Recurso complementar

Betânia: a casa que se enche de perfume

Tipo
Dinâmica
Modalidade
Grupo

No centro do espaço encontra-se uma cadeira vazia, rodeada por uma grande cartolina em forma de casa. A cadeira simboliza discretamente o lugar de Jesus em Betânia, a casa onde encontrou amizade, acolhimento, descanso e onde partilhou momentos de alegria, sofrimento e esperança com Marta, Maria e Lázaro. Na cadeira, coloca o frasco de perfume visível. Lê-se brevemente Lucas 10,38-42 e alguns versículos de João 11 (17-20 e 32-36), para situar o grupo nesta amizade e no momento em que essa presença fez tanta falta. Os participantes, divididos em pequenas equipas, recebem cartões com diferentes atitudes (amizade, escuta, serviço, hospitalidade, diálogo, confiança, perdão, alegria, oração, disponibilidade ou cuidado), e são convidados a construir, com eles, uma casa onde Jesus se sentisse verdadeiramente acolhido. Quando terminam, pede-se a cada equipa que olhe para os seus próprios cartões e escolha, entre eles, aquele que sente estar mais ausente na sua vida ou no seu grupo neste momento (seja escuta, tempo, amizade ou diálogo) e o retire da casa. Convida-se assim o grupo a perceber como uma casa pode manter a sua aparência e, no entanto, perder aquilo que lhe dá vida: por fora continua igual, mas por dentro já falta o essencial. Explica-se então: vimos que uma casa pode parecer completa e, mesmo assim, ter perdido aquilo que lhe dá vida. Mas há um gesto capaz de devolver isso mesmo a um espaço — não com palavras, não com regras, mas com um sinal simples de amor concreto. É isso que Maria faz em Betânia. Lê-se João 12,1-3. Em silêncio, um frasco de perfume passa de mão em mão e cada participante coloca uma pequena gota no pulso ou na palma da mão. Enquanto o aroma se espalha pela sala, deixa-se um breve momento de silêncio e pergunta-se: "Que perfume deixam as nossas casas, os nossos grupos e as nossas relações? Que ambiente criamos quando alguém se aproxima de nós?" Quem sentir vontade pode partilhar em voz alta uma palavra ou um pensamento, antes de se passar à escrita pessoal. Cada participante escreve então num post-it um gesto simples e concreto que possa tornar a sua família, a sua turma, o seu grupo ou a sua comunidade um lugar mais parecido com Betânia: um pedido de desculpa, uma visita, uma conversa sem pressa, um telefonema, uma palavra de encorajamento, um gesto de serviço ou de reconciliação. Um a um, aproximam-se da cadeira e colocam o seu compromisso sobre ela, dizendo apenas: «Este será o meu perfume desta semana.» A dinâmica termina recordando que João não diz apenas que Maria perfumou os pés de Jesus, mas que «a casa encheu-se com o perfume do óleo». Também hoje, uma comunidade torna-se verdadeiramente cristã quando o amor vivido deixa um rasto que permanece muito para além da presença de cada um. Antes de sair, cada participante é convidado a aproximar novamente as mãos do rosto e a sentir o perfume que ainda permanece na pele, levando consigo o compromisso de fazer da sua vida e dos lugares por onde passa uma nova Betânia, onde Jesus continue a sentir-Se verdadeiramente em casa. (Nota: pode haver alérgicos a perfumes. Antes de começar, garantir que ninguém é alérgico. Neste caso, em vez de colocar o perfume em si, pode apenas sentir o aroma).

Questões para Reflexão

  1. Qual foi o cartão mais fácil de colocar, e, qual foi mais difícil de reconhecer dentro de nós?
  2. Que "cartão" retirei da casa, reconhecendo que está mais ausente na minha vida ou no meu grupo? Porque será que essa, e não outra, é a que mais falta?
  3. Uma casa pode parecer completa por fora e, no entanto, ter perdido o que lhe dá vida por dentro. Isso já aconteceu comigo (numa amizade, numa família, num grupo) sem que os outros percebessem?
  4. Que "perfume" costumo deixar nos lugares por onde passo e nas relações que vivo? É um perfume de presença e de amor concreto, ou de pressa, indiferença ou ausência?
  5. O gesto que escrevi no meu post-it é realmente concreto e possível de cumprir esta semana, ou continua a ser apenas uma boa intenção? O que preciso para o tornar real?