Precisas de uma folha de papel, uma caneta, fita adesiva (ou cola), uma vela, um pedaço de pão e da Bíblia aberta em João 21,15-19. Lê lentamente o diálogo entre Jesus e Pedro. Não tenhas pressa. Repara que Jesus nunca pergunta a Pedro porque falhou, nem lhe pede explicações sobre o passado. Faz-lhe apenas uma pergunta: «Tu amas-me?» Permanece alguns instantes em silêncio. Dobra agora a folha em três partes. Na primeira escreve apenas uma palavra ou uma breve expressão que represente uma queda, um erro, um fracasso ou uma fragilidade que ainda hoje pesa no teu coração. Não a expliques. Basta dar-lhe um nome. Agora dobra a folha exatamente sobre essa palavra e rasga-a cuidadosamente ao longo da dobra, sem separar completamente as duas partes. Observa durante alguns instantes esse rasgo. Tal como acontece na vida, há acontecimentos que deixam marcas e parecem interromper o caminho. Abre novamente a folha e passa para a segunda parte. Escuta outra vez a pergunta de Jesus: «Tu amas-me?» Responde com toda a sinceridade. Não escrevas aquilo que achas que deverias responder, mas apenas aquilo que hoje és capaz de dizer. É possível que seja uma resposta firme. Ou pode ser que seja apenas um desejo tímido de voltar a confiar. Escreve apenas a verdade do teu coração. Neste momento, repara cuidadosamente o rasgo com fita adesiva ou cola, unindo novamente as duas partes da folha. Não escondas a marca da reparação. Deixa-a visível. Passa lentamente o dedo sobre ela, sente a textura da rutura recuperada e contempla-a por alguns instantes. Algumas feridas não desaparecem; aprendem a contar uma história diferente. Na terceira parte da folha relê as últimas palavras de Jesus: «Segue-Me.» Escreve então uma única frase que complete estas palavras: «O próximo passo que hoje posso dar é…» Escolhe apenas um gesto simples e verificável, aquele que hoje sentes ser possível. Antes de terminares, contempla a folha aberta. O rasgo continua presente, mas já não divide o caminho. A reparação não apagou a tua história; tornou possível continuar a caminhar. Recorda que Jesus não esperou que Pedro fosse perfeito para lhe confiar uma missão. Da mesma forma hoje continua a chamar quem aceita recomeçar. Quem é a primeira pessoa que Cristo hoje te confia para cuidar?
Questões para Reflexão
- O que senti ao rasgar deliberadamente o papel onde estava escrita a minha queda, em vez de apenas o dobrar e esconder?
- O remendo ficou visível, não perfeito. Ao passar o dedo sobre a reparação, e sentir a textura da rutura recuperada, o que descobri sobre a diferença entre esconder uma queda e deixá-la visível, mas já não a deixar dividir o meu caminho?
- Ao escrever a minha resposta sincera à pergunta "Tu amas-me?", senti necessidade de a justificar ou de a tornar mais bonita do que realmente é hoje o meu coração?
- Jesus não perguntou "porque falhaste", apenas "amas-me?". Ao escrever a minha resposta sincera, senti que bastava, ou ainda sentia necessidade de justificar o rasgo antes de o reparar?
- Jesus não esperou que Pedro fosse perfeito para lhe confiar uma missão. O gesto simples que escrevi como "próximo passo" é algo que só me sinto capaz de dar porque aceito, finalmente, que a minha própria fragilidade já não me impede de seguir?
