Recurso complementar

O Desvio na Estrada

Tipo
Conto
Modalidade
Grupo / Individual

Luís tinha tudo planeado. Era sábado. Ia encontrar-se com amigos, assistir a um jogo e terminar um trabalho importante. O dia estava organizado ao minuto. Mas, a meio da manhã, recebeu uma chamada. O avô tinha caído em casa e precisava de companhia até alguém da família chegar. Luís suspirou. Aquilo não fazia parte dos seus planos. Passou as horas seguintes sentado ao lado do avô. Conversaram. Jogaram cartas. Ouviram histórias antigas.

Histórias que nunca antes tinha escutado. Quando finalmente regressou a casa, o dia tinha sido completamente diferente daquilo que imaginara. No entanto, ao deitar-se, intuiu algo estranho. Não se lembrava do jogo que perdera. Nem do programa cancelado. Mas recordava cada uma das histórias do avô. Anos mais tarde, depois da morte dele, continuaria a guardar aquelas conversas como um dos maiores tesouros da sua vida. Por vezes, aquilo que interrompe os nossos planos acaba por revelar aquilo que realmente importa.

Ligação ao Tema

Simão de Cirene não acordou naquele dia a pensar que iria carregar a cruz de Jesus. Foi surpreendido pelo inesperado. Também Luís vê os seus planos interrompidos por uma situação que não escolheu. Algumas das experiências mais transformadoras da vida surgem precisamente quando somos chamados a sair do nosso caminho para ajudar alguém.

Questões para Reflexão

  1. Simão de Cirene é "obrigado" a carregar a cruz: não se ofereceu, foi apanhado de surpresa. Luís também não escolhe passar o sábado com o avô, é interrompido por uma chamada inesperada. Mesmo assim, ambos saem transformados por aquilo que inicialmente pareceu um fardo imposto. Como reajo quando os meus planos são interrompidos?
  2. Há alguma interrupção recente nos meus planos que recebi apenas como incómodo, e que talvez, olhando com mais atenção, me tenha dado algo que eu não sabia que precisava?
  3. O texto não diz nada sobre o que Simão sentiu ao carregar a cruz, nem se ficou perto de Jesus até ao fim, nem o que pensou depois. Sabemos apenas que esteve lá, num momento que não escolheu, ao lado de alguém que sofria. Nas vezes em que "carreguei" uma situação difícil de outra pessoa sem ter escolhido estar ali, o que é que essa experiência, ainda que forçada, me ensinou sobre mim próprio ou sobre a pessoa que ajudei?
  4. Luís só percebe, à noite, que esqueceu o jogo e o programa cancelado, mas guarda para sempre as histórias do avô: o que parecia "perda de tempo" tornou-se o verdadeiro tesouro do dia. Que planos considero hoje inegociáveis, mas talvez venham a pesar menos do que uma pessoa que precise de mim?