Recurso complementar

Só Agora Percebo

Tipo
Dinâmica
Modalidade
Individual

Precisas de duas velas (uma neutra e outra perfumada, de preferência), uma caneta e uma folha onde desenhas um caminho com cinco a sete pegadas entre um ponto de partida e um ponto de chegada. Acende apenas a primeira vela (neutra) e coloca-a junto ao início do caminho. Antes de escreveres, permanece alguns instantes em silêncio. Pensa numa situação da tua vida que ainda hoje te provoca tristeza, desilusão ou perguntas sem resposta. Não te esforces por explicá-la nem resolvê-la; basta reconhecê-la. No ponto de partida, escreve apenas uma palavra ou frase curta que identifique essa realidade. Percorre lentamente as pegadas desenhadas. Em cada uma, escreve uma pessoa, um encontro, uma conversa, uma decisão ou uma pequena atitude que tenha feito parte dessa história. Não procures escolher apenas os momentos mais importantes; muitas vezes são os mais discretos que permanecem escondidos. Relê o caminho muito devagar. Em cada pegada, faz apenas esta pergunta: "E se Cristo já estivesse a caminhar comigo neste momento, mesmo sem eu O reconhecer?" Não é necessária uma resposta imediata; permanece diante de cada etapa. Possivelmente, algumas continuem sem sentido; talvez uma delas comece agora a falar de outra maneira. Se isso acontecer, deixa cair uma pequena gota de cera junto dessa pegada, como sinal de um caminho que começa a ser iluminado. Abre agora o Evangelho de Lucas (24,13-35), em livro ou no telemóvel, e relê apenas os versículos em que os discípulos reconhecem Jesus ao partir o pão. Volta à tua folha e escreve, no ponto de chegada, uma única frase que comece por: "Hoje começo a perceber que…" ou "Certamente Cristo já estava aqui quando eu pensava caminhar sozinho." Acende então a segunda vela (a perfumada) com a chama da primeira. Deixa ambas acesas por alguns instantes. Só então apaga lentamente a primeira e permanece só diante da nova luz. Antes de terminares, contempla em silêncio o caminho percorrido. Nem todas as perguntas têm resposta, nem todas as desilusões desaparecem. Mas, tal como em Emaús, pode ter começado a nascer um olhar novo: a descoberta de que Cristo nunca deixou de caminhar ao teu lado, mesmo quando os teus olhos ainda não O reconheciam.

Questões para Reflexão

  1. Qual foi a pegada onde senti, de facto, algo mudar de sentido? O que fez essa diferença?
  2. Ao ler o momento em que os discípulos reconhecem Jesus ao partir o pão, encontrei alguma semelhança com a forma como reconheci (ou ainda não reconheci) essa presença no meu próprio caminho?
  3. A esperança que hoje reconheço nasceu diretamente da mesma chama da desilusão, não veio de fora. O que isso muda na forma como vejo os meus próprios momentos difíceis: fontes de nada, ou possíveis origens de luz que ainda não sei ver?
  4. Ao ver a segunda vela arder com a chama da primeira, o que senti sobre a ideia de que a esperança de hoje pode nascer exatamente da mesma dor que ainda não sei explicar?
  5. Ao apagar a primeira vela e ver a segunda continuar acesa, o que senti: alívio por deixar ir a desilusão, ou também alguma saudade de a soltar de vez?