Recurso complementar

O Violino Partido

Tipo
Conto
Modalidade
Grupo / Individual

Hélder era o melhor violinista da escola de música. Todos acreditavam que teria um futuro brilhante. Mas, numa apresentação importante, aconteceu algo inesperado. Nervoso, deixou cair o violino ao subir ao palco. O instrumento partiu-se. O concerto foi cancelado. Durante semanas Hélder recusou voltar às aulas. Sentia vergonha. Achava que tinha destruído tudo aquilo que construíra durante anos. Um dia recebeu uma mensagem do seu antigo professor.

Convidava-o a visitar a oficina onde reparava instrumentos. Quando chegou, encontrou dezenas de violinos antigos. Alguns tinham rachaduras profundas. Outros apresentavam marcas visíveis do tempo.

– Vês este? – perguntou o professor.

Pegou num dos instrumentos mais gastos.

– Foi partido três vezes.

Hélder ficou surpreendido.

– E ainda toca?

O professor sorriu.

– Melhor do que antes.

Depois colocou-lhe o violino nas mãos.

– Algumas coisas não ficam inutilizadas por se partirem. Aprendem apenas uma nova forma de cantar.

A partir daquele dia, Hélder voltou a tocar. Não porque tivesse recuperado a perfeição. Mas porque descobriu que uma queda não era o fim da música.

Ligação ao Tema

Uma queda pode tornar-se o início de uma missão. É isso que acontece tanto ao violino partido de Hélder, como ao discípulo que julgava ter perdido para sempre a confiança de Jesus. Pedro experimenta uma das maiores quedas do Evangelho: nega Jesus três vezes. Acredita ter falhado irremediavelmente. Contudo, após a Ressurreição, Jesus não o humilha nem o afasta. Reconstrói-o através do amor e da confiança. Pedro reconhece na sua própria história aquilo que o violino revela: algumas feridas não silenciam a música, tornam-na mais verdadeira.

Questões para Reflexão

  1. Jesus não pergunta a Pedro "porque me negaste?", mas sim "amas-me?", por três vezes, como que a desfazer, uma a uma, as três negações. O professor também não repreende Hélder pelo violino partido: entrega-lhe outro instrumento, já reparado, e diz "toca melhor do que antes." Quando falho com alguém que amo, tenho tendência a focar-me em justificar ou analisar o erro, ou consigo simplesmente voltar a afirmar o amor, como Jesus faz com Pedro?
  2. Hélder evita voltar às aulas por vergonha: não é o violino partido que o afasta, mas a sua própria dificuldade em aceitar o que aconteceu. Também Pedro, depois de negar Jesus, "saiu e chorou amargamente", e é o próprio Jesus quem tem de ir ao seu encontro depois da Ressurreição. Há alguma queda minha que continuo a evitar encarar, não porque os outros me condenem, mas porque sou eu que ainda não me perdoei?
  3. O professor mostra a Hélder um violino "partido três vezes" que ainda toca (e melhor do que antes!) como prova viva de que a fratura não é o fim. Jesus, depois de reconstruir Pedro, confia-lhe a missão de "apascentar as ovelhas". A queda não o desqualifica, torna-se parte da sua história de líder. Consigo olhar para as minhas maiores quedas não como provas do que não sou capaz, mas como parte daquilo que hoje me torna mais autêntico ou mais capaz de acompanhar outros que também caem?