A trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina Maria da Costa e a dedicação do novo Santuário Eucarístico de Balasar assinalam um momento de particular significado para a Igreja e para a Família Salesiana. Em entrevista, D. José Cordeiro, Arcebispo Metropolita de Braga, reflete sobre a atualidade do testemunho da Beata Alexandrina, a sua ligação à espiritualidade salesiana e o desejo de que o novo santuário seja uma “casa de portas abertas”, onde cada pessoa possa encontrar acolhimento, paz e esperança.
O que significa trazer os restos mortais da Beata Alexandrina para este novo santuário?
Significa beijar o céu! Este santuário eucarístico tem esta forma de tenda a apontar para o céu, para a eternidade. E do altar, nasce essa cruz que se vê ao largo e ao longe.
A presença dos restos mortais da Alexandrina neste lugar remete-nos para uma atitude de adoração, porque o túmulo está voltado para o sacrário, que representa a continuidade da celebração da Eucaristia. Nesta atitude de oração e adoração, Alexandrina aponta-nos para o essencial, para o Evangelho. E fá-lo a partir do mais profundo, que é o silencio do coração.
O que mais o toca neste testemunho que a Beata Alexandrina nos deixou?
O que mais me toca é ela ter tocado tantos corações e, a partir da cama do seu quarto, durante tantos anos, ter exercido uma ação missionária fora do vulgar.
Ela tinha o grande desejo de ser missionaria. E foi! E continua a ser, porque leva Jesus a todos aqueles que, de coração sincero e verdadeiro, O querem acolher.
A 71 anos da sua Páscoa, ela continua a ser esta Páscoa viva. Alexandrina está viva, porque muitas pessoas se encontram com Cristo através dos seus escritos, da sua vida e do seu testemunho, quer venham a Balasar, quer estejam em qualquer outro lugar do mundo.
É essa a forma que ela encontra, ainda hoje, para educar e tocar o coração de tantas pessoas?
Sim. O facto de ela ter sido salesiana cooperadora e os Salesianos estarem presentes em todo o mundo é uma forma de ela continuar presente.
Eu fiquei impressionado ao saber que ela tem já uma igreja dedicada no México, e em tantos outros países, porque tendo tocado a espiritualidade e a mesma centralidade que João Bosco, na alegria do encontro com Cristo, na Eucaristia e com a senhora “mãezinha”, a Mãe auxiliadora, que é “mãezinha” para a Alexandrina – e ela mesmo com o nome de Maria – continua a irradiar luz e agora, com mais esplendor, mais fascínio, a partir da beleza deste santuário eucarístico.
Que lugar gostaria que este santuário fosse para quem aqui chega à procura de paz, de sentido ou de esperança?
Uma casa. A missão da Igreja é ser casa, é criar casa. E, o santuário, está projetado, preparado, contruído para ser casa. E, casa de portas abertas. O que desejo é que, quem aqui vier, tenha sempre alguém que o possa acolher e possa sair daqui transformado ou pelo menos inquietado, provocado por esta mensagem tão marcante.
Se tivesse de explicar o momento que vivemos hoje, numa só frase, o que é que diria?
Extraordinário.
Que mensagem quer deixar a todos quantos chegam a Balasar?
Não tenham medo de tocar o mistério e de o experimentar, como Alexandrina o fez. Cada um consoante a sua idade, a sua responsabilidade, a sua vocação. Mas tenham audácia do essencial, o mesmo é dizer de Jesus Cristo, que é o Evangelho, e do Evangelho é Jesus Cristo.
Alexandrina é um testemunho feliz e eloquente que nos aproxima do mistério que é o coração pulsante da vida da igreja porque sem ele não faz sentido a nossa vida.



