Entregámos duas páginas à colaboração livre de um grupo de jovens. Orientados por um docente, este será um espaço aberto à sua criatividade.
A arte é, antes de mais, um modo de olhar os outros e de nos deixarmos ver. Não existe arte sem fruição, sem encontro, sem descodificação. Uma obra que ninguém vê perde parte da sua razão de existir, porque deixa de cumprir uma das suas funções primordiais, propor caminhos, suscitar reflexões e abrir espaço à interrogação. A arte transporta em si poucas respostas e muitas perguntas. É nesse território de incerteza, diálogo e descoberta que reside grande parte da sua força.
Tal como na vida, são muitas vezes os gestos mais simples que constroem cenários de extraordinária beleza. Gestos capazes de tocar e emocionar, de esconder e revelar, de aproximar pessoas e criar pontes entre experiências distintas. Gestos feitos para o outro. Gestos que procuram a ligação humana e a construção de comunidades mais atentas, mais sensíveis e mais disponíveis para o encontro.
Vivemos também um tempo em que surgem novos meios e linguagens artísticas, capazes de transformar a nossa perceção do mundo. No entanto, apesar da inovação tecnológica, permanece inalterada a necessidade fundamental de unir, de comunicar, de partilhar sentidos e de estabelecer relações significativas. A tecnologia não substitui essa necessidade, oferece-lhe apenas novas possibilidades de expressão.



Foi neste contexto que alunos e professores do curso de Artes Visuais dos Salesianos de Lisboa se juntaram à comunidade internacional de performers Tagtool. Este movimento reúne artistas multidisciplinares, maioritariamente provenientes do design e das artes plásticas, que utilizam a luz como matéria criativa. Com projetores, tablets e ferramentas digitais, transformam fachadas, paredes e espaços urbanos em telas vivas, preenchendo os cantos mais escuros com cor, surpresa e poesia. Pintam em tempo real sobre as mais diversas superfícies e desenham para comunicar, aproximando públicos de todas as idades através de uma linguagem universal.
Entre os exemplos mais inspiradores desta comunidade destaca-se o coletivo brasileiro VJ Suave. Reconhecidos internacionalmente pelo seu trabalho, os artistas Ygor Marotta e Ceci Soloaga criaram o projeto Mais Amor, uma iniciativa que parte de uma ideia simples e profundamente humana: realizar um gesto capaz de tocar quem o recebe. A bordo dos seus “Suaveciclos”, bicicletas equipadas com projetores, percorrem ruas de cidades de todo o mundo, projetando desenhos, animações e poesia sobre edifícios e espaços públicos. Cada intervenção é um convite ao encontro, à contemplação e à redescoberta da cidade através da imaginação.
O que torna este projeto particularmente relevante não é apenas a sua dimensão estética, mas a atitude que o sustenta, a disponibilidade para olhar os outros com atenção, humildade e cuidado. Um projeto de vida que se transforma em missão.
Inspirados por esta visão, alunos e professores dos Salesianos de Lisboa criaram o coletivo Chamaleon Syndicate, procurando levar a arte ao encontro das pessoas e utilizar a luz como veículo de esperança. Sob o manifesto “The Right to Paint Hope with Light”, assumem a convicção de que a arte pode ser um gesto de proximidade, uma linguagem de encontro e uma ferramenta de transformação humana.
Publicado no Boletim Salesiano n.º 616 de julho/agosto de 2026
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Projeto Suaveciclo por vj suave




