Novo ano letivo desafia alunos salesianos a terem coragem para fazer o bem

As escolas salesianas iniciam o ano letivo 2026/2027 com cerca de 10 mil alunos e milhares de histórias que voltam a cruzar-se nos corredores, salas de aula e pátios. Sob o tema pastoral “Coragem! Vai e faz o bem.”, o convite é claro: enfrentar os desafios com confiança, estar atento aos outros e transformar os pequenos gestos de cada dia em oportunidades para fazer o bem.

As escolas salesianas voltaram a encher-se de vozes, passos, perguntas, expectativas e sonhos. Entre alunos que regressam a lugares já familiares, há também muitos que chegam pela primeira vez.

Este ano, 1088 alunos começam esse caminho nas escolas salesianas: 328 em Lisboa, 257 no Estoril, 202 em Manique, 150 no Funchal, 85 no Porto e 66 em Évora.

Atrás destes números estão 1088 histórias que começam a cruzar-se com muitas outras. Novos colegas, novos professores, novas amizades e uma comunidade que, pouco a pouco, começa também a fazer parte da história de cada um.

É nestes primeiros dias que a coragem deixa de ser apenas uma palavra e se torna concreta nos desafios de cada um.

Para a Inês, do 9.ºA dos Salesianos do Funchal, o que mais exige coragem, este ano, é “ultrapassar as dificuldades tanto na escola como na nossa vida, ser fiel a nós mesmo nos momentos mais assustadores e, acima de tudo, confiar sempre nas nossas capacidades”.  A Sofia, também do 9.º A, encontra a coragem precisamente no confronto com aquilo que nem sempre é fácil: “enfrentar os medos, fraquezas e pontos fracos”.

A coragem de acompanhar

Mas estes desafios não são vividos a sós. Ao lado dos alunos estão professores, educadores e colaboradores que, todos os dias, escutam, incentivam, desafiam e acompanham. Para eles, o novo ano traz uma pergunta: que bem queremos ajudar a fazer na vida daqueles que nos são confiados?

É nessa presença quotidiana – feita tantas vezes de gestos simples, atenção e confiança – que o tema pastoral deste ano se torna, também, um compromisso concreto para quem educa.

Sara Lucas, professora nos Salesianos do Funchal, assume como um dos seus objetivos “acompanhar os seus alunos com alegria e responsabilidade”. O professor Eduardo, também dos Salesianos do Funchal, coloca a atenção noutro gesto essencial: ouvir. Não apenas com os ouvidos, explica, mas com “todos os sentidos, em especial com o coração”.

Entre quem começa o ano com uma ligação muito particular à escola está Teresa Mesquita, antiga aluna dos Salesianos de Lisboa, que regressou à escola com novos papéis: como professora de Matemática e, também, como mãe.

O regresso trouxe-lhe “alguma nostalgia”, mas, sobretudo, um forte sentimento de gratidão e pertença. “É como se sentisse vontade de retribuir tudo o que recebi e que, na altura, não compreendi. (…) Os Salesianos são, sem dúvida, um lugar onde eu sinto que pertenço. Devo muito do que sou a este colégio.”

Há algo de particularmente significativo neste regresso. Quem um dia foi acompanhado volta agora para acompanhar outros. A mesma escola torna-se cenário de diferentes etapas de uma vida e aquilo que foi recebido transforma-se, anos mais tarde, em algo que pode ser oferecido aos outros.

Ser o primeiro a fazer o bem

Também para quem se dedica à pastoral da escola, o início do ano é uma oportunidade de renovar escolhas.

Daniela Calças, da Pastoral dos Salesianos de Lisboa, parte de uma ideia muito simples: “o bem contagia”.  Para ela, tudo começa no testemunho quotidiano: “Ser a primeira a acolher, para que os outros vejam a alegria que há em não excluir ninguém e façam o mesmo. Ser a primeira a ajudar, para que os outros vejam como podemos mudar a vida de alguém.”

Num universo de cerca de 10 mil alunos, será impossível contar todas as vezes em que alguém vai escolher acolher, escutar, ajudar, perdoar, tentar novamente ou simplesmente ficar ao lado de quem precisa.

E talvez nem seja preciso contá-las.

Porque um novo ano letivo não se mede apenas pelo número de alunos que entram nas escolas. Mede-se, também, pelas relações que aí se constroem, pelas pessoas que crescem e pelo bem que cada uma delas decide colocar em circulação.

“Coragem! Vai e faz o bem.” pode começar precisamente aí: no próximo gesto.

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