Dia Mundial das Missões: jovens salesianos descobrem o valor do encontro e do serviço

Ao longo do verão de 2026, alguns jovens participaram em experiências missionárias de curta duração promovidas pelos Salesianos em Portugal e Cabo Verde. No Dia Mundial das Missões, que se celebra a 18 de outubro, partilhamos os seus testemunhos, marcados pelo encontro com novas realidades, pela proximidade às comunidades e pela descoberta de que partir em missão é também uma oportunidade de transformação pessoal.

Partir, conhecer novas realidades, partilhar o quotidiano com outras comunidades e colocar-se ao serviço dos outros. Foi este o desafio vivido por jovens que, durante os meses de julho e agosto de 2026, participaram em experiências missionárias de curta duração promovidas pelos Salesianos em Portugal e Cabo Verde.

Mais do que uma experiência de voluntariado, estas missões proporcionaram momentos de encontro, aprendizagem e crescimento pessoal e espiritual. No contacto com as crianças, os jovens e as comunidades locais, os participantes descobriram novas formas de viver a solidariedade, a fé e o compromisso com os outros.

Neste Dia Mundial das Missões, os seus testemunhos ajudam a compreender o significado destas experiências e o impacto que tiveram nas suas vidas.

A descoberta do essencial nos pequenos gestos

Para Inês Barbosa, que iniciou a sua experiência missionária a 5 de agosto, em Angola, os momentos mais marcantes não estiveram associados a grandes acontecimentos, mas à simplicidade das relações construídas diariamente.

“Acredito que o momento que mais me marcou não foi um grande evento, mas sim o dia a dia com as crianças e a comunidade, os sorrisos espontâneos e a alegria contagiante, mesmo com tão pouco. Ali, descobri que o essencial se vive na simplicidade”, recorda.

A jovem resume a experiência em três palavras – encontro, amor e gratidão – e destaca a forma como a missão transformou a sua maneira de olhar para a vida e para a fé.

“Partir em missão foi um salto de fé e redescobri Deus nos gestos mais pequenos. Regresso com o coração transformado e com a certeza de que recebi muito mais do que aquilo que dei”, afirma.

Moçambique: uma experiência que transforma

João Coito, que participou numa missão na comunidade salesiana de Moatize, em Moçambique, confidencia que encontrar palavras para descrever a experiência continua a ser um desafio.

“Talvez certas experiências não possam ser verdadeiramente explicadas. Talvez seja preciso vivê-las para compreender tudo aquilo que despertam em nós. É preciso sentir os cheiros, observar a realidade que nos rodeia, conhecer as histórias que se escondem por detrás de cada rosto e aprender a partilhar o quotidiano com pessoas que, em tão pouco tempo, passam a fazer parte da nossa vida”, refere.

Ao longo de um mês, o jovem partilhou o quotidiano da comunidade, participou em atividades com os alunos da escola e viveu momentos de convívio com os aspirantes salesianos. Entre dificuldades, cansaço e momentos de alegria, descobriu o significado da presença e da proximidade.

“Era nos pequenos gestos, nos sorrisos, nos encontros e na proximidade que se tornava mais evidente a razão de estarmos ali”, recorda.

Entre as muitas pessoas que conheceu, João destaca a amizade construída com Castro, um jovem da comunidade que o marcou pela sua resiliência e capacidade de enfrentar as dificuldades sem perder a alegria.

“O Castro mostrou-me que, mesmo quando a vida não nos facilita o caminho, há uma força especial em quem não desiste, em quem continua a sorrir e em quem não perde a bondade”, partilha.

A experiência permitiu-lhe também reconhecer, nas atividades e nas relações do dia a dia, a presença de Deus e o espírito de família, característico das comunidades salesianas.

“Não sei explicar exatamente o que mudou em mim durante aquele mês, nem se algum dia conseguirei encontrar as palavras certas para o fazer. Sei, isso sim, que já não sou o mesmo João que partiu para Moçambique”, conclui.

Tete: a alegria de viver o espírito de Dom Bosco

Para Maria Gomes, partir em missão significou concretizar um sonho de infância. A experiência levou-a até Tete, em Moçambique. E, tal como o João Coito, teve a oportunidade de conhecer de perto o quotidiano de uma comunidade salesiana e participar em diferentes atividades educativas e pastorais.

Entre formações e festas escolares, foi a experiência de integrar, pela primeira vez, um oratório salesiano que mais a marcou. “A alegria das crianças, o protagonismo juvenil e a Boa Tarde emocionaram-me. O oratório só terminava porque tínhamos de partir; se ficássemos, continuariam a chegar crianças”, recorda.

A jovem destaca também a capacidade de criar relações e partilhar momentos de alegria, mesmo quando a língua representava uma dificuldade na comunicação.

“Mesmo quando a língua era uma barreira, encontrávamos formas de comunicar. Percebi que não era preciso muito para as fazer felizes: três horas de música seriam suficientes para garantir a diversão de tantas crianças.”

A convivência com a comunidade e com os 21 aspirantes salesianos, provenientes de diferentes regiões de Moçambique, reforçou o sentimento de pertença e a experiência de família.

Ao regressar, trouxe consigo uma nova forma de olhar para a vida e para aquilo que considera verdadeiramente importante.

«Fui para dar, mas acabei por receber em dobro. Regressei com a mala (…) bem mais vazia, mas com o coração cheio”, partilha.

Cabo Verde: aprender a confiar e a cuidar

Francisca viveu, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, três semanas de missão marcadas pelo acolhimento, pela alegria e pela descoberta de novas formas de estar ao serviço dos outros.

Apesar dos receios iniciais, a proximidade das pessoas e o ambiente familiar da comunidade ajudaram-na a sentir-se rapidamente em casa. Entre as atividades da escola de verão, os encontros na Ribeirinha e os momentos partilhados com os jovens e as famílias, Francisca descobriu o valor da confiança e da disponibilidade.

“São Vicente ensinou-me a abrandar, a confiar mais e a não colocar tanta pressão sobre mim mesma. Talvez por isso tenha conseguido olhar com mais atenção para tudo aquilo que Deus me queria mostrar”, partilha.

A jovem destaca também a presença de Heidy – “exemplo bonito de serviço aos outros” -, cuja dedicação à comunidade se tornou um exemplo concreto de generosidade e serviço.

“A sua dedicação, alegria e compromisso marcaram-me profundamente.”, recorda.

Para Francisca, a experiência missionária reforçou o desejo de continuar a viver a fé através do encontro e da atenção aos outros, reconhecendo a presença de Deus nas pessoas com quem se cruzou.

“Se já estava certa de que Deus se faz presente no mais simples, então agora sinto-o mais do que nunca. Entre os sorrisos das crianças, o acolhimento da comunidade, a dedicação dos animadores e o espírito de família tão próprio dos Salesianos, era impossível não O encontrar”.

Grata por tudo o que viveu, Francisca tem a certeza de que se entregou e deu o seu melhor.  “Deixei no Mindelo um bocadinho de mim, mas também trouxe comigo um bocadinho de cada um dos que lá encontrei”.

Uma missão que continua depois do regresso

As experiências partilhadas pelos jovens mostram que a missão não se limita ao tempo passado junto das comunidades. Continua nas relações, nas escolhas e na forma como cada participante passa a olhar para o mundo e para as pessoas que o rodeiam.

Inspiradas pelo espírito de Dom Bosco, as experiências missionárias salesianas valorizam a proximidade, a educação e o encontro, convidando os jovens a colocar os seus talentos ao serviço dos outros e a descobrir uma fé vivida em gestos concretos.

Neste Dia Mundial das Missões, os testemunhos recordam que ser missionário não significa apenas partir para outro lugar. É também aprender a escutar, estar disponível, cuidar e levar para a vida quotidiana aquilo que se descobriu no encontro com os outros.

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