Recurso complementar

A Semente que Tinha Vergonha

Tipo
Conto
Modalidade
Grupo / Individual

Num saco cheio de sementes, todas falavam dos grandes campos que sonhavam cultivar. Uma queria transformar-se numa árvore gigantesca. Outra sonhava produzir milhares de frutos. Uma terceira imaginava jardins coloridos. No meio delas existia uma pequena semente que permanecia em silêncio. Era a mais pequena de todas. Sentia vergonha. Acreditava que nunca conseguiria fazer nada importante. Quando chegou a primavera, o agricultor espalhou as sementes pela terra. Os meses passaram. A pequena semente cresceu. Devagar. Sem chamar atenção. Um dia nasceu uma flor. Depois outra. E outra. Sem que ninguém percebesse, o local transformou-se num campo cheio de cor. Abelhas chegaram. Borboletas apareceram. Pássaros fizeram ninhos. Ao olhar para tudo aquilo, a pequena semente compreendeu uma verdade que nunca imaginara: O mundo não muda apenas através das coisas grandes. Muitas vezes muda porque alguém teve coragem de crescer exatamente como era.

Ligação ao Tema

O rapaz que entrega os pães e os peixes possui algo pequeno perante uma multidão enorme. A semente sente exatamente o mesmo. O Evangelho mostra que Deus não trabalha apenas através dos fortes ou dos abundantes. Deus não começa pelo muito. Começa quase sempre por aquilo que alguém teve coragem de colocar nas mãos de Deus, através da disponibilidade humilde de quem oferece aquilo que é.

Questões para Reflexão

  1. As outras sementes sonham com grandes campos e milhares de frutos, mas é a pequena que acaba por transformar todo o lugar apenas por crescer "exatamente como era". O rapaz do Evangelho também não tem uma solução para a multidão: só cinco pães e dois peixes que oferece sem hesitar. Há algo em mim que considero "pequeno demais" para ter valor, mas que, entregue, pode fazer a diferença?
  2. O milagre só acontece depois de o rapaz entregar o que tinha: Jesus não faz aparecer comida do nada, multiplica o que já lhe foi dado. A pequena semente também não se torna flor sem primeiro ser lançada à terra, sem controlo sobre o resultado. Nas coisas que sinto chamado a dar (tempo, talento, ajuda), tenho tendência a guardá-las até sentir que "são suficientes", ou consigo entregá-las mesmo sabendo que, sozinhas, parecem pouco?
  3. Estou disposto a agir com generosidade mesmo sem garantia de ver o resultado, confiando que o "pouco" que ofereço pode multiplicar-se de formas que talvez nunca chegue a testemunhar?