O Sacerdote Melquisedec aparece brevemente na história de Abraão e o Livro dos Génesis diz-nos somente que é rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo (cf. Gn 14,18). Junto do Patriarca, ele traz pão e vinho e pronuncia uma bênção: «Bendito seja Abraão pelo Deus Altíssimo» (Gn 14,19) e depois desaparece do relato. Bastaram poucas palavras para que a sua figura atravessasse toda a Escritura e chegasse até à Carta aos Hebreus como imagem do sacerdócio de Cristo (cf. Heb 7,1-17).
A beleza da figura de Melquisedec está na sua capacidade de reconhecer a presença de Deus na história de outro homem. Abraão regressa de uma batalha e, nesse momento exigente, Melquisedec ajuda-o a compreender o sentido da própria vida e revela-lhe que é um homem abençoado. Deus esteve presente no seu caminho e aquela bênção revela uma história habitada por Deus. É também por isso imagem de Cristo, o verdadeiro sacerdote, que vem ao encontro da humanidade para revelar a bênção do Pai e fazer reconhecer a existência como lugar da Sua presença.
Também nós precisamos de aprender esta arte espiritual da bênção. Abençoar alguém é reconhecer o bem que Deus faz crescer na sua vida, ajudá-lo a descobrir a graça que pode ainda não conseguir ver e abrir diante dele um horizonte de esperança.
Melquisedec passa discretamente pela história de Abraão deixando atrás de si uma bênção. Esta é certamente uma bela forma de passar pela vida dos outros, ajudando-os a reconhecer que Deus continua presente e que toda a história permanece nas Suas mãos.
Imagem: Juan Antonio de Frías y Escalante (1668)/Museo del Prado
Publicado no Boletim Salesiano n.º 617 de setembro/outubro de 2026
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