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Tríduo: Dom Bosco e Francisco Besucco, e a receita educativa da bondade

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Francisco ouvira falar do Oratório de Dom Bosco e queria nele entrar embora sabendo que não seria fácil, devido à extrema pobreza dos pais. Um dia, depois de fazer a Comunhão e rezar a Nossa Senhora, ouviu uma voz que lhe encheu o coração de alegria: “Tenha confiança, Francisco, porque o seu desejo será satisfeito”. Completamos o tríduo de ANS para a Festa de Dom Bosco com o terceiro rapaz, cuja vida foi escrita pelo Santo dos Jovens.

Chegando a Valdocco, Francisco se encontra totalmente envolvido pela atmosfera de Sávio e Magone. Perdurava sua fama de santidade e a vida se desenvolvia em torno de Dom Bosco e dos seus primeiros colaboradores. Dom Bosco é o inspirador, antes o gerador daquela vida: “Quem não viu o Santo entre os seus jovens no Oratório – escreve o P. Caviglia –, nunca poderá fazer uma ideia adequada do que fosse a sua presença nem a compenetração que havia do seu espírito com o de seus meninos. Dizer que era um pai já parece muito, mas no mundo do espírito não chega a dizer tudo. É preciso pensar numa quase fascinação amorosa e amorável de um coração compreensivo e compreendido, que dispõe de toda a virtude que lhe vem dos dons supernos da santidade. Não era trepidante veneração perante o sacro misterioso: havia uma inconsciente sinfonia de almas que, sem explicações, se compreendiam, numa linguagem que a palavra não é capaz de traduzir”.

Besucco chegando ao oratório leva consigo notável sentido de gratidão pelos dons que Deus semeou em sua jovem vida. Essa atitude “eucarística” não escapa ao olhar educativo de Dom Bosco que, vendo a bondade de coração do pastorzinho, a sua sensibilidade pelos dons recebidos, o seu espírito de agradecimento para quem lhe quis e fez bem, reconhece o trabalho que a graça já fizera e como o jovem pastorzinho tinha correspondido, com coração dócil, à ação do Espírito Santo.

Besucco chega ao oratório com a sensação de entrar num santuário, julga seus companheiros “todos mais virtuosos que ele” e se define a si mesmo como um mau sujeito; perturba-se e vai expor as suas dificuldades a Dom Bosco. “Eu gostaria de ser bom como eles – lhe diz – mas não sei como fazer”. A resposta é um dos documentos pedagógicos fundamentais do santo educador: “Se queres tornar-te bom põe em prática só três coisas e tudo irá bem. E quais são essas três coisas? Alegria, Estudo, Piedade. Este é o grande programa. Se o seguir, poderá viver feliz e fazer muito bem à sua alma”. Francisco procura seguir o programa que lhe foi proposto com toda a sua alma, com o objetivo de chegar a “muito bom”. O seu perfil espiritual se desenha segundo a linha traçada por Dom Bosco.

É exatamente na vida de Besucco que se encontra uma sentença de importância capital, relativa à educação de Dom Bosco: “Diga-se o que se quiser acerca dos vários sistemas de educação; mas eu não encontro nenhuma base segura senão na frequência da confissão e da comunhão; e creio não exagerar afirmando que sem estes dois elementos desaparece a moralidade”. Para Dom Bosco a educação é constitutivamente transcendente, enquanto o objetivo educativo último que ele se propõe é a formação do fiel. Para ele, o homem formado e maduro é o cidadão que tem fé, que põe no centro da sua vida o ideal do homem novo proclamado por Jesus Cristo e que é uma corajosa testemunha das próprias convicções religiosas. Uma educação à fé que indicando a vida como um relacionamento de amizade profunda com Jesus, através do empenho e do esforço cotidiano para viver com sobriedade e piedade, se abre ao encontro definitivo, revelador, na vida do pequeno pastorzinho, do seu trabalho de santificação, a razão do seu penoso mortificar-se e da sua oração incessante: “Tenho uma coisa em que sempre pensei em minha vida; mas não podia imaginar que me haveria de causar tanto pesar na hora da morte. …. Sinto o mais amargo pesar porque em minha vida não amei bastante a Deus como Ele merece”.

Neste último dia, o P. Cameroni, que cuidou deste Tríduo de Dom Bosco, sugere zelar pelo exame de consciência e, se possível, celebrar o Sacramento do Perdão, i. é, a Confissão.

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