Recurso complementar

Junto à cruz

Tipo
Dinâmica
Modalidade
Grupo

Coloca-se uma cruz no centro da sala, deixando um espaço amplo à sua volta. Todos os participantes começam distribuídos livremente pelo espaço, mantendo alguma distância da cruz.

Faz-se a leitura de João 19,25-27 e permanece-se alguns instantes em silêncio, contemplando apenas a cruz. Explica-se depois que ela representa todas as situações de sofrimento, fragilidade e abandono que continuam presentes no mundo. Tal como aconteceu no Calvário, diante da dor há sempre diferentes formas de reagir: aproximar-se, permanecer, hesitar ou afastar-se. Durante a atividade ninguém será convidado a justificar os seus gestos; cada pessoa responderá apenas com o próprio movimento. Começam então a ser lidas, pausadamente, diferentes situações da vida. Depois de cada uma, faz-se um breve silêncio. Quem sentir o desejo de se aproximar da cruz pode dar um ou mais passos. Quem preferir permanecer onde está, permanece. Não existem respostas certas nem erradas. As situações podem ser, por exemplo (podem acrescentar-se outros:

  • Um colega perdeu recentemente o pai.
  • Uma amiga vive uma depressão que quase ninguém conhece.
  • Um jovem sofre de ansiedade, mas sorri para esconder o que sente.
  • Uma colega é constantemente vítima de comentários humilhantes nas redes sociais.
  • Um amigo ficou paraplégico depois de um acidente.
  • Um rapaz foi expulso de casa por causa dos conflitos familiares.
  • Uma idosa passa dias inteiros sem receber uma única visita.
  • Um colega foi rejeitado pelo grupo e almoça sempre sozinho.
  • Uma família perdeu tudo num incêndio.
  • Uma pessoa refugiada tenta reconstruir a sua vida num país desconhecido.
  • Um amigo falhou gravemente e sente vergonha de voltar a aparecer.
  • Um jovem sente que dececionou a família e vive com medo constante de falhar outra vez.
  • Uma pessoa cuida sozinha de um familiar doente há anos e sente que ninguém repara no seu cansaço.
  • Um colega está sempre disponível para ajudar os outros, mas ninguém parece perguntar-lhe como ele próprio está.
  • Um jovem abandonou os estudos porque deixou de acreditar em si mesmo.
  • Uma pessoa enfrenta uma doença grave e sente medo do futuro.
  • Um colega vive o luto pela morte de alguém muito próximo.
  • Uma pessoa sente que Deus desapareceu completamente da sua vida.
  • Um jovem perdeu toda a esperança.
  • Uma mãe cria sozinha os filhos e sente-se completamente esgotada.
  • Um jovem sente-se invisível dentro da própria turma.
  • Um colega é constantemente julgado por um erro do passado.
  • Alguém vive uma profunda crise de fé e sente que Deus está em silêncio.

À medida que as situações vão sendo escutadas (devem-se escolher as 6 ou 8 mais significativas para o grupo), o espaço transforma-se lentamente. É possível que alguns participantes se aproximem mais da cruz; outros permanecem onde estão; alguns aproximam-se apenas em determinadas situações. Não há qualquer comentário durante este momento. Quando termina a leitura, mantém-se um minuto de silêncio absoluto. No fecho, depois do minuto de silêncio, pode-se perguntar apenas uma coisa em voz alta ao grupo (sem forçar resposta): "Maria não podia resolver nada. Só podia ficar. Hoje, o que significou para vocês ficar ou não ficar perto da cruz?" Isto cria a ponte final entre o gesto corporal e o Evangelho, sem quebrar o clima com muita palavra. A cruz gera uma nova comunidade: “eis a tua mãe, eis o teu filho”. Quem é que Deus me está hoje a confiar para cuidar? Depois da atividade, cada participante recebe discretamente o nome de outro elemento do grupo, comprometendo-se a rezar por ele durante a semana. Assim nasce simbolicamente a nova família da cruz. Mas atenção: a cruz nunca é a última palavra!

Questões para Reflexão

  1. Em que situações sentiste maior vontade de te aproximar? Porquê?
  2. Sou hoje discípulo que permanece? Quem poderá Deus estar hoje a confiar ao meu cuidado?
  3. Houve alguma realidade perante a qual te sentiste incapaz de dar um passo? O que nos impede, tantas vezes, de permanecer junto de quem sofre?
  4. Que diferença existe entre resolver o sofrimento de alguém e simplesmente não o abandonar?
  5. Quem foi, para ti, presença fiel num momento difícil? De quem poderá Jesus estar hoje a dizer-te: «Fica junto dele»?
  6. Maria aparece como modelo de presença, mas João mostra também Jesus a cuidar da Mãe. Há reciprocidade. Também eu sei deixar-me cuidar? Quem foi colocado por Deus junto de mim quando eu precisava?