Quando abriu, toda a gente pensou que iria falir. O Café Horizonte não tinha internet.
Não tinha televisões. Não tinha música ambiente. Nada. Apenas mesas. Cadeiras. E pessoas. Nos primeiros meses quase ninguém aparecia. Mas lentamente começou a acontecer algo estranho. As pessoas ficavam. Conversavam. Jogavam cartas. Partilhavam histórias. Os telemóveis permaneciam nos bolsos.
Um jornalista decidiu entrevistar a proprietária.
– Qual é o segredo deste lugar?
Ela sorriu.
– Nenhum.
As pessoas têm fome de muitas coisas. Mas a maior fome continua a ser a de presença.
Meses depois, o Café Horizonte tornou-se o espaço mais procurado da cidade. Não porque oferecesse mais distrações. Mas porque oferecia aquilo que começava a faltar em todo o lado: Tempo.
Ligação ao Tema
Maria escolhe permanecer junto de Jesus. Não faz nada produtivo. Apenas está presente. Numa sociedade centrada na eficácia, o Evangelho recorda o valor da relação. O Café Horizonte torna-se uma bela imagem de Betânia: um lugar onde a presença vale mais do que a distração e onde o encontro é mais importante do que a agitação.
Questões para Reflexão
- O Café Horizonte também não oferece nada de novo, só retira as distrações que já existiam. Na minha vida, o que preciso de retirar (e não de acrescentar) para conseguir estar verdadeiramente presente?
- A dona do café diz que "a maior fome continua a ser a de presença", mesmo numa sociedade cheia de ligações constantes. Sinto essa mesma fome em mim, de ser simplesmente acompanhado, sem necessidade de "render" nada?
- Quando estou com os outros, sei simplesmente estar ou tendo a ocupar-me sempre com tarefas?
- Nas coisas que faço pelos outros (família, trabalho, amigos), consigo distinguir quando estou a servir com paz e quando estou apenas ocupado a fugir de parar e estar presente?
