Chihiro Jacob Morito, sdb (Sacerdote): Do Japão para o Sudão do Sul

Já em missão no Sudão do Sul, recebeu oficialmente a Cruz Missionária das mãos do Reitor-Mor no dia 11 de novembro de 2025. Integrou 156.ª Expedição Missionária Salesiana.

O que inspirou a sua decisão de se tornar missionário?

No Japão, trabalhei como assistente social psiquiátrico, no apoio a pessoas sem-abrigo e com transtornos mentais. Em 2011, deixei tudo e fui para o Sudão do Sul como voluntário, para ajudar crianças de rua, crianças-soldado e prostitutas menores de idade. Posso afirmar com certeza que foi Deus quem inspirou a minha vida. Ainda adolescente, influenciado pelo contexto em que vivia, e seduzido pelo poder, riqueza, prestígio e sucesso, como muitos jovens no Japão, tornei-me ateu. Sentia-me desorientado, sem entender como viver ou qual o sentido de minha existência. Procurava respostas profundas para as questões essenciais da vida.  Qual é o significado da minha vida? Por que estou aqui nesta terra? Se Deus existe, como podemos encontrá-lo? Quando tinha 18 anos, tive um sonho muito marcante. Na época eu ainda não era cristão. Foi então que comecei a interessar-me pela Fé e a religião católica de minha Mãe. Com paciência, esforço e muitas lágrimas, ela conduziu-me até à Igreja. Fui batizado. Fiz o Crisma. Mais tarde, quando já trabalhava, houve outra situação profundamente marcante. Uma voz que me disse para ir para África e tornar-me sacerdote. Assim fiz. Muitas vezes pensei em desistir. Mas sempre que eu estava prestes a voltar, tinha sonhos misteriosos que me encorajavam a continuar. No fim, decidi tornar-me salesiano. Hoje posso dizer com certeza: foi Deus quem me inspirou a ser missionário.

Algum novo projeto ou sonho?

Em sinal de gratidão a Deus por me ter salvo do ateísmo, desejo oferecer a minha vida até ao martírio no Sudão do Sul ou na Somália, onde a missão salesiana ainda nem começou. Nada nem ninguém que encontrei é mais belo, misterioso ou misericordioso do que Cristo, que interveio na minha história justamente quando eu O rejeitava.

Tem algum modelo de grande missionário cujo estilo e vida o inspiram?

O meu modelo de vida missionária é o Venerável Pe. Vincenzo Cimatti, um dos pioneiros missionários salesianos no Japão. O método educativo do Pe. Cimatti ensina que a vida cristã nasce de uma amizade íntima com Jesus. Na terra de missão, ele sempre sublinhou o valor da vida espiritual e da caridade: no Sistema Preventivo, o educador deve ser um Evangelho vivo, que conduza cada pessoa à amizade profunda com Cristo. Sem esse caminho interior – a santidade daquele que educa – a nossa Pastoral Juvenil corre o risco de se tornar apenas um serviço social ou assistencial.

Qual a sua mensagem para os jovens sobre a vocação missionária?

Santa Teresa de Ávila escreveu que era necessário morrer para não morrer, o que significa que devemos morrer primeiro para poder viver plenamente as nossas vocações.

No livro do Êxodo, capítulo 13, os israelitas estavam com medo. À sua frente estava o Mar Vermelho; atrás deles, os egípcios. Naquele momento, Deus disse: “Não tenham medo. Entrem na água. Eu estou convosco”.

Convido, portanto, os jovens a discernir as duas vozes nos seus corações, ouvindo sempre a voz da alma e seguindo-a fielmente para realizar a sua verdadeira vocação.

Publicado no Boletim Salesiano n.º 617 de setembro/outubro de 2026

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