África do Sul: Uma escola para aprender a viver

A “Learn to Live School of Skills”, dos Salesianos da Cidade do Cabo, é o que o próprio nome indica: uma escola que ensina a viver. Os seus alunos são especiais: rapazes descartados pela sociedade, sem os instrumentos necessários para alterar a situação de pobreza e de marginalização a que estão sujeitos.

Cassidy é um jovem talento da arte do penteado. Há um ano diplomou-se na “Learn to Live School of Skills” da Cidade do Cabo, África do Sul, e logo encontrou trabalho num salão de prestígio, o Waterfront. Habitualmente na sua idade, 20 anos, entra-se como aprendiz e tem-se de esperar antes de ver consolidado o contrato. A firma que o contratou faz parte de uma cadeia de empresas ao serviço dos turistas e das pessoas com maior poder de compra da capital. Para Cassidy um ótimo início do percurso profissional, no qual havia apostado convictamente o seu professor e tutor Namhla. Mas a pandemia da Covid-19 não poupou a Cidade do Cabo, que baseia no turismo uma boa parte dos seus negócios: voos internacionais suspensos, hotéis fechados, safaris impraticáveis, muitos assalariados despedidos. No início de 2020, esta derrocada também afetou Cassidy. Entretanto foi contratado a tempo inteiro no Partner Gents, como cabeleireiro de homens. A satisfação de Namhla é dupla: o seu aluno encarna não só a capacidade técnica para desenvolver ao máximo a sua profissão, mas também o espírito empreendedor que a escola procurou incutir-lhe.

Cassidy formou-se na “Learn to Live School of Skills”

A “Learn to Live School of Skills” é o que o próprio nome indica: uma escola que ensina a viver. São alunos especiais: descartados pela sociedade, sem os instrumentos necessários para alterar a situação de pobreza e de marginalização a que estão sujeitos. Cassidy nasceu em Mitchells Plain, uma das muitas cidades segregadas que surgiram na periferia da Cidade do Cabo nos anos 1970. Uma grande periferia para “pessoas de cor”.

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A fórmula da “Learn to Live School of Skills” desenvolve-se no carisma salesiano. Os salesianos chegaram a esta cidade há 110 anos. Na zona do porto, onde era mais fácil encontrar rapazes à espera de ser chamados para carregar e descarregar os navios mercantis, os Filhos de Dom Bosco fundaram a sua Casa em Greenpoint, ponto nevrálgico da cidade. É uma obra que se ocupa de formação escolar. Atravessou as controversas vicissitudes de um colonialismo particularmente opressivo, da luta contra o apartheid, da esperança popular quando Nelson Mandela foi libertado e se tornou presidente da nova África do Sul.

Entretanto a atividade da “Learn to Live School of Skills” não para, e prevê consolidar as suas capacidades de intervenção envolvendo novas parcerias. Foi escolhida entre as 100 escolas de todo o mundo para a Jornada Mundial da Educação, estabelecida pelas Nações Unidas, que decorreu em 2020. Ligados via web, docentes e alunos explicaram ao mundo como a escola produziu uma mudança radical no mundo da educação e como superaram algumas dificuldades. A instituição teve de garantir o transporte e a alimentação para a população que frequenta a escola, dadas as graves dificuldades económicas dos alunos e das suas famílias. Em 2019, o último ano antes da pandemia, os salesianos serviram 47.354 refeições. O custo deste programa alimentar é de cerca de 70 cêntimos por aluno. O rendimento diário de metade da população é inferior a este valor. Os quatro anos dos cursos, distribuídos por 202 dias de frequência, são totalmente gratuitos para os 230 estudantes, entre os 14 e os 18 anos. “Os alunos são encaminhados para estes cursos mediante a intervenção dos tribunais, dos assistentes sociais, dos dirigentes escolares locais ou dos pais desesperados”, explica o padre Pat Naughton, salesiano encarregado da logística da “Learn to Live School of Skills”. A formação profissional é completada com outras formações mais gerais da pessoa: música e desporto são duas referências da abordagem global proposta pelos salesianos, que mereceu uma subvenção por parte do Conselho Nacional das Artes para a formação de um coro. Um efeito indireto é o benefício psicológico para os alunos. O ambiente da escola, longe dos problemas e dificuldades, é por si só terapêutico.

Texto adaptado de Boletim Salesiano Itália.

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Publicado no Boletim Salesiano n.º 593 de julho/agosto de 2022

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