No 150.º aniversário da expedição que inaugurou a extensão da presença salesiana para as missões, recordamos as primeiras presenças missionárias dos Salesianos de Portugal e os seus primeiros missionários.
Tem consigo algumas fotografias e recorda: “A fotografia não tem qualidade. Mas são duas meninas para quem consegui dinheiro para duas máquinas de costura e dei-lhes as máquinas”. “Esta é da escola de Matundo, Escola Dom Bosco.” “E estes são os nossos meninos mais queridos. São meninos de Moatize. Crianças da rua, meninos que andam por ali.”

“A pobreza hoje é igual”, lamenta, apesar de viverem num local com riqueza natural explorada por empresas estrangeiras. “Mas as pessoas continuam pobres.”
O Sr. Joaquim Raposo, coadjutor salesiano, foi aluno interno de serralharia das Oficinas de São José de Lisboa. Tem agora 85 anos. Pouco depois da Profissão Perpétua, foi enviado para Moçambique em 1966, para a Namaacha, a 80 km de Maputo, na fronteira com a Suazilândia e a África do Sul. Vai para o Instituto Mouzinho de Albuquerque, um colégio da Assistência Pública, o equivalente à Segurança Social, entregue aos Salesianos em 1952. Aí fica durante os primeiros nove anos.
Em Moçambique durante trinta e cinco anos, “correu” praticamente todas as casas: Namaacha, Maputo, Moamba, Matola, Matundo e Inharrime. E fez de tudo. Deu aulas, foi mestre de oficina, fez assistência, foi gestor, montou escolas e oficinas. “A minha formação técnica foi útil para a Congregação”, conta. Regressou a Portugal por duas vezes, após o 25 de Abril, entre 1975 e 1992, e entre 2005 e 2007.
Das missões ligadas à Província Portuguesa da Sociedade Salesiana, Moçambique foi aquela que concentrou o maior número de missionários, tendo vários deles ficado durante décadas como o Pe. Luís Belo (27 anos), o Pe. José Adolfo (34 anos), o Sr. António Pedrosa (53 anos), o Pe. Francisco Lourenço (43 anos) ou o Pe. Manuel Leal (25 anos), entre outros.
“Ser missionário não é ser aventureiro. Tem que se ir munido de uma fé e um espírito muito firmes. Porque as dificuldades são imensas.” “Momentos felizes foram muitos.”
Regressou definitivamente a Portugal em 2021, uns dias antes de fazer 80 anos.

Nome: Joaquim Raposo, sdb
Idade: 85 anos
Missão: Moçambique: 1966-1975 como professor e assistente; 1992-2004 administrador, professor e assistente; 2007-2021, ecónomo e responsável da formação profissional
Publicado no Boletim Salesiano n.º 616 de julho/agosto de 2026. Suplemento 150 anos das Missões Salesianas. “2006, Visitadoria de Moçambique”
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