A 19 de fevereiro de 1926 os Salesianos davam início à sua obra na cidade de Évora, com a fundação do Oratório de São José, onde funcionava o oratório como complemento da escola primária. No alto de São Bento, sobre uma colina de granito, para além de uma fileira de moinhos de vento, a linha do horizonte. No século passado, por altura do S. Martinho, era para aqui que passeavam os Alunos dos Salesianos de Évora. Vinham comemorar o milagre das castanhas de D. Bosco. “Prometi castanhas aos jovens, e não os vou dececionar.”
Ao fundo, no centro do nosso olhar, Évora. Notável centro histórico português, com um passado milenar, pré-histórico, outrora uma das mais notáveis cidades romanas da Lusitânia – Ebora Liberalitas Julia – grande burgo do sul do reino português, lugar único onde o gótico casou com o “estilo mudéjar” e berço de algumas das primeiras obras arquitetónicas do Renascimento ibérico. Uma joia patrimonial, histórica, cultural e humana, hoje moderna, mas ainda intacta na sua genuinidade.
“Peço ao Senhor que, junto com a beleza das suas cidades, lhes conceda a graça de transmitir a fé, a esperança e a caridade do seu povo. Que a contemplação dos diversos monumentos permita (…) refletir sobre a prudência e a força que os tornaram possíveis. Que eles se sintam desafiados pelas lições de justiça e temperança que cada situação histórica carrega.” (Papa Francisco)
As cidades são feitas de “homens e mulheres”. O maior património de Évora são as suas gentes e o seu tecido social, espiritual e humano




As cidades são feitas de “homens e mulheres reais, com sentimentos autênticos”. O maior património de Évora são as suas gentes e o seu tecido social, espiritual e humano. São comunidades de empregados em labores, lides, fainas, operários, técnicos especializados. São empresários, professores, universitários, representantes eleitos, líderes associativos. São antigos alunos e alunas que pautam o seu desempenho por princípios que intrinsecamente os vinculam ao seu percurso formativo nos Salesianos. São leigos, diáconos, sacerdotes…
Na década de 40 coube aos padres salesianos a capelania da igreja do Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli (Convento da Cartuxa) e a orientação da Casa Pia Masculina de Évora onde desenvolveram um trabalho pedagógico com alunos internos e com ensino profissional. Ao património edificado da urbe legaram uma livraria no centro da cidade, um templo, um pavilhão gimnodesportivo, um auditório e um edifício escolar moderno e bem equipado, além do Centro Social e Paroquial em cujo edifício funcionam as respostas sociais de Lar, Centro de Dia e Apoio Domiciliário. A Paróquia presta também amparo social e comunitário a vários dos bairros mais pobres da cidade, empenhada em construir “redes de solidariedade e generosidade” numa cidade que não se divida entre “integrados” e “marginalizados”, e onde nenhum jovem se sinta excluído ou invisível.
Esta marca centenária, amável e persistente, traçada em forma de “fé, esperança e caridade” e este testemunho educativo tão peculiar de Dom Bosco, nas palavras do Prof. Vítor Fialho, “são o maior legado e a sua atualização permanente a maior responsabilidade para os tempos futuros”.
Fotografia e vídeo: João Ramalho
Para ver no Youtube dos Salesianos
Publicado no Boletim Salesiano n.º 614 de março/abril de 2026
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