A urna com os restos mortais da Beata Alexandrina Maria da Costa foi trasladada este sábado, dia 10 de outubro, da igreja paroquial de Balasar para o novo Santuário Eucarístico. Na celebração, presidida pelo Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, a espiritualidade eucarística e a dimensão missionária da vida da Beata estiveram em destaque. “Alexandrina será uma luminária da tenda do santuário”, afirmou o prelado, evocando o significado espiritual do novo lugar de veneração.
Balasar viveu, este sábado, um dos momentos mais marcantes da sua história religiosa, com a trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina Maria da Costa para o novo Santuário Eucarístico. A cerimónia, presidida por D. José Cordeiro, Arcebispo Metropolita de Braga, assinalou a passagem da urna da igreja paroquial para o espaço que, a partir de agora, acolhe os peregrinos que procuram o túmulo da Beata. Entre outras autoridades civis estiveram presentes D. Manuel Linda, Bispo do Porto; D. Rui Gouveia, Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa; D. Jorge Ortiga, Arcebispo Emérito de Braga; D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense de Portugal.
O momento representa uma nova etapa na história de um lugar profundamente ligado à vida de Alexandrina e ao seu testemunho de fé. Nascida em Balasar, a 30 de março de 1904, e falecida a 13 de outubro de 1955, Alexandrina Maria da Costa foi beatificada pelo Papa João Paulo II, a 25 de abril de 2004.
Na homilia, D. José Cordeiro destacou a riqueza humana e espiritual da vida da Beata, sublinhando a forma como a sua experiência de oração e sofrimento se tornou também expressão de uma profunda atenção aos outros.
“Alexandrina é uma pessoa tão cheia de pessoas!”, afirmou o Arcebispo de Braga, evocando uma mulher cuja vida, apesar de marcada pela limitação física e pelo recolhimento, não deixou de ter uma forte dimensão missionária.
O prelado recordou que o silêncio e a oração não significam afastamento dos outros, mas podem constituir um caminho de aprofundamento da relação com Deus e de abertura ao próximo. Neste sentido, desafiou os fiéis a encontrarem espaço para a interioridade, num tempo marcado pela rapidez e pela dificuldade em parar para refletir sobre a vida.




Testemunho de entrega
“É viver em profundidade, rejeitando a superficialidade; é viver com inteireza e com verdade”, afirmou D. José Cordeiro, na homilia em que convidou os cristãos a seguirem o exemplo de Alexandrina e a colocarem Cristo no centro da sua existência.
A centralidade da Eucaristia foi outro dos pontos fundamentais da reflexão. O Arcebispo recordou o amor da Beata pela presença de Cristo na Eucaristia e a forma como a sua vida se tornou testemunho de entrega, oração e confiança em Deus.
“O coração da Alexandrina ardia com a paixão missionária do Evangelho vivido”, sublinhou, destacando a dimensão evangelizadora de uma mulher que, mesmo a partir do quarto onde viveu grande parte dos seus últimos anos, manteve uma profunda ligação espiritual ao mundo e às pessoas.
A trasladação dos restos mortais assume, neste contexto, um significado que ultrapassa a mudança de lugar. Para D. José Cordeiro, a presença da Beata no novo Santuário constitui um sinal da continuidade do seu testemunho e da capacidade de a sua vida continuar a inspirar os fiéis.
“Os restos de Alexandrina são transladados para o santuário eucarístico. Ela será uma luminária da tenda do santuário”, afirmou o Arcebispo, associando a memória da Beata à imagem arquitetónica que caracteriza o novo edifício.
Depois de concluída a cerimónia, os restos mortais da Beata Alexandrina foram transportado pelos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim até ao novo Santuário Eucarístico, num percurso acompanhado por centenas de pessoas que encheram as ruas de Balasar de fé, devoção e muitas flores.
Na nova capela tumular, a Beata Alexandrina ficou rodeada de rosas, e repousa agora numa sepultura situada lateralmente e concebida de forma simples, procurando refletir a humildade que marcou a vida de Alexandrina e, de acordo com a vontade da própria, que está orientada para o Sacrário.

Um lugar de peregrinação de dimensão internacional
A devoção à Beata Alexandrina ultrapassa as fronteiras de Balasar e de Portugal. Ao longo dos anos, o seu testemunho tem atraído peregrinos de diferentes países, que encontram na sua história de vida uma referência espiritual, particularmente pela ligação à Eucaristia, à oração e à entrega a Deus.
A trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina abre um novo capítulo na história religiosa de Balasar. A igreja paroquial, onde a urna permaneceu até agora, continuará ligada à vida da comunidade paroquial, enquanto o culto em honra da Beata passa a estar centrado no novo Santuário Eucarístico.
A dedicação da igreja e do altar, no domingo, 11 de outubro, constitui o momento seguinte deste processo, formalizando a consagração do novo espaço ao culto. A celebração será presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso.
Mais do que a conclusão de uma obra, a abertura do Santuário representa o início de uma nova etapa pastoral para Balasar. O desafio passa por transformar a capacidade de acolhimento do novo espaço numa oportunidade de encontro, oração e transmissão da fé.



