74.ª Peregrinação: Família Salesiana reunida em Fátima para escutar, servir e caminhar com os jovens

Nos dias 16 e 17 de maio, Fátima voltou a tornar-se lugar de encontro para a grande Família Salesiana. A 74.ª Peregrinação Nacional da Família Salesiana e o Dia Nacional do MJS reuniram mais de mil elementos dos vários grupos salesianos, jovens do Movimento Juvenil Salesiano (MJS), educadores, famílias e peregrinos num fim de semana marcado pela oração, pela reflexão e pela celebração da fé.

A peregrinação, subordinada ao tema “Fazei tudo o que Ele vos disser” foi vivida como um apelo renovado a colocar Cristo no centro da missão educativa e pastoral e a redescobrir Maria como presença que acompanha, orienta e conduz ao encontro com Jesus.

Este ano, o encontro teve uma particularidade: a apresentação do Lema do Reitor-Mor para 2026 – “Fazei tudo o que Ele vos disser. Crentes, livres para servir” – integrou o programa da peregrinação, assumindo um lugar central. Habitualmente realizada em janeiro, esta apresentação não pôde acontecer na data prevista devido às condições atmosféricas adversas registadas na altura, tendo sido integrada na programação de Fátima como oportunidade para reunir presencialmente a Família Salesiana em torno da proposta do Reitor-Mor, D. Fabio Attrad, para este ano.

Na sessão de abertura, realizada na manhã de sábado, no Salão do Bom Pastor, no Centro Pastoral Paulo VI, o Provincial dos Salesianos, Pe. Tarcízio Morais apresentou o lema do Reitor-Mor como um convite a compreender a fé não como uma ideia abstrata, mas como experiência concreta que orienta a vida e a missão educativa. “A fé não é uma ideia distante, nem um adorno espiritual. É uma chama que ilumina a existência inteira”, afirmou.

Partindo da passagem evangélica em que Maria diz aos servos “Fazei tudo o que Ele vos disser”, o comentário ao lema desenvolveu quatro atitudes consideradas fundamentais para o caminho da Família Salesiana: ver, escutar, escolher e agir.

“Educar é ajudar a escutar Jesus”

Ao refletir sobre o papel educativo da espiritualidade salesiana, o Pe. Tarcizio Morais sublinhou ainda que “educar não é dar respostas; é ajudar a escutar Jesus”, apontando Maria como modelo de acompanhamento e liberdade.

Ao longo da reflexão, foi lançada uma interpelação concreta à missão salesiana: educar para uma fé adulta, formar para a liberdade verdadeira e acompanhar os jovens com coragem, proximidade e esperança.

A apresentação contou, igualmente, com um momento de animação musical, assegurado pelo grupo dos Salesianos do Porto, que interpretou o hino associado ao lema do Reitor-Mor e ajudou a introduzir os participantes neste tema pastoral.

Destaque, ainda, para uma apresentação feita pela Provincial das Filhas de Maria Auxiliadora, Irmã Deolinda Teixeira sobre Santa Maria Troncatti.

A peregrinação deste ano ganhou, também, um significado particular pela evocação dos 150 anos da fundação dos Salesianos Cooperadores, apresentados como expressão viva do sonho de Dom Bosco: uma vasta rede de leigos chamados a santificar o mundo através da educação e do serviço aos jovens.

Maria no centro da peregrinação

Ao final da tarde de sábado, a Família Salesiana reuniu-se na Saudação a Nossa Senhora, na Capelinha das Aparições.

Foi um dos momentos mais intensos da peregrinação: simples, contemplativo e profundamente mariano. Ali, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, renovou-se simbolicamente aquilo que o lema propunha desde a manhã: escutar Maria para chegar a Cristo.

A tarde terminou com a celebração da Eucaristia na Basílica da Santíssima Trindade.

Na Eucaristia, presidida pelo Provincial, a comunidade foi convidada a redescobrir a presença viva de Cristo. Na homilia, o Pe. Tarcízio destacou que a Ascensão deve ser entendida não como afastamento, mas como envio: “A Ascensão não é fuga do mundo. É o começo da missão da Igreja”.  Recorrendo à tradição educativa salesiana, acrescentou: “Os cristãos vivem com os pés na terra e o coração no céu – assim queria Dom Bosco”.

Dirigindo-se particularmente à missão junto dos jovens, deixou ainda um apelo: “Não fiquemos parados a olhar para o céu com nostalgia; desçamos do monte e entremos nos pátios do mundo, onde os jovens esperam por uma palavra de vida”.

Uma peregrinação que continua no regresso

Na mensagem dirigida à Família Salesiana, o Pe. Artur Pereira, Delegado Provincial da Família Salesiana, recorda que peregrinar é sempre mais do que deslocar-se: é aprender a caminhar juntos, deixando que Deus transforme o coração e renove a missão. Inspirado na espiritualidade salesiana e mariana, no final da peregrinação, o convite foi o de regressar às comunidades como sinais vivos de esperança e presença educativa.

A 74.ª Peregrinação Nacional da Família Salesiana voltou, assim, a afirmar-se como um dos principais momentos anuais de encontro do movimento salesiano em Portugal, reunindo diferentes gerações em torno da fé, da educação e do compromisso com os jovens.

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