Testemunho Nadiya Madjido

Serviço SolSal e Missão Dom Bosco apoiam migrantes e refugiados

No dia 27 de setembro assinala-se o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado da Igreja Católica. Em Portugal, os Salesianos intervêm nesta realidade através da rede dos serviços sociais SolSal, da Fundação Salesianos, e da Missão Dom Bosco – Fundo Solidário Salesiano, a plataforma de angariação de fundos que apoia projetos nacionais e internacionais.

As migrações e as minorias étnicas constituem dois dos campos de missão do SolSal, a rede de serviços sociais da Fundação Salesianos, presente em várias obras salesianas do país. O SolSal de Lisboa e o SolSal de Mirandela são dois exemplos desta missão.

O Centro de Apoio ao Migrante e o Centro de Inclusão Comunitária do SolSal Lisboa asseguram o acompanhamento de pessoas e famílias migrantes e pertencentes a minorias étnicas. A intervenção inclui o acolhimento, o acompanhamento social e psicossocial, a mediação, o encaminhamento e a articulação com diferentes serviços, facilitando o acesso a direitos e promovendo a inclusão social, a autonomia e a participação na comunidade.

Todos os anos, centenas de pessoas e famílias são acompanhadas através de respostas adaptadas às necessidades de cada um.

“Para mim Portugal é oportunidade”

Chegou com o marido e a filha de um ano de idade em 2019. Nadiya Madjido, 29 anos, natural de Tchamba, no Togo, conhecia muito pouco sobre Portugal. Recorda-se de ter ouvido falar de Camões e da maior ponte da Europa. Disse a uma amiga: “Um dia gostava de ver essa ponte”.

A integração, de início, foi um desafio, por isso, decidiu que queria estudar. “Não queria ficar em casa. Sem fazer nada”. As dificuldades com a língua e a falta de formação eram obstáculos a uma vida melhor para si e para a sua família.

Conheceu o SolSal em 2023 e agradece todo o apoio e segurança que as técnicas do Serviço Social da Fundação Salesianos, Diana Almeida, Helena Domingues e Alexandra Constantino, lhe deram. Desde ajuda para tratar de burocracias, procurar novas oportunidades, a “explicações” antes dos testes.  “Recebi respeito e humanidade”, resume com a assertividade de quem sabe bem o valor dessas palavras mesmo numa língua que ainda não domina.

Nadiya já conseguiu o Certificado de Habilitações do 9.º ano, está a tirar a carta de condução e frequenta uma formação profissional em Geriatria do IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional.

A família de Nadiya, entretanto, cresceu e tem hoje três filhas. “Três meninas, com oito, cinco e a mais nova, que completa um ano em outubro”. Repete várias vezes a palavra “oportunidade”. “Para mim Portugal é oportunidade”. Hoje estuda e trabalha, e sonha com as oportunidades de educação e formação das três filhas.

Já sofreu vários episódios de racismo, dirigidos a si mas também à sua filha de 8 anos. Não aceitou e denunciou a situação na escola. Depois soube que os pais da colega de escola eram os responsáveis pelas palavras discriminatórias que a pequena criança dirigiu a outra pequena criança. Para si, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado significa “integração, cultura e respeito”. “Quero trabalhar e ganhar dinheiro com dignidade. E focar-me no positivo. E dar esse exemplo às minhas filhas.”

Testemunho Aidil Gomes
Aidil Gomes
“Se as dificuldades existem para os portugueses, imaginem para a população migrante”

Aidil Gomes tem 34 anos, é natural de Bissau, na Guiné-Bissau. Chegou a Portugal em 2020. Depois de terminada a licenciatura em Enfermagem, veio para Lisboa prosseguir a formação num Mestrado em Parasitologia Médica no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova.

Aguarda há quase um ano o agendamento do seu pedido de reagrupamento familiar na AIMA, a Agência para a Integração Migrações e Asilo. No final de outubro terá finalmente a oportunidade. A filha continua na Guiné-Bissau, com os avós, e a espera é “a maior tristeza” que sente. O afastamento já fez os seus estragos. “Agora quase não fala ao telefone. No início não era assim”, desabafa.

Os estudos também já tiveram altos e baixos. A Covid-19 alterou o curso normal dos seus planos. Em 2022 regressou à Guiné-Bissau para a recolha de dados para a tese. Regressou grávida. Em 2024 voltou a inscrever-se no Mestrado, conseguiu inscrever o filho na Creche e começou a trabalhar em enfermagem na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no apoio domiciliário. “Gosto de trabalhar nesta área. Sempre soube que era isto que queria fazer. De corpo e alma”. Foi por essa altura que conheceu o SolSal. Teve que receber vários apoios: ajuda psicológica e ajuda básica. “Houve dias em que acordava sem um euro”.

Depois do dia do nascimento do filho, um dos dias mais felizes que viveu nestes anos no nosso país foi quando conseguiu deixar um quarto alugado e alugar uma casa. Recebeu ajuda de onde não esperava. “O senhorio aceitou alugar-me a casa mesmo sem fiadores nem IRS”, recorda com emoção e gratidão.

“Em Portugal sinto segurança – não me refiro só à violência –, segurança económica, segurança no futuro, alimentar, de saúde. Tenho a certeza que trabalho 22 dias e que no fim do mês recebo o salário”, conclui.

“Na Guiné-Bissau sempre estive muito envolvida no associativismo, ligado aos Direitos Humanos”. Mas, na realidade, nunca pensou muito na celebração do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, “apesar de haver muita população imigrante da Gâmbia e da Guiné-Conacri”. Pensa durante algum tempo e depois responde: “Seria bom que não olhássemos para a imigração apenas numa perspetiva negativa. Se as dificuldades existem para os portugueses, imaginem para a população migrante”.

Testemunho Mussa Dafé
Mussa Dafé
SolSal Mirandela dá acompanhamento a jovens estudantes migrantes

Mussa Dafé veio para Portugal em 2025, para frequentar o Curso Técnico Superior Profissional em Gestão de Turismo no Instituto Politécnico de Bragança, instalado em Mirandela. Não conhecia bem Portugal, apenas o Instituto Politécnico de Bragança. “Deixei a minha terra por razões políticas e decidi estudar no estrangeiro para servir melhor o meu país”, conta Mussa, 26 anos, natural de Bafatá, na Guiné-Bissau. Espera regressar para poder “dar o meu melhor… lá”. “Todos sabemos que o mundo está agitado. É preciso trabalhar muito, dar o máximo para ter uma vida melhor com a minha família”, desabafa com timidez.

Conheceu o Serviço SolSal de Mirandela através de uma pessoa amiga que lhe falou dos Salesianos. É um dos 60 jovens migrantes que o SolSal apoiou no último ano. Acredita que, se não tivesse recebido esse apoio, provavelmente já não estaria a frequentar a formação superior de dois anos que está a fazer. “A ajuda que recebi pode parecer pouco para outras pessoas, mas para mim foi muito importante”. Foi um dos melhores momentos que viveu em Portugal desde que chegou, diz ao técnico do SolSal João Paulo Nunes.

O SolSal Mirandela desenvolve um eixo específico de intervenção dedicado à integração de migrantes, em especial jovens estudantes migrantes. Acompanhamento social, apoio documental, encaminhamento para os serviços competentes, ações de formação nas áreas da saúde, educação, trabalho e serviços da comunidade, são algumas das ações desenvolvidas pelo serviço, bem como respostas de acolhimento solidário e transitório para jovens em situação de maior vulnerabilidade, promovendo a sua integração social, cultural e profissional.

Para Mussa, celebrar o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado é celebrar “a oportunidade de estudar, de uma vida melhor com melhores perspetivas para o futuro”. “O meu propósito é regressar à minha terra e dar o meu melhor lá”. Até porque sente a falta do que deixou para trás, em especial “a minha mãe (risos) e a família”.

Missão Dom Bosco apoia projetos nacionais e internacionais

Noutra linha de ação, os Salesianos de Portugal criaram há cerca de seis anos uma plataforma para angariação de fundos e donativos para apoiar projetos educativos, sociais e humanitários, em Portugal e no mundo. A Missão Dom Bosco – Fundo Solidário Salesiano tem vindo apoiar ao longo dos anos várias situações de emergência que obrigam crianças, jovens e famílias a abandonar as suas casas e comunidades. A intervenção é feita noutros países através da presença salesiana local para onde são canalizadas as ajudas através das Procuradorias Missionárias, gabinetes que centralizam em Itália, Espanha e nos Estados Unidos as necessidades e as ajudas destinadas a outros países. Os Salesianos são a segunda maior Congregação Religiosa do Mundo, com mais de 13.400 membros, presentes em 138 países do mundo.

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