O novo Santuário Eucarístico de Balasar foi dedicado este domingo, dia 11 de outubro, numa celebração presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso. Na homilia, o representante do Papa Leão XIV destacou a centralidade da Eucaristia, o testemunho de santidade da Beata Alexandrina e o apelo a transformar a fragilidade em oportunidade de amor e entrega aos outros.
A celebração solene da dedicação da igreja e do altar assinalou um momento histórico para Balasar e para os devotos da Beata Alexandrina Maria da Costa, cuja vida e espiritualidade estão profundamente ligadas à Eucaristia.
A cerimónia, presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, aconteceu um dia depois da trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina, da igreja paroquial de Balasar para a capela tumular do novo Santuário, que passa a acolher as suas relíquias.
Para além do Núncio Apostólico, a celebração contou com a presença de vários responsáveis da Igreja Católica em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente, D. José Cordeiro, Arcebispo Metropolita de Braga; o Cardeal D. António Marto, Bispo Emérito de Leiria-Fátima; o Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal; e D. Jorge Ortiga, Arcebispo Emérito de Braga.
A lista de presenças incluiu ainda D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar Emérito de Lisboa; D. Sérgio Dinis, Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança; D. Fernando Francisco, Bispo Auxiliar de Luanda, Angola; D. António Moiteiro, Bispo de Aveiro; D. Antonino Dias, Bispo Emérito de Portalegre-Castelo Branco; D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita, ambos Bispos Auxiliares de Braga.
No âmbito das presenças religiosas, estiveram também presentes o Pe. Tarcízio Morais, Provincial dos Salesianos de Portugal e Cabo Verde, bem como o Pe. Pierluigi Cameroni, sdb, Postulador Geral para a causa de canonização da Beata Alexandrina Maria da Costa.
No que às entidades civis diz respeito, estiveram presentes Carla Barros, deputada do PSD; Domingos Teixeira, vice-presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto; Vítor Costa, presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, e o vereador Paulo Vasques; Filipe de Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho; Andrea Silva, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, e os vereadores Marco Barbosa e Carina Moreira; e D. Duarte Pio.
No exetrior, e movidos pela fé e devoção à Igreja e à Beata Alexandrina, foram muitos os fiéis e peregrinos que fizeram questão de estar presentes, vivenciando este momento histórico.


“O amor a Cristo é o segredo da santidade”
Na homilia, D. Andrés Carrascosa Coso começou por explicar o significado dos principais ritos da dedicação, convidando os fiéis a reconhecerem que a consagração de uma igreja não diz respeito apenas a um edifício, mas também à missão de todos os batizados.
“Todos nós, batizados, somos pedras vivas com as quais se constrói o novo templo, que é o Corpo de Cristo”, afirmou, sublinhando que cada cristão é chamado a colocar os dons recebidos ao serviço dos outros e a assumir uma responsabilidade concreta na comunidade.
O Núncio Apostólico destacou, ainda, os símbolos da água, do Santo Crisma, do incenso e da luz, presentes na celebração. A água recorda o Batismo e a condição de filhos de Deus; a unção com o Crisma lembra a pertença a Cristo; o incenso evoca a oração; e a luz aponta para a missão dos cristãos de serem referência numa sociedade tantas vezes desorientada.
“Nosso Senhor não nos chamou a deslumbrar; chamou-nos a iluminar”, afirmou, apelando a um testemunho de vida coerente com o Evangelho.

A Beata Alexandrina: uma vida oferecida por amor
A parte central da homilia foi dedicada à figura da Beata Alexandrina, apresentada como exemplo de santidade vivida no quotidiano, mesmo perante circunstâncias profundamente dolorosas.
D. Andrés Carrascosa Coso recordou que Alexandrina passou grande parte da vida acamada, mas foia capaz de transformou a sua condição numa missão espiritual marcada pela oração, pela entrega e pela preocupação com os outros.
O Núncio sublinhou, ainda, que a espiritualidade da Beata Alexandrina era profundamente eucarística. Impedida de percorrer fisicamente o mundo, encontrou na oração uma forma de missão e fez da união com Cristo no Sacrário o centro da sua existência.
Recordou também a ligação de Alexandrina à Família Salesiana – destacando a promessa de Salesiana Cooperadora que fez em 1944 -, e referindo que ofereceu, particularmente, a sua oração e o seu sofrimento pelos jovens e pela sua salvação.
A vida da Beata Alexandrina, salientou o Núncio, mostra que a santidade não depende da realização de grandes obras nem da visibilidade pública, podendo crescer no seio de uma família, na doença, no trabalho e nas circunstâncias aparentemente mais simples da existência.
“O amor a Cristo é o segredo da santidade!”, recordou, citando São João Paulo II na beatificação de Alexandrina.
Na conclusão da homilia, D. Andrés Carrascosa Coso expressou o desejo de que este espaço sagrado ofereça aos peregrinos “silêncio e contemplação no meio da agitação do mundo” e os ajude a encontrar Cristo através da Palavra, da Reconciliação e da Eucaristia.
A Eucaristia no centro
A dedicação da igreja e do altar incluiu os ritos próprios desta celebração litúrgica, entre os quais a Ladainha dos Santos, a colocação de relíquias sob o altar, a unção com o Santo Crisma, a incensação e a iluminação festiva do edifício.
Entre as relíquias colocadas sob o altar encontram-se as da Beata Alexandrina Maria da Costa; de São Pedro de Rates; São Frei Bartolomeu dos Mártires; São Frutuoso; São Geraldo; de São Martinho de Dume; de São Félix Torcato, bispo e mártir; do Beato Mário Félix, mártir bracarense, bem como de São Carlo Acutis.
Um dos momentos particularmente significativos aconteceu antes da Comunhão, quando a Irmã Emília Almeida, animadora e promotora da Causa de Canonização da Beata Alexandrina Maria da Costa recordou as palavras e a experiência espiritual da beata na sua Primeira Comunhão: “Quando comunguei, estava de joelhos, apesar de pequenina, e fitei a Sagrada Hóstia que ia receber de tal maneira que me ficou tão gravada na alma, parecendo-me unir a Jesus para nunca mais me separar d’Ele.” Este foi um convite especial para comungar bem na festa da Eucaristia.
Outro dos momentos de destaque foi a colocação do Santíssimo Sacramento no Sacrário da Capela da Adoração Eucarística, que sublinhou a centralidade de Cristo na vida do novo Santuário e na espiritualidade da Beata Alexandrina.
A dedicação hoje celebrada abre uma nova etapa para Balasar, reforçando a missão deste lugar de peregrinação na transmissão da fé e na divulgação do testemunho da Beata Alexandrina.
Mais do que um novo edifício, o Santuário é apresentado como um convite a colocar Cristo no centro da vida, a transformar o sofrimento em amor e a fazer da oração uma forma concreta de compromisso com os outros.









