À primeira vista, eis um mandamento simples de viver. Sabemos bem que não devemos tirar nem ficar com o que é dos outros. No entanto, “não roubar” é mais que isso: fala de verdade e justiça.
Roubar não é somente ficar com o que não é nosso: é também copiar num teste, fazer um trabalho com a Inteligência Artificial e lucrar os méritos, mentir para benefício próprio, enganar ou ser preguiçoso no trabalho, desperdiçar recursos, explorar alguém… no fundo, “roubar” é querer sair sempre a ganhar, mesmo à custa dos outros.
Este mandamento de Deus chama-nos a viver com honestidade. A fidelidade no pouco vale mais do que a aparência do muito (cf. Lc 16, 10) e, por isso, é muito mais valiosa a sobriedade do que temos do que a opulência do que desejamos.
No Evangelho, Jesus elogiou Zaqueu não somente porque devolveu o que tinha roubado, mas sobretudo por ter compreendido que a justiça começa quando deixamos de pensar só em nós e damos a cada um o que é seu por direito (cf. Lc 19, 1-10). A conversão passa sempre pela consciência e pelo coração.
São João Bosco, aos seus jovens, exigia uma vida séria e honesta. Repetia-lhes com frequência: “lembra-te que Deus te vê”, não para que tivessem medo, mas para que se soubessem vigiados por um amor maior, que sustenta a honestidade.
Num mundo marcado pelo “ter”, este mandamento recorda-nos que o mais importante é o “ser”: ser honesto, ser justo, ser transparente. Hoje, isto é um ato de coragem, mas também o caminho da liberdade interior, pois quem vive na verdade, aproxima-se da luz (cf. Jo 3,21).
Ilustração: “La Zingara”, Michelangelo Merisi Caravaggio (c. 1595/96)/CC
Publicado no Boletim Salesiano n.º 613 de janeiro/fevereiro de 2026
Torne-se assinante do Boletim Salesiano. Preencha o formulário neste site e receba gratuitamente o Boletim Salesiano em sua casa.
Faça o seu donativo. Siga as instruções disponíveis aqui.








