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Dom Bosco sacerdote

Continuamos a nossa caminhada rumo ao bicentenário do nascimento de Dom Bosco e, no texto deste mês, caminhamos pelas ruas da Turim salesiana, a cidade que acolheu o jovem sacerdote João Bosco e foi berço da missão que lhe foi confiada no sonho dos nove anos.

Ao chegar a Turim D. Cafasso disse a Dom Bosco: “Olha à tua volta e faz o que puderes”. E ele assim fez…

Depois de ser ordenado no dia 5 de Junho, pelo arcebispo de Turim, Mons. Fransoni, na capela anexa ao palácio episcopal, o jovem João Bosco percorre as ruas de Turim onde se vai encontrando com os rapazes que marcarão a sua vida e darão forma concreta à sua entrega evangélica. Descobrirá que, no seu caso, esses “mais necessitados” a quem é preciso transmitir o amor de Deus, são os rapazes e os jovens, os pequenos operários, aprendizes e ladrõezitos de Turim, os que não têm casa e os presos cuja indigência, necessidade e sofrimentos injustos lhe dilaceram o coração.

No dia seguinte à sua ordenação sacerdotal, 6 de junho, Dom Bosco celebrou a Eucaristia no altar do Anjo da Guarda da Igreja de São Francisco de Assis. Esta era uma igreja especial para Dom Bosco e ainda é para toda a Família Salesiana. Além de, ainda hoje, aqui se encontrar o confessionário onde se confessava a D. Cafasso, foi também aqui que no dia 8 de dezembro de 1841, festa da Imaculada Conceição, seis meses após a sua ordenação sacerdotal, teve Dom Bosco na sacristia desta igreja o célebre encontro com Bartolomeu Garelli. Esse encontro foi o começo firme da obra de Dom Bosco. Por isso, a Família Salesiana considera a festa da Imaculada como o dia do seu nascimento.

No dia 20 de outubro de 1844 Dom Bosco mudou-se para o Refúgio com todos os seus rapazes, uma das obras da Marquesa Barolo, situado no número 26 da Vía Cottolengo. Mas não ficaram ali por muito tempo… No dia 13 de julho de 1845 D. Bosco mudava o oratório para a Igreja dos moinhos do Rio Dora. Foi neste lugar que aconteceu o encontro com Miguel Rua, a quem ofereceu, sorrindo, metade da sua mão enquanto disse: “Toma, Miguel: nós os dois faremos tudo a meias”.

Mas antes da sua localização definitiva, Dom Bosco ainda passou (e foi expulso) por vários locais, entre os quais a igreja e cemitério de S. Pedro em Víncoli. Era propriedade da Câmara que permitiu a Dom Bosco o seu uso. Ao ver a algazarra que faziam os rapazes, a criada do capelão da igreja enfureceu-se e armou um tal pé de vento que não puderam voltar para lá.

Depois disso D. Bosco alugou três salas na casa Moretta que se situava em frente à atual basílica de Maria Auxiliadora. Sem o saber, o Oratório ia-se aproximando do seu lugar definitivo. O Oratório aguentou ali apenas três meses antes de se mudar para o prado alugado aos irmãos Filippi e que situava também ao lado da atual basílica de Maria Auxiliadora. Neste prado o representante do Presidente da Câmara presenciando Dom Bosco a jogar com os seus rapazes, achou que era um louco e digno de prisão. Convocou-o para uma reunião na Câmara para o impedir de continuar com o Oratório. Também por essa altura a marquesa de Barolo lhe colocou a alternativa de escolher entre o Oratório e o Refúgio. Dom Bosco escolheu ficar com os seus rapazes, confiando unicamente na Providência de Deus.

Em 1846, o oratório fixa-se definitivamente em Valdocco, na casa Pinardi, com o nome de Oratório de S. Francisco de Sales. Dom Bosco tinha encontrado o espaço para dar início à expansão da sua obra. Daqui em diante chegaria a mais jovens, não apenas daquela Turim, mas de muitas outras espalhadas pelo mundo.

Adaptado por Miguel Mendes

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