John Lee Memorial Hospital de Tonj, Sudão

Sudão do Sul: O Projeto de Tonj do Pe. Omar Delasa

Médico de formação, o sacerdote salesiano Omar Delasa criou no Sudão do Sul em 2007 o Tonj Project para levar ajuda a uma população que durante décadas só conheceu a experiência da guerra.

O Pe. Omar Delasa é natural de Rogno, província de Bergamo, vive e trabalha na obra salesiana de Sesto San Giovanni, perto de Milão, mas sempre que pode voa para o Sudão do Sul, para Tonj, onde fundou em 2007 o “Tonj Project Onlus”, Organização Não Lucrativa de Utilidade Social.

Natural de uma aldeia muito pequena nas montanhas de Bergamo, “onde todos se conhecem e se ajudam”, a escolha do curso de medicina e, mais tarde, da Vida Consagrada na congregação dos Salesianos de Dom Bosco foram naturais.

A primeira vez que esteve em Tonj foi em 2006 para uma experiência missionária na obra salesiana daquela cidade. Desde então, com o auxílio de voluntários e benfeitores, ajudou a criar um hospital de obstetrícia e ginecologia com 50 camas. O “John Lee Memorial Hospital” – em homenagem ao sacerdote salesiano coreano que criou o primeiro posto médico em Tonj – tem duas salas de operações, salas de parto, um laboratório de análises e uma casa capaz de acomodar cerca de quinze voluntários. Graças à articulação de esforços em Itália e no Sul do Sudão, a associação é responsável pela organização e gestão do hospital, pela sua manutenção e pela formação do pessoal local e outros projetos.

“Em 2006, ano da minha primeira participação na missão salesiana de Tonj, o Sudão do Sul ainda não existia: era apenas uma região do Sudão, país que estava em guerra havia 23 anos para conquistar a independência. Ali vivi sofrimento, ouvi pela primeira vez na minha vida o som de uma granada a explodir, vi o que é uma epidemia e como pode ser gerida sem um hospital e com muito poucos medicamentos. Nasceu um amor que, graças à ajuda de muitas pessoas boas, cresce todos os dias. Junto com o amor, nasceu um hospital, bolsas de estudo, muitos serviços pequenos e grandes, muitos pacientes tratados, construção de poços para acesso a água potável… Muitas coisas, enfim”, contou numa entrevista à revista Marie Claire italiana.

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Devido às longas guerras que assolam a região há quase 40 anos, a situação social no Sudão do Sul é uma das mais dramáticas do mundo. A mortalidade infantil nos primeiros cinco anos de vida é de 380 por 1000 nascimentos, 102 no primeiro ano. Uma mãe em cada sete morre durante o parto. Mais de 40% das mulheres não recebem qualquer tipo de assistência durante a gravidez, parto e pós-parto. No país há poucos hospitais, e quase todas as mulheres dão à luz em casa sem qualquer assistência. Noventa por cento da população vive com menos de 1 dólar por dia, menos de 50% da população tem acesso a uma fonte de água potável e menos de 7% tem acesso a saneamento adequado.

Pe. Omar Delasa com crianças sudanesas

Para o Pe. Omar este projeto só existe pela disponibilidade desinteressada de voluntários e de pessoas comprometidas. Chama-lhes “exército silencioso”. Gente que muda as suas vidas e, dessa forma, a de muitas outras pessoas.

“Em torno de toda esta tristeza que muitas vezes leva o nome da exclusão, pobreza, guerra, fome, existe o mundo fantástico dos voluntários, os verdadeiros, aqueles que dão horas, dias e mesmo anos das suas vidas para caminhar e dar esperança. Poucas pessoas falam sobre eles porque talvez prefiram que seja assim”, desabafa o salesiano. “Tive a sorte de os juntar em torno de um projeto”.

Os voluntários são médicos, mas não só. São alunos, pais e colaboradores da obra dos Salesianos de Sesto San Giovanni e de outras obras salesianas da região, membros da Família Salesiana, amigos e simpatizantes de Dom Bosco que durante os meses de férias de verão deixam Itália rumo ao Sudão do Sul para servir e levar ajuda à população local. Seja no Hospital, na instalação de equipamento para a produção de energia elétrica ou água potável. Graças às ajudas que este pequeno projeto conseguiu juntar, vários antigos alunos da obra salesiana de Tonj frequentam a universidade da capital Juba. Dois deles estão a formar-se em Medicina e um em Enfermagem. A esperança do Pe. Omar é poder alargar a oferta de bolsas de estudo para dar mais oportunidades de formação aos jovens de Tonj.

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Texto adaptado de ANS e tonjproject.com

Publicado no Boletim Salesiano n.º 585 de Março/Abril de 2021

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