“Novos do Restelo”

“Novos do Restelo”

Editorial do Boletim Salesiano n.º 613 de janeiro/fevereiro de 2026.

Janeiro traz-nos a memória de São João Bosco. Não como simples efeméride, mas como luz viva que abre caminhos. Homem de fé, apostou toda a sua vida na sua “querida juventude”, reconhecendo nela o mais precioso tesouro da humanidade: sementes de esperança lançadas no tempo, capazes de gerar futuro. D. Bosco entregou-se sem reservas para que os jovens de então (os de hoje e os de sempre) pudessem florescer em vidas plenas, habitadas por sentido. Foi dom total. A obra que dele brotou, iniciada em Valdocco e hoje espalhada em tantos lugares do mundo, testemunha que educar e a evangelizar florescem onde a dignidade e a confiança são erguidas. Com trabalho e dedicação. Com entrega e presença constante. Com a partilha de vida. Acreditar nos jovens é reconhecer neles uma força criadora, uma bondade luminosa e uma beleza original que, quando despertas, têm poder de transformar o mundo. Mas essa visão profética precisa de ser reacendida. Precisamos de “novos do Restelo” que estejam ao lado dos jovens. Os jovens do nosso tempo vivem sob o peso da descrença, atravessados por inquietações profundas, aprisionados por medos que encolhem os sonhos e toldam o horizonte. Eles não são um futuro adiado: são o presente que pode transformar tudo. Muitas vezes sentem-se diminuídos, incapazes de corresponder às expectativas, inseguros quanto ao seu valor. Fecham-se nas margens do sem sentido. Por isso, o apelo de D. Bosco continua a soar com urgência: sejamos pontes vivas, unindo as margens da esperança e da vida. Homens e mulheres de confiança, capazes de conduzir os jovens a um projeto de felicidade sem limites. Que os ajudem a acreditar primeiro em si mesmos (nos seus talentos ainda escondidos, na sua bondade originária) e, depois, no vasto oceano de possibilidades que os espera. O segredo dessa ponte tem nome: Amorevolezza. Não um afeto superficial, mas um amor preventivo, que se adianta, acompanha e permanece. Um amor que habita o pátio, a dúvida e a festa; que sabe que razão e fé só crescem envolvidas em ternura: «Basta que sejais jovens para que eu vos ame imensamente», dizia D. Bosco. Este é o seu legado: uma pedagogia ao ritmo do coração, corajosa e luminosa, que nos convoca a caminhar ao lado dos jovens, para que inovem, liderem e escrevam a sua própria epopeia. Em cada pátio do mundo, real ou digital, aí pulsa o sonho de D. Bosco. Caminhar com eles é a nossa maior alegria e a nossa missão mais urgente: ser farol, ponte e fogo, reacendendo o mundo em esperança. ·

Fotografia: ANS

Publicado no Boletim Salesiano n.º 613 de janeiro/fevereiro de 2026

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