mental: É preciso quebrar o silêncio © Anhdanghihi/Pexels

O livro está organizado por capítulos dedicados aos vários tipos de distúrbios, ansiedade social, depressão, sintomas somáticos, distúrbios alimentares, dependências, psicose, automutilação, suicídio, bullying. Para cada uma das realidades diversas, o guia indica como identificar sinais, sintomas, causas, mitos, e como fazer o acompanhamento do jovem, com técnicas para intervir em contexto da escola, a nível individual e de grupo.

A escola, o grupo de catequese, o grupo de amigos, o clube desportivo, devem ser os primeiros lugares onde se constrói a comunidade e promove a cooperação, onde se dá o crescimento feliz, sem discriminação ou estigma.

“Jovens e Saúde Mental: É preciso quebrar o silêncio”. Fotografia da entrada: Norma Mortenson/Pexels

Publicado no Boletim Salesiano n.º 614 de março/abril de 2026

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