“Alexandrina, com a sua vida de alma unida a Jesus, ajuda a missão salesiana sem uma participação ativa”

A espiritualidade eucarística da Beata Alexandrina de Balasar, a sua profunda ligação a Nossa Senhora e o testemunho de uma vida oferecida a Deus continuam a inspirar a missão da Igreja e da Família Salesiana. Numa entrevista a propósito da inauguração do novo Santuário Eucarístico de Balasar e da trasladação dos restos mortais da Beata, Maria Rita Scrimieri, responsável pelo Centro Internacional Salesiano de Espiritualidade de Balasar, destaca a atualidade da sua mensagem e a proximidade ao carisma de Dom Bosco, que coloca a salvação dos jovens no centro da missão educativa.

Quem foi a Beata Alexandrina e o que faz dela uma figura tão atual para a Igreja?

Alexandrina continua a ser uma referência, uma figura, um testemunho importante para a Igreja de hoje, porque a sua história – que começou como a história de uma jovem simples -, marca profundamente e ensina muito, e é profundamente marcada pela presença de Deus na sua vida. Por isso, esta história recorda a toda a Igreja a importância e o testemunho de tudo aquilo que o Senhor realizou na sua vida. Uma vida de sofrimento, de fragilidade.

Alexandrina estava paralisada e não podia fazer nada, mas o seu testemunho fala precisamente da iniciativa de Deus na sua vida e das coisas maravilhosas que Ele realizou para o bem da humanidade e como sinal para a Igreja de hoje.

De que forma a sua vida e espiritualidade se ligam ao carisma salesiano?

Estão ligadas ao carisma salesiano. Também por este motivo, Dom Bosco dizia que a mais divina das coisas divinas é cooperar com Deus para a salvação das almas, por exemplo. E Alexandrina, com a sua vida oferecida ao Senhor, colaborou com Jesus, sobretudo, através da sua união com Jesus crucificado e presente na Eucaristia.

Colaborou precisamente com Ele para a salvação das almas. E Dom Bosco tinha como lema: “Da mihi animas, cetera tolle”. Este era o seu lema: “Dá-me as almas e fica com tudo o resto.” E este é o coração da espiritualidade salesiana: a salvação dos jovens.

Além disso, Alexandrina, precisamente com a sua vida de alma unida a Jesus, ajuda a missão salesiana sem uma participação ativa. Ela não podia agir, mas, unida precisamente ao coração de Jesus, colabora na missão, porque obtém graças para quem trabalha, para quem participa ativamente na vida salesiana.

Que lugar ocupa a Beata Alexandrina na espiritualidade e na missão da família salesiana hoje?

Ocupa um lugar importante, porque, tal como nos sonhos que Dom Bosco teve, em que viu a Igreja e a coluna com a Virgem Maria, a Igreja deve, portanto, ligar-se a estes dois apoios importantes para poder enfrentar todas as dificuldades. Alexandrina, precisamente com a sua vida, com o pedido de consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, que depois o Papa Pio XII realizou, e com a sua vida eucarística, tendo vivido os últimos treze anos e meio apenas da Eucaristia, liga-se precisamente a isto. É um testemunho desta preocupação de Dom Bosco, da missão de levar os jovens, mas também o povo, a viver em comunhão com Maria e a colocar a Eucaristia no centro da vida, também da vida dos jovens.

Dom Bosco tinha percebido que não bastava a pedagogia, não bastava, o ensino, a educação dos jovens, era necessário levá-los ao encontro pessoal com Jesus. Isto é, a graça unida, à pedagogia, à educação, a toda a formação do jovem.

O que representa para a Igreja a transladação da Beata Alexandrina para o novo santuário?

É um novo santuário que faz história, uma história que não ficou limitada a uma pequena dimensão, mas que cresce. Portanto, o novo santuário acolhe, mas, ao mesmo tempo, torna-se também um sinal de como a história de Alexandrina, o seu testemunho, precisa de espaços e de iniciativas de envangelização, precisamente para transmitir a importância da Eucaristia.

O santuário é dedicado à Divina Eucaristia e, por isso, levar Alexandrina, trasladar os seus restos mortais da igreja paroquial para o novo santuário, é também um sinal d difundir a mensagem, de a difundir o mais possível. E, assim, ocupa um lugar ainda maior, mais importante e de maior alcance para a Igreja e para todos nós.

Enquanto devotos da Beata Alexandrina, como é que vivem estes dias?

É uma grande alegria, porque faz parte de uma dinâmica que foi crescendo pouco a pouco ao longo do tempo. É uma dinâmica. E, por isso, é belo, porque representa o novo que o Senhor continua a criar através de nós, com as nossas respostas. E, portanto, a história que Deus constrói connosco, com cada um de nós, e, assim, com Alexandrina. Não é uma história que termina, mas continua, transforma-se. E, portanto, é uma história guiada sempre pela presença de Deus e dos seus santos.

A 13 de outubro celebra-se a festa litúrgica da Beata Alexandrina. Qual o convite que esta data nos deixa?

O convite é precisamente um convite a refletir, um convite a agradecer, a agradecer ao Senhor pelo dom de Alexandrina; agradecer pelo dom do seu testemunho, pela mensagem que, através dela, o Céu quis deixar para nós na Terra. E a mensagem fundamental é a centralidade da presença de Jesus na Divina Eucaristia. E a outra mensagem que Alexandrina nos deixa é precisamente o lugar que Maria ocupa no coração de Deus, para a Igreja e para a humanidade.

Alexandrina foi uma testemunha precisamente destas duas verdades fundamentais na Igreja: a Eucaristia, com os sacramentos, e o papel de Nossa Senhora.

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