Num bairro antigo existia um terreno abandonado. Durante anos ninguém cuidou dele.
As ervas cresceram. Os espinhos espalharam-se. O lixo acumulou-se. A maioria das pessoas passava por ali e dizia:
– Não vale a pena.
– Nunca mais nascerá nada aqui.
Mas um dia apareceu um velho jardineiro. Sem fazer discursos, começou a trabalhar. Arrancava espinhos. Limpava o terreno. Preparava a terra. Durante semanas parecia que nada mudava. Os vizinhos observavam. Alguns continuavam a duvidar. Quando chegou a primavera, pequenas flores começaram a aparecer. Depois vieram arbustos. Mais tarde árvores. Ao fim de alguns anos aquele espaço transformou-se no jardim mais bonito do bairro. Uma criança perguntou-lhe:
– Como sabias que havia um jardim escondido aqui?
O velho sorriu.
– Eu não vi um jardim. Vi apenas aquilo que impedia o jardim de aparecer.
Ligação ao Tema
João Batista não é a flor nem o fruto. É o jardineiro que prepara a terra. A sua missão consiste em remover aquilo que impede a vida de florescer. O seu papel é o de preparar, remover obstáculos, anunciar a chegada de Alguém maior. Para isso pede conversão que é, muitas vezes, um trabalho de limpeza interior que cria espaço para o crescimento e para Deus.
Questões para Reflexão
- O jardineiro diz: "eu não vi um jardim. Vi apenas aquilo que impedia o jardim de aparecer." João Batista também não anuncia diretamente o Messias, prepara o caminho, chamando à conversão e ao arrependimento. Nas áreas da minha vida onde sinto que "nada cresce" ou que estou estagnado, tenho procurado adicionar algo novo, ou tenho primeiro identificado o que precisa de ser retirado?
- Durante semanas, o trabalho do jardineiro "parece que nada muda": é um esforço lento, invisível, sem resultados imediatos. João Batista vive no deserto, uma vida austera e sem grandes plateias, antes de qualquer fruto do seu anúncio aparecer. Tenho paciência para investir em mudanças interiores cujos resultados só se vejam muito mais tarde, ou desisto quando não vejo efeito imediato?
- Os vizinhos diziam sobre o terreno: "não vale a pena, nunca mais nascerá nada aqui": um julgamento definitivo sobre um espaço que ainda não tinha sido trabalhado. Há alguma parte de mim (um hábito, uma relação, uma capacidade) sobre a qual já decidi, talvez precipitadamente, que "não vale a pena" ou que "já não tem solução", mas que talvez só precise de alguém disposto a começar a limpar o terreno?
